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Moradores cobram soluções para problemas na Cidade Estrutural em audiência pública
Moradores cobram soluções para problemas na Cidade Estrutural em audiência pública
Comunidade relata problemas crônicos em áreas como saúde, educação, segurança e mobilidade; deputada Paula Belmonte destaca “dívida histórica” do poder público com a região
A Câmara Legislativa do DF realizou, nesta segunda-feira (22), audiência pública na Cidade Estrutural para discutir as deficiências de infraestrutura, segurança e saúde que afetam a região. A iniciativa, da deputada Paula Belmonte (PSDB), reuniu autoridades e moradores para tratar de temas como a regularização de áreas, a falta de escolas e o impacto social da instalação de hotéis sociais (albergues) na cidade.
Logo na abertura, Belmonte ressaltou o caráter histórico da região e a necessidade de mudança de perspectiva. A parlamentar destacou que, embora a Região Administrativa tenha evoluído em alguns aspectos, as políticas públicas ainda não acompanham o crescimento populacional. “Temos uma dívida com essa cidade. Essa cidade precisa, cada vez mais, de uma estrutura melhor para dar dignidade a essas pessoas”, pontuou.
Durante o encontro, moradores relataram dificuldades em áreas essenciais como educação, saúde, segurança e mobilidade. Carlos Augusto, morador do setor de chácaras Santa Luzia, criticou a precariedade das obras de regularização e cobrou mais serviços públicos. “Estão fazendo de qualquer jeito. Abre rua, não fecha, vira um lamaçal. E a gente precisa de mais escolas e creches”, disse. Ele também mencionou a dificuldade de acesso a vagas em creches e a lentidão na execução de projetos anunciados para a região.
Segurança e albergues
A área de segurança pública foi tema central. O vice-presidente do Conselho de Segurança (Conseg), Esaú Silva, afirmou que a cidade enfrenta problemas recorrentes e necessita de maior integração entre os órgãos e fiscalização contínua. Ele alertou para o avanço de ocupações irregulares e a necessidade de ações mais efetivas do poder público.
Um dos pontos mais críticos do debate foi a instalação de três albergues (hotéis sociais) na cidade, realizada, segundo participantes, sem consulta prévia à comunidade. Moradores relataram aumento da insegurança, episódios de violência e importunação, maior circulação de pessoas em situação de vulnerabilidade e sobrecarga dos serviços públicos, especialmente saúde e assistência social.
Também foi apontado que a cidade já enfrenta dificuldades estruturais e não teria capacidade para absorver a demanda adicional gerada pelos albergues, o que agravaria problemas existentes em vez de solucioná-los.
Moradores como Ítalo Silva e o professor do Instituto Quebradas, Patrício Almeida, relataram aumento da insegurança e impactos nos serviços públicos. “A comunidade merece respeito. A comunidade tinha que ser ouvida antes e ela não foi ouvida. Faltou respeito pela população, faltou transparência”, protestou Patrício Almeida.
Belmonte se comprometeu a questionar formalmente o processo. “Não tem como a gente colocar albergue sem a participação popular. Isso a gente vai ter que mudar”, declarou.
Educação e saúde
A situação da educação na Cidade Estrutural também foi alvo de críticas. O professor Carlos Augusto apontou que cerca de 60% a 70% do corpo docente na rede pública é composto por profissionais em contrato temporário, o que prejudica o vínculo com os estudantes. Paula Belmonte, que defende a educação como atividade essencial, criticou ainda a ausência de unidades suficientes na região.
Na área da saúde, a gerente da UBS da Estrutural, Ana Carolina Areia, relatou a sobrecarga das unidades. Com aproximadamente 42 mil pessoas cadastradas e apenas duas UBSs em funcionamento, a demanda chega a cerca de 800 atendimentos por dia, cenário agravado pelo atendimento a usuários dos albergues.
Já a agente comunitária de saúde Daniela chamou atenção para a sobrecarga dos serviços de saúde e a vulnerabilidade das famílias. “Para onde que a mãe da estrutural vai levar seu filho com febre à meia-noite?”, questionou, ao destacar a ausência de hospital ou unidade de pronto atendimento na região.
Infraestrutura viária
Também foram discutidas demandas relacionadas à mobilidade e ao ordenamento urbano, como a falta de sinalização na Avenida Luiz Estêvão e a situação do Parque Urbano, alvo frequente de vandalismo e ocupações irregulares.
O administrador regional, Ênio Lobo, informou que há medidas em andamento, como o projeto de revitalização da avenida, com reorganização do trânsito e instalação de sinalização, além de ações de fiscalização contra o descarte irregular de entulho.
Sobre o parque urbano, ele mencionou planos de cercamento, iluminação e implantação de equipamentos de lazer. Em relação aos albergues, explicou que a administração não define diretamente sua instalação, mas afirmou que está em curso uma readequação do modelo de atendimento. “A questão não é tirar os albergues, é atender melhor a comunidade e arrumar uma saída para que todos fiquem bem”, disse.
Encaminhamentos e compromissos
No final da audiência, Paula Belmonte informou que formalizará questionamentos ao governo do Distrito Federal (GDF) sobre a gestão dos albergues e a infraestrutura da região. A deputada reafirmou seu compromisso de fiscalizar e de acompanhar as demandas apresentadas.
A parlamentar também aceitou convite de moradores para realizar uma visita técnica à cidade, com o objetivo de acompanhar de perto os problemas relatados e buscar soluções junto aos órgãos competentes. A audiência pública está disponível na íntegra no YouTube da CLDF.
