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Da tradição à inovação: Fazenda Vagafogo prepara sucessão para a terceira geração sem perder a essência
A cerca de 130 quilômetros de Goiânia e 150 quilômetros de Brasília, em Pirenópolis, no Centro-Leste de Goiás, entre trilhas preservadas, sabores do Cerrado e histórias acumuladas ao longo de cinco décadas, a Fazenda Vagafogo começa a escrever um novo capítulo: preparar a terceira geração para assumir a administração da reserva, processo conhecido como planejamento sucessório. Antes de chegar às formalidades jurídicas, a família decidiu compreender melhor o papel de cada integrante no negócio.
Para apoiar essa etapa, contratou uma consultoria de planejamento empresarial do Sebrae Goiás. O objetivo é organizar a gestão, esclarecer responsabilidades e preparar a continuidade do empreendimento entre gerações. O processo reúne fundadores, filhos e netos, e busca preservar a identidade de um negócio que, mesmo sem ser de grande porte, tornou-se referência em turismo de experiência e conservação ambiental no Brasil e na América Latina.

A história começou em 1975, quando Evandro Ayer, mineiro, e Catarina Schiffer, paulista, adquiriram a propriedade depois de viverem na Bélgica, retornarem ao Brasil e conhecerem Pirenópolis. Na fazenda nasceram Uirá e Maira. A família plantava, colhia e produzia alimentos regionais, mas logo esbarrou em uma pergunta decisiva. Para quem vender? A resposta veio com a comercialização em Brasília, trabalho realizado cotidianamente durante dez anos.
Com o tempo, a conservação do Cerrado passou a orientar a atividade econômica. A propriedade tornou-se a primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Brasil e recebeu apoio de organizações ambientais e do governo britânico. Pesquisas sobre fauna e flora, a elaboração do plano de manejo e a implantação de um centro de visitantes ajudaram a estruturar a experiência turística.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 19 de março de 1992. De binóculos nas mãos, o príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II e defensor de causas ambientais, percorreu a mata da Vagafogo durante uma visita a Pirenópolis. A presença do integrante da família real britânica na abertura da reserva deu projeção a uma iniciativa que ainda dava seus primeiros passos. Uma fotografia exposta no centro de visitantes mantém viva a lembrança daquele encontro.
Da segunda à terceira geração do negócio familiar
Maira estabeleceu-se em Londres, na Inglaterra. Uirá cresceu acompanhando os pais e quis permanecer na propriedade, assumindo gradualmente a administração. Aprendeu observando, participando das decisões e ajudando a transformar conservação, gastronomia e atendimento em uma experiência capaz de atrair visitantes e movimentar o turismo sustentável em Pirenópolis.

Agora, a família se prepara para uma nova travessia. Uirá tem três filhos: Rudah, de 26 anos; Eloah, de 20; e Mariah, de 16. Eles cresceram perto dos pais e dos avós e demonstram interesse em participar. Trabalham com entusiasmo, recebem pelas atividades realizadas e são tratados como integrantes da equipe. Permanecer, porém, é uma escolha. “Meus filhos não são obrigados a ficar na fazenda. Eles querem estar aqui e cresceram ajudando os pais e os avós, mas precisam ser preparados para assumir responsabilidades maiores”, afirma Uirá.
Em 2025, a família entendeu que a vontade dos jovens de construir a vida profissional no empreendimento exigia mais organização. Era preciso separar afeto e gestão, definir limites e evitar que as relações de parentesco tornassem confusas as cobranças do dia a dia. “Percebemos que era necessário diferenciar os papéis de filho, funcionário e sucessor antes que surgissem conflitos. O planejamento ajuda cada pessoa a entender seu lugar dentro da propriedade”, explica.

A consultoria contratada pela Fazenda Vagafogo não é um serviço específico de planejamento sucessório, mas oferece as bases para que esse processo ocorra da maneira mais natural possível. Segundo Lúcio Jablonski Junior, analista do Sebrae Goiás que atende a região de Pirenópolis, trata-se de uma consultoria de planejamento estratégico que incorpora a questão da sucessão naturalmente junto com a organização financeira, gestão de processos, definição de organograma, visão de longo prazo e outros pontos de necessidades identificadas no diagnóstico realizado por um especialista.
O relacionamento da família Ayer com o Sebrae Goiás atravessa anos de capacitações, Empretec e viagens técnicas. Se antes Uirá visitava outros territórios para aprender, hoje continua ampliando conhecimentos e também compartilha a experiência da Vagafogo, como no painel realizado em 23 de abril de 2026, durante o Transformar Juntos, no Centro Amazônico de Fronteiras da Universidade Federal de Roraima, em Boa Vista.

