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Saúde do DF bate recorde de cirurgias eletivas: gestão Celina registra 36,4 mil procedimentos e reduz filas históricas
Com crescimento de 35,89% entre janeiro e julho, Distrito Federal amplia atendimento pelo Opera DF, acelera cirurgias de maior complexidade e anuncia R$ 50 milhões para procedimentos ortopédicos
A rede pública de saúde do Distrito Federal alcançou um novo patamar na realização de cirurgias eletivas em 2026. Entre janeiro e julho, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) contabilizou 36.442 procedimentos, número que representa crescimento de 35,89% em relação ao mesmo período do ano passado.
São mais de 9,6 mil cirurgias adicionais, segundo os dados divulgados pela Secretaria.
O avanço foi destacado pela governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP), que atribuiu o desempenho à ampliação da capacidade de atendimento da rede pública e à contratação complementar de serviços hospitalares privados.
O crescimento ocorre em um dos setores mais sensíveis da administração pública: o atendimento a pacientes que aguardam por procedimentos cirúrgicos e, em alguns casos, convivem durante anos com limitações físicas, dores e dificuldades para realizar atividades cotidianas.
DF registra pico histórico em julho
A média mensal de cirurgias eletivas no Distrito Federal chegou a 5.206 procedimentos nos sete primeiros meses de 2026.
O melhor resultado mensal ocorreu em julho, quando foram realizadas 6.153 cirurgias.
Segundo os números apresentados pela SES-DF, trata-se de um recorde histórico de produção cirúrgica.
Celina Leão destacou o desempenho ao comentar os investimentos e as medidas adotadas pelo governo.
“Proporcionalmente, somos o estado que mais cresceu no número de cirurgias eletivas do país. Isso é fruto das nossas ações e projetos de complementariedade na rede pública. Paralelo a isso, a gente continua construindo hospitais para reforçar a nossa estrutura física. Havia gente que aguardava na fila há mais de dez anos”, afirmou.
A comparação nacional citada pela governadora se refere ao crescimento proporcional da produção, e não ao maior número absoluto de cirurgias realizadas no Brasil.
Opera DF amplia a capacidade de atendimento
Uma das principais iniciativas associadas ao aumento dos procedimentos é o programa Opera DF.
O programa foi estruturado para reduzir o tempo de espera por cirurgias eletivas, consultas e exames, utilizando a capacidade instalada dos hospitais públicos e a contratação complementar de estabelecimentos privados.
Desde 2025, os dados apresentados pelo governo apontam a realização de 27.371 cirurgias ambulatoriais e 30.688 cirurgias com internação de maior complexidade no âmbito das ações relacionadas ao Opera DF.
A estratégia procura ampliar a oferta de procedimentos sem depender exclusivamente da expansão física dos hospitais públicos.
Ao mesmo tempo, o governo afirma manter projetos de construção e reforço da infraestrutura hospitalar.
A combinação entre contratação de serviços, ampliação de especialidades e reorganização dos centros cirúrgicos foi apresentada como um dos fatores que contribuíram para o aumento da produção.
Esperas de anos começam a diminuir
Os resultados divulgados também mostram reduções expressivas nos tempos de espera de determinados procedimentos.
Entre os exemplos apresentados pela SES-DF está a cirurgia bilateral de varizes, cujo tempo informado passou de 1.046 dias para seis dias.
Na tireoidectomia parcial, procedimento de retirada de parte da glândula tireoide, o tempo caiu de 889 para 45 dias.
Já na tireoidectomia total, a espera passou de 721 para 108 dias.
Outros procedimentos também apresentaram redução:
- Vasectomia: de 172 para zero dia;
- Colecistectomia, cirurgia de retirada da vesícula: de 313 para 103 dias;
- Ressecção de próstata: de 116 para 78 dias.
Esses indicadores mostram mudanças relevantes nas filas específicas monitoradas pela Secretaria.
A redução do tempo de espera, entretanto, não significa necessariamente que todos os pacientes dessas especialidades tenham sido atendidos. Os números precisam ser acompanhados de informações sobre a demanda existente e os critérios de cálculo utilizados.
Menos pacientes aguardando cirurgia
Além da redução dos tempos, a SES-DF informou queda no número de pessoas aguardando determinados procedimentos.
Na cirurgia bilateral de varizes, a fila passou de 1.296 para quatro pacientes.
Na tireoidectomia total, caiu de 320 para 27 pessoas.
A hernioplastia inguinal, utilizada para correção de hérnias na região da virilha, registrou redução de 341 para 59 pacientes.
Já a hernioplastia umbilical passou de 379 para 78 pessoas.
