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Clube da Advocacia inaugura Arena João Cândido em tarde de título e memória
Em final decidida pela Holanda, dirigentes da OAB/DF, CAADF e do Clube prestaram homenagens ao ex-presidente histórico

O placar de 2 a 1 garantiu ao time da Holanda o título do Campeonato Legends 2026 sobre a equipe do México neste sábado (20), dia que marca a inauguração oficial da Arena João Cândido, espaço esportivo batizado em homenagem a um dos dirigentes mais emblemáticos da história da Seccional, falecido em novembro passado, aos 78 anos.


Logo após o encerramento da partida, teve início a cerimônia em homenagem à memória do ex-presidente do Clube da Advocacia, João Cândido, que marcou a inauguração da arena que agora leva seu nome, consolidando a decisão do Conselho Pleno da OAB/DF de dezembro de 2025. Logo em seguida, houve a premiação das equipes.
Nos discursos da mesa de honra e nas falas sobre João Cândido nos intervalos da partida, muitas lembranças e bastidores emocionados resgataram a trajetória de um líder que, à sua maneira, personificou no clube o mesmo espírito de comunhão e respeito que Roberto Dinamite representou para o Vasco da Gama — clube de coração de João Cândido.


Raquel Cândido, diretora-tesoureira da OAB/DF e filha do homenageado, discursou em representação à família presente na cerimônia.
Primeiramente, Raquel fez os agradecimentos, parabenizando os vencedores do campeonato e todos os atletas que disputaram as partidas: “Quero começar agradecendo em nome da minha família, da minha irmã e da minha mãe, que não puderam estar aqui, mas que estão muito bem representadas pela minha tia Cândida, irmã do papai; pelo tio Felipe, cunhado do papai; pela tia Zeza, minha madrinha, irmã da mamãe; pela Ludi, filha e sobrinha amada do papai; e pelos meus filhos, Letícia e Leonardo. Então, em nome da minha família, a gente agradece muito a esse carinho.”
“Quero agradecer também ao meu amigo, meu irmão Poli, pela iniciativa desta homenagem; ao Conselho Pleno da OAB, que aprovou essa homenagem; ao meu amigo Délio, que sempre foi muito carinhoso com meu pai, a quem meu pai também amava profundamente; e ao Clube da Advocacia, nas pessoas da Nylmara e do Gustavo, pelo carinho e pelo respeito que sempre tiveram com meu pai”, prosseguiu Raquel.
A diretora-tesoureira da OAB/DF destacou os atletas Legends: “E vou fazer isso na pessoa do meu amigo Newton Rubens, nosso amigo e conselheiro federal, que sempre tratou o papai com uma deferência e um afeto enormes”.
Prosseguiu Raquel Cândido: “Viver sem o meu pai é um desafio diário. Não poder pegar o telefone para pedir uma opinião, não receber as mensagens que ele mandava sempre no WhatsApp, não ouvir suas observações sobre a vida, sobre o trabalho, sobre o futebol, ou as broncas que ele nos dava por causa da gestão da OAB, quando achava que não estávamos indo bem em alguma coisa… Tudo isso é muito desafiador. E em tempos de Copa, gente, vocês não têm noção da falta que ele faz”.
Mas existe algo que tem me confortado muito: a presença dele, que continua sendo imaterial, mas extremamente real. Ele está na voz que ainda escuto na minha cabeça, nas lembranças, nos sonhos em que ele me visita e, principalmente, nas diretrizes que ele nos deixou para enfrentar a vida. Como eu disse no dia da votação desta homenagem, meu pai não combinaria jamais com uma homenagem em busto de bronze e uma sala cheia de mármore. Isso não era o meu pai.
Mas tenho certeza de que, lá do céu, ele está muito feliz, porque o seu nome está eternizado num dos lugares que ele mais amava no mundo: o nosso ‘clubinho’, como ele carinhosamente o chamava.
E tudo começou com a Liga Pirata, e alguns aqui jogaram nela na década de 90.
Até que o presidente Safe Carneiro chamou meu pai e disse: ‘Joãozinho, vamos acabar com esse negócio de Liga Pirata. Vem para dentro da Ordem’.
E assim, o futebol passou a ter a cara do meu pai dentro da Ordem. Para o papai, o futebol nunca foi somente um esporte: era um instrumento de convivência, um meio de aproximar as pessoas, uma forma de criar amizades e de construir uma comunidade. Dentro de campo, para ele, todos eram, simplesmente, peladeiros.
Não importava título, posição econômica ou experiência: aqui todos eram iguais. Meu pai não fazia distinção entre o advogado do Plano ou da Subseção, o rico ou o pobre, o jovem ou o experiente. Ele queria todo mundo junto.
E existe uma história que talvez muitos de vocês não conheçam. Quando terminavam os jogos da seleção da OAB, não existia ainda o Russo, o Nilmar ou o Dinei para recolher e cuidar de tudo. Era o papai. Era ele quem recolhia os jogos completos de camisas, levava para casa e fazia questão de contar, cuidar e zelar pelo investimento do clube. Ele lavava tudo na máquina: ia lá, lavava, estendia no varal, recolhia e dobrava sozinho, contando um a um.
Era um gesto silencioso, um ato de serviço que talvez passasse despercebido por muitos, mas que dizia tudo sobre quem o papai era.
O papai era um líder nato. Às vezes, um líder firme; às vezes, exigente; mas sempre um líder que servia.
E acredito que esta é uma das maiores lições que ele nos deixou:
Liderar é servir.
Liderar é cuidar.
Liderar é cuidar do coletivo acima do próprio ego.
E talvez seja exatamente por isso que ele tenha sido tão querido, porque nunca usou a liderança para se colocar acima de ninguém, mas para aproximar as pessoas.
Por isso, quando se lembrarem de João Cândido, não se lembrem apenas do advogado, do dirigente ou do presidente do clube.
Lembrem-se do homem generoso, do sorriso largo, das tiradas bem-humoradas, das discussões apaixonadas sobre futebol —do homem que batia na mesa para resolver as disputas dos times, mas que colocava sua vida a serviço da advocacia por meio do que tanto amava, sem vaidade, sem ego e com muito amor.
É por isso que esta homenagem tem tanto significado para a nossa família, porque este lugar não representa apenas uma arena; representa tudo aquilo em que ele acreditava: convivência, amizade, pertencimento e comunidade.
Obrigada por permitirem que o nome de João Cândido permaneça para sempre onde o seu coração sempre esteve.”


