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Ex-deputado Luís Miranda acusado de golpes e estelionato reaparece no DF mentindo de olho em 2026

Publicado em: 02/01/2026 12:25

Luís Miranda parece apostar em uma tese conhecida da política brasileira: a de que o eleitor tem memória curta. O ex-deputado federal, eleito pelo Distrito Federal em 2018 na esteira do bolsonarismo, voltou ao debate público atacando o deputado Fred Linhares com uma acusação que não se sustenta nem no próprio documento que ele exibe.
Em vídeo recente, Miranda afirma que Fred Linhares teria faltado 119 vezes às sessões da Câmara dos Deputados. O detalhe constrangedor é que o documento mostrado no vídeo aponta exatamente o contrário: 119 presenças e apenas duas faltas. Não se trata de interpretação subjetiva, mas de leitura básica de um relatório oficial.
Quando a narrativa desmente o próprio papel apresentado, não é erro técnico — é desinformação.
Da conveniência moral ao oportunismo político
A trajetória de Luís Miranda ajuda a entender o método. Eleito pelo DF em 2018 “caído de paraquedas” na onda bolsonarista, construiu mandato alinhado ao discurso que hoje finge combater. Em 2021, ao denunciar Jair Bolsonaro por prevaricação na CPI da Pandemia, foi alçado momentaneamente à condição de “paladino da moralidade”, rompendo com o mesmo campo político que o elegeu.
A denúncia foi relevante e legítima. Mas não apaga o restante do percurso — nem transforma incoerência em virtude permanente.
Em 2022, Miranda abandonou o eleitor do Distrito Federal, trocou de domicílio político e tentou a sorte em São Paulo. Perdeu. Agora retorna ao DF como se nada tivesse acontecido, apostando novamente em ataques fáceis, vídeos rasos e números manipulados.
Ataque sem fatos é ataque contra o eleitor.
Ao distorcer dados públicos para atacar um parlamentar em exercício, Luís Miranda não atinge apenas Fred Linhares — atinge a inteligência do eleitor. A crítica política é legítima. A falsificação de fatos, não.
A má qualidade do ataque revela mais sobre quem acusa do que sobre o acusado. Quando falta argumento, sobra encenação. Quando falta coerência, sobra grito.
Memória política não é descartável.
O Distrito Federal já demonstrou, em outras eleições, que sabe separar denúncia séria de oportunismo tardio. A tentativa de reescrever a própria biografia por meio de vídeos enganosos pode até gerar engajamento momentâneo, mas cobra um preço alto no médio prazo: a perda definitiva de credibilidade.

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