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Grupo Senzala celebra 40 anos de capoeira no DF e reúne mestres, alunos e convidados internacionais

Publicado em: 23/08/2026 13:12

Com mais de 6 mil alunos em diferentes países, grupo fundado por Mestre Amendoim mantém cerca de 460 praticantes em dez regiões do Distrito Federal e aposta na capoeira como instrumento de inclusão social

Quatro décadas de história foram celebradas ao som do berimbau, das palmas e das rodas de capoeira neste sábado (22), no Ginásio de Esportes do Cruzeiro. Mestres, professores, alunos e admiradores se reuniram para comemorar os 40 anos de atuação do Grupo Senzala de Capoeira no Distrito Federal, em um encontro que ultrapassou as fronteiras de Brasília e recebeu participantes de diferentes estados brasileiros, além de convidados de Trinidad e Tobago e da Venezuela.

Mais do que celebrar uma trajetória esportiva e cultural, o evento colocou em evidência uma dimensão que acompanha a capoeira há gerações: sua capacidade de criar vínculos, abrir oportunidades e atuar como instrumento de inclusão e transformação social.

No centro dessa história está Jorge Augusto Fernandes da Silva, o Mestre Amendoim, responsável pela implantação e consolidação do trabalho do Grupo Senzala em Brasília.

De Brasília para o mundo

A trajetória do grupo no Distrito Federal começou em 1986, depois de Mestre Amendoim buscar formação com Mestre Peixinho, no Rio de Janeiro. Quarenta anos depois, aquela iniciativa ganhou dimensões que dificilmente poderiam ser imaginadas no início da caminhada.

Atualmente, o Grupo Senzala reúne mais de 6 mil alunos espalhados por diferentes países, consolidando uma presença nacional e internacional construída a partir da transmissão dos conhecimentos, fundamentos e valores da capoeira.

No Distrito Federal, aproximadamente 460 praticantes participam das atividades promovidas pelos núcleos do grupo. O trabalho está presente no Itapoã, Paranoá, Estrutural, Samambaia, Taguatinga, Águas Claras, Planaltina, Sobradinho, Cruzeiro e Guará.

A distribuição dos núcleos por diferentes regiões administrativas também evidencia a dimensão comunitária alcançada pelo projeto ao longo das últimas quatro décadas.

Capoeira que chega às comunidades

Representando o Governo do Distrito Federal (GDF) na comemoração, o chefe executivo de Integração e Inovação Social do Palácio do Buriti, Fabrício Faleiro, destacou justamente o papel desempenhado pelos projetos sociais ligados à modalidade.

“Valorizo muito os projetos sociais, pois são eles que alcançam as pessoas que mais precisam”, afirmou.

Faleiro ressaltou a trajetória de Mestre Amendoim e os 40 anos dedicados não apenas à formação de capoeiristas, mas também ao desenvolvimento de iniciativas sociais em diferentes regiões do DF.

Para o representante do GDF, o esporte e as artes marciais podem desempenhar papel decisivo na transformação de vidas. Durante o evento, ele colocou o governo à disposição para apoiar projetos, buscar formas de tornar as iniciativas sustentáveis e incentivar a realização de novos eventos ligados à capoeira.

Muito além de uma prática esportiva

A dimensão preventiva e educativa da capoeira também foi destacada pelo coronel da Polícia Militar do Distrito Federal Marcos Alves, praticante da modalidade desde os 14 anos.

Para ele, a presença de grupos e projetos nas comunidades pode ajudar a afastar crianças e adolescentes da criminalidade ao oferecer espaços de convivência, disciplina, aprendizado e construção de referências positivas.

A prática também estimula valores como ética, respeito, responsabilidade e cuidado com a saúde, contribuindo para a formação dos jovens dentro e fora da roda.

Essa função social ajuda a explicar por que a história comemorada no Cruzeiro não pode ser medida apenas pelo número de alunos formados ou pelas quatro décadas transcorridas desde 1986. Ao manter núcleos em diferentes regiões do Distrito Federal e alcançar milhares de praticantes pelo mundo, o Grupo Senzala transformou a roda de capoeira também em espaço de educação, convivência e cidadania.

Quarenta anos depois, a roda continua

A presença de representantes de diferentes partes do Brasil e de outros países na celebração mostrou o alcance conquistado pelo trabalho iniciado por Mestre Amendoim em Brasília.

Da formação recebida com Mestre Peixinho no Rio de Janeiro aos atuais milhares de alunos espalhados pelo mundo, são 40 anos de uma história construída de geração em geração.

No Ginásio do Cruzeiro, a comemoração teve o simbolismo de uma grande roda: veteranos e jovens, brasileiros e estrangeiros, poder público e comunidade reunidos em torno de uma manifestação que combina luta, jogo, música, memória e resistência cultural.

A festa celebrou o passado, mas também apontou para o futuro. Depois de quatro décadas no Distrito Federal, o desafio do Grupo Senzala é continuar fazendo aquilo que marcou sua trajetória: formar novos capoeiristas e manter a roda girando, sobretudo onde a capoeira pode fazer a maior diferença.

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