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Palestra sobre masculinidades positivas encerra ações da Operação Mulher Segura em Sergipe

Publicado em: 06/03/2026 01:25

Evento realizado na Acadepol reuniu servidores e especialistas para discutir o papel dos homens na prevenção da violência contra a mulher

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM) realizaram, nesta quinta-feira, 5, na Academia de Polícia Civil (Acadepol), em Aracaju, a palestra “Masculinidades positivas e prevenção às violências baseadas no gênero”. A atividade marcou o encerramento das ações da Operação Mulher Segura 2026 em Sergipe e reuniu profissionais da segurança pública e representantes de diversas instituições para debater estratégias de prevenção à violência contra a mulher.

A exposição foi conduzida pelo historiador Luciano Ramos, especialista no tema das masculinidades e da prevenção à violência de gênero. Durante a palestra, ele destacou a importância de envolver homens e meninos nas ações de enfrentamento à violência baseada no gênero.

Segundo o palestrante, a mudança cultural necessária para reduzir os índices de violência passa necessariamente pela participação masculina no processo de transformação social. “A violência baseada em gênero, em geral, é praticada por homens. Se os homens são quem criam esse problema, eles também precisam ser parte fundamental da solução. É necessário trabalhar com meninos, jovens e homens para prevenir essas violências”, explicou.

Luciano Ramos ressaltou ainda que o enfrentamento da violência exige ações contínuas de educação e reeducação social. “Há um problema estrutural na forma como meninos e homens são educados, muitas vezes em contextos que naturalizam comportamentos machistas. Precisamos atuar desde a infância até a fase adulta, inclusive com homens que já cometeram violência, para evitar a reincidência e reduzir essa realidade que hoje pode ser considerada uma epidemia”, acrescentou.

A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, destacou a importância da parceria institucional para ampliar o debate e promover mudanças culturais. “A Secretaria de Políticas para as Mulheres se alia à Secretaria da Segurança Pública na Operação Mulher Segura para trazer os homens a refletirem sobre a violência contra a mulher e o enfrentamento dessa realidade que afeta toda a sociedade. Precisamos convocar os homens para compreenderem seu papel no combate a essa violência”, afirmou.

De acordo com a coordenadora estadual da Operação Mulher Segura e coordenadora operacional da Coordenadoria de Polícia Civil da Capital  (Cocpal), delegada Nalile Castro, a atividade integra as ações de conscientização promovidas no âmbito da operação nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Para a coordenadora operacional da Coordenadoria de Polícia de Atendimento a Grupos Vulneráveis (Cocpal) e coordenadora estadual da operação, delegada Nalile Castro, a proposta da atividade é ampliar o debate sobre o papel dos homens na prevenção da violência.

“A ideia é justamente direcionar esse debate também ao público masculino, para que haja uma reflexão sobre comportamentos e responsabilidades. Queremos que os homens se tornem protagonistas no enfrentamento à violência contra a mulher”, pontuou.

Resultados da operação em Sergipe

Entre os dias 19 de fevereiro e 5 de março, as forças de segurança pública de Sergipe atuaram de forma integrada na Operação Nacional Mulher Segura 2026, iniciativa que antecede as celebrações do Dia Internacional da Mulher. A ação reuniu a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE) e a Coordenadoria Geral de Perícias (Cogerp), em uma força-tarefa voltada ao enfrentamento da violência de gênero.

Cada instituição atuou em eixos específicos — preventivo, repressivo, de conscientização e técnico-científico. No âmbito da Polícia Civil, delegacias especializadas foram reforçadas para agilizar investigações e cumprir mandados judiciais contra agressores. A Polícia Militar intensificou o policiamento ostensivo e as ações da Ronda Maria da Penha em áreas consideradas sensíveis. Já o Corpo de Bombeiros Militar atuou no suporte e atendimento a vítimas de traumas físicos, enquanto a Cogerp garantiu prioridade na realização de exames periciais e na emissão de laudos relacionados a casos de violência contra a mulher.

Durante a operação em Sergipe, mais de 50 inquéritos policiais foram concluídos. Além disso, 25 agressores foram ouvidos e seis homens foram presos por descumprimento de medidas protetivas de urgência.

Fonte: Agência de Notícias do Estado de SE

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