Jablonsk explica que o interesse pela consultoria partiu da família. Em seguida, foi realizado um diagnóstico inicial, que orientou a elaboração de uma proposta personalizada, aprovada posteriormente.O próximo passo é a execução, prevista para agosto deste ano. Serão 146 horas técnicas, sendo 70% do valor investido subsidiado pelo Sebrae Goiás. “O mais importante é mapear e entender o posicionamento de cada um dentro do negócio, dando, assim, subsídios para que a transição ocorra da maneira mais tranquila possível”, destaca Lúcio.
A leitura deverá alcançar a empresa, a equipe e as funções exercidas por cada integrante.Para Sérgio Monturil, gerente da Regional Centro-Leste do Sebrae Goiás, a experiência inspira outros negócios familiares. “A Vagafogo é um exemplo de que tradição e inovação podem caminhar juntas. O planejamento da gestão e a preparação das novas gerações são fundamentais para preservar a essência do empreendimento, garantir sua continuidade e manter sua contribuição para o turismo sustentável e o desenvolvimento de Pirenópolis.”

Na Vagafogo, preparar sucessores não significa entregar apenas patrimônio. Significa transmitir conhecimento, valores, a forma de receber quem chega e o zelo pelo meio ambiente. Uirá resume a essência do empreendimento em três pilares: atendimento, gastronomia e sustentabilidade. Eles deverão orientar as próximas gerações, mesmo com a chegada de novas ferramentas e ideias.
A divisão de responsabilidades revela diferentes talentos. Catarina continua na área financeira. Evandro dedica-se às plantas, às palestras e ao contato com os visitantes. Uirá responde pela administração. Os jovens pesquisam tecnologias e possibilidades de inovação, inclusive o uso da inteligência artificial, dentre outras atividades. A exemplo do pai e do irmão que já eram “empretecos”, Eloah participou do Empretec em 2026 na cidade, ampliando sua preparação pessoal para o empreendedorismo e a gestão.

“A sucessão precisa preservar a essência da Vagafogo, formada pelo atendimento, pela gastronomia e pela sustentabilidade”, reforça Uirá. Para ele, profissionalizar a gestão não significa apagar a espontaneidade que marcou a construção do negócio. Ao contrário: regras claras, capacitação e autonomia progressiva criam condições para que a nova geração inove sem romper com o propósito dos fundadores.
Planejar hoje para garantir o negócio de amanhã
O caso da Vagafogo lança luz sobre uma decisão que não deveria ser adiada até o afastamento do fundador ou uma situação de emergência. O planejamento sucessório começa com uma conversa: quem deseja permanecer? Quais competências precisam ser desenvolvidas? Como as decisões serão tomadas? Onde terminam as relações familiares e começam as responsabilidades profissionais?
São perguntas que exigem maturidade e que podem ser respondidas com o apoio de um facilitador externo. A passagem da gestão tende a ser mais segura quando ocorre aos poucos, com aprendizado e espaço para que o futuro sucessor assuma responsabilidades reais. Ser da família não substitui interesse, preparo ou capacidade de liderança. Uirá deixa uma mensagem importante aos empreendedores, principalmente para quem está começando. “Uma empresa pode crescer e o empresário não estar preparado para administrar esse crescimento. É preciso conhecer o negócio, buscar capacitação e aceitar orientação.”

Na propriedade que um dia recebeu um príncipe britânico interessado na preservação do Cerrado, o futuro agora é discutido em família e construído com método. Ao organizar a gestão antes que os conflitos apareçam, a família também busca preservar a harmonia entre seus integrantes. A Vagafogo pretende chegar à terceira geração mantendo viva a história iniciada por Evandro e Catarina.
“É emocionante ver nossos netos trabalhando em algo que um dia foi apenas um sonho nosso. Quando saímos do Brasil em busca de uma vida melhor, não imaginávamos que voltaríamos, construiríamos nossa história nesta fazenda e que, décadas depois, a terceira geração escolheria caminhar conosco. É como ver esse sonho continuar vivo pelas mãos deles,” afirma o casal.
SERVIÇO
Santuário Vagafogo
Day Use: experiências de turismo de natureza e gastronomia, com opções de trilha interpretativa, banho em piscinas naturais e brunch com produtos artesanais.
Funcionamento: todos os dias, das 9h às 16h.
Brunch: oferecido, mediante reserva, às 9h, 11h e 13h.
Local: Fazenda Vagafogo, Pirenópolis (GO)
Reservas: vagafogopiri.com.br
Instagram: @fazendavagafogo
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Centro-Leste | Anápolis: Agência Entremeios Comunicação / Leidiana Batista – (62) 9862-66155
Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.
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