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Presidente da FAJ é paraninfa da nova turma de 45 advogadas e advogados do DF

Publicado em: 01/08/2026 21:04

E/D: Oradora da turma, Beluá de Barros Veloso, recebe da paraninfa, Patrícia Guimarães, e da copresidente da OAB/DF, Roberta Queiroz, sua carteira de advogada

A vida de vocês se divide em antes e depois desta manhã“, disse a presidente da Fundação de Assistência Judiciária da OAB/DF (FAJ), Patrícia Guimarães, paraninfa da nova turma de 45 novos profissionais que receberam a carteira da Ordem na manhã desta quarta-feira (29). A cerimônia lotou o auditório da sede da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) reunindo familiares, amigos e autoridades.

A mesa diretiva dos trabalhos foi presidida pela copresidente da OAB/DF, Roberta Queiroz, que também conduziu o juramento prestado pela turma. Ao abrir essa solenidade, Roberta Queiroz deu as boas-vindas aos formandos e destacou o simbolismo do momento: “Esse encontro é muito importante na vida de cada um de vocês! É um momento que representa o começo de uma nova jornada de aventura… Mas uma boa aventura a ser executada nas mãos daqueles que realmente se dedicam para uma boa advocacia.”

Palavras da oradora

A oradora da turma, Beluá de Barros Veloso, emocionou os colegas ao falar sobre a trajetória de superação de cada um: “Parabenizo todos aqueles que lograram êxito no exame da Ordem, pois tenho certeza de que esse não foi um caminho fácil de ser percorrido. Estudar é um privilégio que nem todos têm a oportunidade de desfrutar. Nós que hoje estamos aqui, além de vencedores, fomos agraciados por Deus com a oportunidade de estudar. É por meio dos estudos que podemos transformar a nossa realidade e a realidade da nossa família.”

Ela completou: “Quando você aposta em você, você tem condição de ir o mais longe que pode alcançar, e isso se chama excelência. E sem ela, nós não estaríamos aqui agora, pois os sonhos que se estima são exigentes.”

Beluá lembrou que o caminho ainda é longo, mas reafirmou o compromisso ético da profissão: “Quando houver um vulnerável, um hipossuficiente ou até mesmo uma pessoa abastada tendo seus direitos violados, ou quando alguém sofrer arbitrariedade do Estado de pessoas movidas pela má-fé, nós estaremos lá.”

Oradora da turma recebe homenagem ao lado da paraninfa Patrícia Guimarães e da direção da OAB/DF: Roberta Queiroz e a diretora de Comunicação Desirée Sousa; também dos conselheiros federais Newton Rubens e Délio Lins e Silva Jr.

Discurso da paraninfa

Em seu discurso como paraninfa da turma, a presidente da FAJ, Patrícia Guimarães, compartilhou sua vida pessoal e trajetória profissional para enfatizar desafios e a coragem que cerca a escolha pelo exercício de advogar.

Ela pediu que os novos advogados guardassem aquele instante na memória: “Daqui a alguns anos vocês vão perceber que a vida de vocês foi dividida em dois capítulos: antes e depois dessa manhã.”

Patrícia relembrou quando esteve, anos atrás, na quarta fileira do mesmo auditório, com a carteira da OAB nas mãos e cheia de incertezas: “Sem saber se eu conseguiria clientes, sem saber se eu conseguiria pagar as contas com a advocacia, sem saber se eu seria uma boa advogada. E muito menos imaginava que um dia estaria neste palco como paraninfa de uma nova geração de advogados. Na verdade, aquela menina da quarta fileira não sonhava em ocupar cargos. Ela sonhava apenas em conseguir o primeiro cliente. Talvez muitos de vocês estejam pensando exatamente isso nesse momento. Eu quero começar dizendo uma coisa para vocês: isso é muito normal. Ninguém sai da faculdade sabendo ser advogado. A advocacia é uma construção diária.”

A paraninfa lembrou sua origem — filha de um pai que saiu da comunidade quilombola Kalunga, em Cavalcante de Goiás, para buscar oportunidades em Brasília — e deixou uma mensagem poderosa aos novos profissionais, sobre “história, cultura e valores”: “Meu pai nunca me ensinou a desistir. Ele me ensinou que o trabalho digno transforma vidas, e talvez tenha sido ali que nasceu a mulher que eu sou hoje. Porque eu cresci entendendo que a nossa origem não determina o nosso destino. Ela fortalece a nossa caminhada. Eu sou uma mulher negra e sei que o racismo estrutural ainda existe. Sei que muitas portas continuam sendo mais difíceis para mim. Mas também aprendi uma coisa muito cedo: ninguém pode decidir até onde eu posso chegar.” Ela destacou a caminhada pela educação, que lhe trouxe até aqui.

A paraninfa discorreu ainda sobre os desafios da advocacia — as primeiras audiências, os processos perdidos, as sociedades que não dão certo — e ensinou: “Coragem não é sentir medo, coragem é seguir em frente apesar de qualquer coisa.” Ao persistir, teve cada vez mais desafios e vitórias, crescendo profissionalmente e em visibilidade na carreira e junto a seus pares, apoiando a transformação para melhor na vida das pessoas.