Mais homenagens


O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, discursou vestindo a camisa do Vasco, assim como o neto do homenageado, Leonardo. “Nomear a Arena João Cândido é uma homenagem muito merecida, e fico feliz de estar aqui com os nossos ex-presidentes Adérito, Madruga e Georges. São pessoas que viram o quanto João Cândido foi essencial para consolidarmos este clube como um centro de convivência, de construção de amizades e de encontros”, disse Poli.
Segundo Poli, João Cândido acolhia as pessoas: “Eu sou um dos que foram acolhidos por ele, chegando aqui menino, franzino, sozinho, e já faz um tempo. Ele era uma pessoa de coração aberto, de acolher, de mostrar o caminho. Que nunca nos esqueçamos de que, se estamos hoje no clube, realizando um Campeonato Legends, desfrutando desta estrutura, isso é obra e graça de João Cândido. Ele agora está eternizado nesta arena, nesta estrutura onde ele vinha plantar árvores e cuidar do clube, sempre com um carinho enorme pelos funcionários. Todos aqui, até hoje, têm uma lembrança muito carinhosa dele”. Ao encerrar suas palavras, ele pediu uma salva de palmas para João Cândido.


O diretor-tesoureiro da OAB Nacional, Délio Lins e Silva Jr., enfatizou o caráter agregador do homenageado, apontando que “João Cândido tem uma história linda no Clube da Advocacia”. Ele acrescentou: “Era um ser humano sensacional, especial, diferenciado, e é mais do que merecida uma homenagem aqui no clube que ele tanto adorou. Certamente, todo mundo tem uma história para contar sobre o João Cândido. Falar do legado dele é fazer com que ele seja eterno!”.


O vice-presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Leonardo Rabelo, ressaltou o merecimento de João Cândido como dirigente do clube e como “homem, pai e advogado a serviço da Casa”.


Nylmara Soares, presidente do Clube da Advocacia, falou sobre o “exemplo a ser seguido”: “João participou de vários eventos aqui. Fizemos homenagens a ele em vida, na época em que o George Ferreira era presidente e na gestão de Igor Madruga. Ele ficou muito feliz nessas ocasiões. Agora, homenageamo-lo com o nome da arena, tendo claro que ele foi e é um exemplo a ser seguido, principalmente por mim, como presidente do clube. Ele tinha uma paixão pelo clube, e é essa paixão que eu carrego também”, declarou. Para Nylmara, ter a oportunidade de receber a amiga Raquel Cândido, filha de João, e sua família foi um momento de grande emoção e honra.
Nathalia Waldow, diretora de Comissões, disse considerar “maravilhoso” que os profissionais da advocacia possam se reunir fora do ambiente de trabalho, ter momentos de descontração e falar sobre outros assuntos que não sejam seus problemas ou processos, destacando que essa integração com o esporte promove encontros e confraternizações. Tudo isso traz a lembrança de João Cândido: “É muito justa a homenagem a ele com o nome da arena, pois ele se doou tanto à OAB e a este clube, ajudando a construir tudo isso. E vemos agora a Raquel, filha dele, aqui presente, ela que também vem contribuindo muito para a construção de uma OAB plural, uma OAB que vai além do cumprimento de prazos. É importante trazer o lazer e a felicidade para a advocacia, e o João Cândido começou com isso lá atrás”.
O vice-presidente do Clube da Advocacia, Gustavo Suhet, que foi o capitão do time campeão da Holanda, encerrou os discursos da mesa de homenagem a João Cândido reverenciando o seu legado e expressando a satisfação de, mais uma vez, organizar o Campeonato Legends. Ele agradeceu a todos “pela presença, pelo prestígio ao campeonato e pela inauguração da Arena João Cândido”. Dirigiu-se, especialmente, aos funcionários que, nos bastidores, “fazem tudo isso acontecer”.
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Fotos: Roberto Rodrigues
Jornalismo OAB/DF
