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Violência contra a mulher: guia do TJDFT orienta como identificar o início de um ciclo

Publicado em: 19/05/2026 11:07

A violência contra a mulher, no contexto doméstico e familiar, configura-se como um fenômeno complexo, contínuo e progressivo, que raramente ocorre de forma isolada. Em geral, manifesta-se por meio de um padrão repetitivo conhecido como ciclo da violência. 

Esse ciclo é estruturado, de modo geral, em três fases principais. A primeira caracteriza-se pelo aumento da tensão no relacionamento, com crescimento do número de conflitos, comportamentos de controle exacerbados, discussões agressivas, marcadas por insultos, humilhações e intimidações, além de demonstrações exageradas de ciúmes. 

Na etapa seguinte, esses comportamentos evoluem para agressões físicas e/ou sexuais. 

A terceira fase é marcada pelo arrependimento do agressor, que passa a fazer pedidos de perdão e promessas de mudança. Nesse momento, é comum o casal vivenciar uma nova “lua de mel”, com declarações de amor e manifestações de felicidade. Muitas mulheres chegam a se sentir culpadas pelos episódios de tensão vivenciados anteriormente. 

Contudo, essa fase é temporária e se encerra com o reinício do ciclo, que pode se apresentar ainda mais violento. 

Compreender o ciclo da violência é um passo decisivo para rompê-lo

Para que esse processo se perpetue, é comum que o agressor busque enfraquecer a rede de apoio da mulher, afastando-a do convívio familiar e social, além de fazer ameaças. Ele passa a exercer controle excessivo sobre seus atos e comportamentos, impondo uma dinâmica de dominação e obediência, semelhante à violência psicológica descrita na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). 

Reconhecer os sinais de alerta é fundamental para interromper esse ciclo. Medo constante, perda de autonomia, isolamento social, controle excessivo e desvalorização frequente são indícios que exigem atenção. Muitos agressores ainda ameaçam suas vítimas com o rompimento da relação ou até mesmo com a possibilidade de tirar a própria vida, o que intensifica sentimentos de culpa e fragilidade na mulher. Tais comportamentos ampliam a dependência emocional da vítima e dificultam a ruptura da situação, expondo-a a riscos ainda maiores. 

A informação constitui uma ferramenta essencial para prevenir e enfrentar essas situações. A relação abusiva de hoje pode resultar no feminicídio de amanhã. O rompimento do ciclo exige reconhecimento precoce, apoio estruturado e a adoção de medidas de proteção eficazes. 

Guia Prático 

Criado com o objetivo de contribuir de forma concreta para o enfrentamento da violência contra a mulher, o guia surgiu a partir do olhar atento do Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuatmu) da Ouvidoria do Tribunal, diante do aumento dos casos de violência. 

O material aborda temas como desigualdade de gênero, diferentes tipos de violência, ciclo da violência, medidas de prevenção, orientações de segurança e os serviços de proteção disponíveis para a mulher, entre outros conteúdos relevantes. 

Para conhecer o  conteúdo completo  do Guia Prático de Enfrentamento da Violência contra a Mulher, acesse o pdf ou a versão em áudio.   

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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