Na ressecção de próstata, o número informado caiu de 193 para 47 pacientes.
A redução das filas constitui um indicador importante para avaliar a capacidade de resposta da rede pública.
Para o paciente, o resultado pode significar menos tempo convivendo com sintomas, limitações funcionais e incertezas sobre a realização do tratamento.
R$ 50 milhões para cirurgias ortopédicas
A ortopedia também foi destacada entre as prioridades anunciadas por Celina.
A governadora afirmou que foram autorizados R$ 50 milhões para ampliar a realização de cirurgias ortopédicas, com expectativa de atendimento de quase quatro mil pacientes.
“Essa semana nós assinamos R$ 50 milhões para cirurgias ortopédicas. São pessoas que também estão em uma fila muito grande. Vão ser operadas quase 4 mil pessoas”, declarou.
A SES-DF também informou a estruturação de um plano de expansão para viabilizar 3.166 cirurgias ortopédicas.
A especialidade envolve procedimentos como intervenções em quadril e joelho, reconstruções ligamentares e cirurgias de coluna.
O anúncio dos recursos representa uma etapa importante, mas a realização efetiva dos procedimentos dependerá da contratação, do agendamento e da execução das cirurgias previstas.
Contratação de hospitais privados reforça a rede
A ampliação da produção cirúrgica também está associada à contratação de serviços na rede privada.
Segundo os números divulgados, foram contratadas 19.333 cirurgias, das quais 9.251 já haviam sido realizadas.
Isso corresponde a aproximadamente 47,9% do total contratado.
Algumas especialidades apresentam execução superior à metade do volume previsto.
Na oftalmologia, o índice chegou a 67,35%.
Na cirurgia geral, a 64,93%.
Na urologia, a 53,99%.
Outras especialidades aproximam-se da metade das metas contratadas, como cabeça e pescoço, com 48,71%, e cirurgia vascular, com 48,33%.
O modelo permite utilizar a capacidade de atendimento de hospitais contratados para complementar os serviços prestados diretamente pela rede pública.
Sua continuidade exige fiscalização dos contratos, acompanhamento dos resultados e controle da qualidade assistencial.
Incentivos financeiros ajudam a ampliar especialidades
Outra medida adotada pela Secretaria de Saúde foi a revisão dos percentuais de complementação financeira sobre valores da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
A estratégia procura tornar viável a realização de procedimentos de maior complexidade e estimular a ampliação da oferta em especialidades com demanda elevada.
Na cardiologia, os incentivos abrangem intervenções como implantes de marcapasso, trocas de geradores e procedimentos envolvendo desfibriladores.
Na ortopedia, contemplam cirurgias de quadril, joelho, coluna e reconstruções ligamentares.
Também foram incluídas medidas voltadas à oncologia, ginecologia, cirurgia geral, otorrinolaringologia e procedimentos videolaparoscópicos.
A ampliação dessas especialidades é relevante porque a complexidade de determinadas intervenções pode exigir equipes altamente especializadas, equipamentos específicos e maior disponibilidade de centros cirúrgicos.
Crescimento nacional coloca DF em destaque
A governadora também citou dados do Ministério da Saúde que, segundo o material divulgado, colocam o Distrito Federal na primeira posição nacional em crescimento proporcional da produção de cirurgias eletivas.
O percentual informado para a comparação do primeiro semestre de 2025 com o primeiro semestre de 2026 é de aproximadamente 31%.
Já o crescimento de 35,89% corresponde ao período de janeiro a julho.
A distinção é importante porque os dois percentuais utilizam intervalos de comparação diferentes.
Ambos, porém, apontam expansão da quantidade de procedimentos realizados.
O desafio é consolidar a redução das filas
O aumento da produção cirúrgica é um resultado relevante para a rede pública de saúde.
Mas sua importância precisa ser medida também pela capacidade de reduzir a espera, manter a qualidade do atendimento e garantir continuidade aos tratamentos.
Os números apresentados pelo Governo do Distrito Federal mostram avanços em diferentes frentes: maior quantidade de cirurgias, ampliação de contratos, incentivos financeiros e diminuição de filas específicas.
Ao divulgar esses resultados, Celina Leão colocou a expansão do atendimento cirúrgico entre as iniciativas destacadas de sua administração.
Com 36.442 cirurgias eletivas realizadas de janeiro a julho, o DF registra um crescimento expressivo na produção hospitalar. A consolidação desse avanço dependerá de manter o ritmo de atendimento, reduzir as filas remanescentes e assegurar que os pacientes recebam assistência adequada em todas as etapas do tratamento.
