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Histórias de quem achou no jiu-jitsu e na advocacia o seu caminho

Neste sábado (29), de manhã, 62 atletas da estreia do jiu-jitsu nas Olimpíadas de Integração dos Tribunais (OIT) se enfrentaram com muito respeito. Ali contaram suas histórias, compartilharam técnicas, incentivaram os competidores. Quem ganhou abraçou quem perdeu. As palmas foram para os dois. Algo que o esporte molda e revela: caráter.


O coordenador das OIT pela OAB/DF e presidente da Comissão de Networking, Entretenimento, Esporte e Lazer da Seccional, Jayzon Araújo, fez questão de aplaudir e agradecer a presença das mulheres na competição.


Ao lado de Jayzon, a secretária-geral da Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAADF), Graciela Slongo, uma das responsáveis pela preparação do café da manhã e pelos brindes que recepcionaram os atletas, deu as boas-vindas e reforçou a valorização das mulheres: “Sempre é uma honra receber todos e todas aqui. Como a gente fala na OAB, a gente prega muito essa questão da paridade, da participação das mulheres. Então, parabéns a vocês, lutadoras, competidoras”, disse Graciela.
A arbitragem


Esse primeiro campeonato de jiu-jitsu nas OIT 2026 contou com dois árbitros experientes e apaixonados pela prática. Robson Santos, 51, é árbitro internacional com passagens por campeonatos mundiais, pan-americanos e federações como CBJJ e ADCC, no Brasil e no exterior. O jiu-jitsu entrou na vida dele há 27 anos, no meio da faculdade de direito. “Acabou que o esporte se agregou a mim e eu me apaixonei”, conta. Faixa-preta grau 4, também é faixa-preta de caratê. Hoje treina duas a três vezes por semana e, quase todo fim de semana, está arbitrando. “O jiu-jitsu cresce — e, como ele cresce, a gente também cresce junto”, diz.


Alan Vicente, 37, árbitro auxiliar, contou que é faixa-preta há seis anos — mas treina desde os 13, “sem querer”. Ex-lutador profissional de MMA e faixa-preta de muay thai, diz que o jiu-jitsu veio antes de tudo na vida dele, inclusive da advocacia, que estuda hoje como estagiário no TJDF. “O jiu-jitsu me trouxe responsabilidade, trouxe uma nova família”, afirma. A filha mais nova tem 19 anos e treina também, lembrou, orgulhoso. Para Alan, a luta é ferramenta de formação: “A criança vai aprender a perder, porque nem todo dia você ganha. O resumo mais simples do jiu-jitsu é: onde o fraco pode ser forte.”
As mulheres do tatame


Duas medalhistas explicaram o que a modalidade representa para as mulheres. Alexandra Ascenção Vinagre, de 35 anos, policial legislativa do Senado, foi a primeira campeã da faixa-branca na estreia da modalidade nas OIT. Ela treina há dois anos, no mínimo três vezes por semana, e ficou “muito feliz de ter ganhado, treinando bastante”. Disse que “o jiu-jitsu é o esporte que mais se assemelha à defesa pessoal” — e por isso a prática também é preparo. “A gente sempre busca ter isonomia, um combate mais leal”, afirma.




Renatha Acatauassu Alves Correa, de 36 anos, faixa-marrom, chegou à luta por um caminho mais duro. Advogada, começou no jiu-jitsu depois de sofrer assédio no trabalho, quando era professora. Hoje dá cursos de autodefesa feminina. “O tatame também é um espaço de mulher. Nós, dentro do tatame, somos iguais”, afirma. “Lutar também é um ato político.”
A anfitriã atleta
Quem recebeu a competição também competiu. A presidente do Clube da Advocacia, Nylmara Soares, foi cumprimentar os competidores: “Foi uma honra receber esse primeiro campeonato aqui no Clube da Advocacia. Recebemos o futebol, recebemos o jiu-jitsu. No ano que vem, a gente já está se preparando também para receber”, disse. Dirigente do clube, ela também competiu na OIT: “Estava jogando beach tênis. Os jogos aconteceram no TCU e no Monte Líbano.”
Jornalismo OAB/DF