Ela encerrou compartilhando mais uma percepção pessoal: “Sucesso é continuar sendo quem vocês são, sem abrir mão dos seus valores pessoais, sem esquecer de onde vocês vieram, sem tentar ser outra pessoa para agradar… A maior missão da vida de vocês vai sempre estar à frente dos sonhos de vocês e realizando…”

Homenagem à paraninfa, por parte da OAB/DF e dos representantes do CFOAB

Leia o discurso da paraninfa na íntegra

“Construam suas histórias a partir de agora”

Délio Lins e Silva Jr., diretor-tesoureiro do Conselho Federal da OAB e duas vezes presidente da OAB/DF, prestigiou a turma com um discurso que mesclou emoção e experiência. Ele se identificou com os novos advogados ao lembrar sua própria cerimônia: “Dia 23 de abril de 2001, era eu que estava sentado aí no seu lugar. Daqui a alguns anos você vai estar aqui no lugar que a Roberta está hoje”, comentou com uma das novas advogadas que ocupou a mesma cadeira que ele estava sentado anos antes.

Délio destacou que a aprovação no Exame da Ordem não é um favor, mas uma conquista pessoal: “Vocês não fizeram mais do que a obrigação para estarem aqui hoje. Mas não é obrigação porque o seu pai mandou vocês fazerem Direito. Vocês têm uma obrigação com vocês mesmos. Anos atrás, vocês fizeram a opção de fazer esse curso de Direito. E vocês sabiam que, em algum momento, essa hora ia chegar.”

Ele apresentou a OAB como uma nova família e reforçou o amparo da instituição: “Vocês têm por trás uma instituição, uma nova família, para proteger, acolher, amparar vocês em todos os momentos que vocês precisarem, literalmente 24 horas por dia.”

“A casa está de portas abertas”

Karla Henriques, copresidente da Subseção de Águas Claras, abordou as Subseções, destacando que a OAB/DF “acolhe as mulheres, as mães, todos os advogados independentemente de sua cor, gênero… e dentro das suas particularidades”.

Ainda discorrendo sobre acolhimento, em especial às mulheres, a ouvidora da Mulher, Mayra Leão, lembrou que há dificuldades, em vários momentos, simplesmente porque se é mulher. Ela lembrou que mulheres são vistas com julgamentos, seja pela forma de se vestir, ou de se comportar, ou de se expressar. “Se mais pontuais, somos consideradas grossas; se finas ‘demais’, somos delicadas”, pontuou, deixando claro que a todas as mulheres a OAB/DF estende seu compromisso. “Vocês não estão sozinhas”, afirmou.

Dirigindo-se aos jovens advogados, como ele, o presidente da Comissão do Terceiro Setor da Subseção de Planaltina, Fábio Ferraz, destacou as mudanças em sua vida que a carreira já vem possibilitando. E ao experimentar a mudança pessoal, compreendeu igualmente o quanto, de fato, a profissão transforma a vida de quem a advocacia atende: “Enxergar esse auditório cheio de advogados que acabaram de tomar posse é enxergar a posse de vários agentes de transformação… vocês vão ser pessoas que vão mudar a vida de muitas outras pessoas”, afirmou. Ele celebrou que seu tio, Adevaldo Pereira Dias, na turma, estava ali, aos 60 anos começando a profissão, pegando sua carteira também: um “jovem advogado”, recomeçando a vida.

Na recepção da turma, a conselheira Seccional Fernanda Maul destacou as oportunidades oferecidas pela OAB/DF, incluindo convênios da Caixa de Assistência, e pontuou o trabalho de reinserção social que realiza na área de execução penal: “Tenho clientes que fizeram essa última prova da Ordem. Um deles foi aprovado. É uma área muito interessante. Você ajudar uma pessoa que está ali dentro, seja lá por motivo que for, e que quer mudar”, incentivou.

“O único caminho que nós tínhamos era a educação”

O diretor-geral da Escola Superior de Advocacia do DF, Ricardo Barbosa, apresentou a escola e sua programação: “Todos nós estamos aqui por um único motivo, porque a gente acreditou que o único caminho que nós tínhamos era a educação. A ESA desenvolve um trabalho único no mercado. Mês de agosto, todas as 14 regiões administrativas que têm sede da OAB receberão cursos”, orientou.

Após essa saudação inicial, Roberta Queiroz convidou os novos advogados a participarem das mais de 100 comissões da OAB/DF e destacou o programa de residência jurídica, exclusividade da advocacia do DF: “É um curso de pós-graduação, 360 horas-aula, 220 delas de imersão em escritórios mentores. Muitos desses advogados que participam do programa saem contratados por esses escritórios.”

Por fim, deixou sua mensagem de encerramento: “Advogar não tem sido fácil, mas eu acho que a alegria está na caminhada… desejo uma boa viagem na advocacia a cada um de vocês. Sejam muito prósperos e bons honorários. Bem-vindos e bem-vindas!”

A cerimônia foi encerrada com sorteios de ingressos para a festa agostina da Subseção de Samambaia e bolsas de estudo oferecidas pela ESA/DF.

Confira o álbum de fotos desta cerimônia aqui

Veja a cerimônia desta manhão no canal oficial da OAB/DF no Youtube

Fotos: Alex Bandeira

Jornalismo OAB/DF

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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