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Startup goiana une pesquisa, ciência e tecnologia e transforma produtos do Cerrado em cosméticos

Publicado em: 14/10/2026 12:09

Produtos da Nanoterra são naturais e veganos

Com apenas 33 anos, a goiana Iara Mendes é a cofundadora e CEO/CTO da Nanoterra, uma biotech desenvolvedora e fabricante de matérias-primas para cosméticos à base de ingredientes naturais. Graduada em biotecnologia e doutorada em inovação farmacêutica, pela UFG, sempre teve em conta a questão ambiental e vontade de transformar as suas pesquisas em soluções concretas. “Queria que meu trabalho não ficasse só no âmbito acadêmico, tinha vontade também de valorizar as riquezas da biodiversidade do Cerrado e levá-las para a sociedade”, explica Iara.

“Ainda estava perdida, sem saber a que me dedicar realmente, quando a minha mãe, que havia assistido a uma reportagem na TV sobre uma empresa de cosméticos para pele madura, sugeriu que eu fizesse o mesmo”, relembra. Ela seguiu o conselho materno, foi atrás de informações e descobriu que o Brasil é o terceiro consumidor de cosméticos no mundo e o segundo que mais lança produtos cosméticos. Tinha encontrado o caminho que desenharia a sua jornada de êxito.

Ao decidir com qual espécie botânica trabalhar, lembrou do açafrão-da-terra e de suas propriedades anti-inflamatória, antioxidante e antimicrobiana. “Sabia que não existiam produtos que o usasse, já que mancha muito e tem um forte odor. Eram questões a serem resolvidas e isso poderia ser feito através da nanotecnologia”, comenta. Decidiu fazer mestrado nessa área e nos dois anos de estudos para a obtenção do título, conseguiu desenvolver uma nanopartícula polimérica de quitosana com extrato de cúrcuma e funcionou, já não manchava e ficava estável. Mas como a quitosana provém de crustáceos, o resultado abalava os princípios da pesquisadora, vegetariana desde os 13 anos de idade. “Havia dois problemas: o produto não era vegano e o processo produtivo não era escalável devido à necessidade de equipamentos muito caros e da alta demanda energética, inviável financeiramente”, esclarece.

Mais uma vez, a saída foi procurar recorrer ao conhecimento. Fez doutorado com orientação a distância e acessava a infraestrutura laboratorial da UFG, assim conseguiu desenvolver, num período de cinco anos, a solução perfeita: já não seriam mais necessários equipamentos caros e o novo método permitia reduzir o gasto com energia, uma técnica 89% mais econômica, mais rápida e a produção poderia acontecer em larga escala, em um processo inovador de produção de nanopartículas.

Iara Mendes com o sócio Joaquim Araújo na frente de um pequizeiro

Em 2020, conheceu o seu sócio Joaquim Araújo, especialista em marketing, e juntos analisaram o mercado. “Descobrimos que se produzíssemos cosméticos teríamos que competir com mais de 3 mil fabricantes no país que atuavam no ramo. Então optamos por produzir a matéria-prima nanotecnológica e vendê-la para essas empresas”, afirma Iara, cuja decisão significava menor concorrência e menos etapas regulatórias. Focaram, então, apenas em desenvolver o nanoativo e de 2022 a 2025 concluíram todos os testes. “Agora, já temos uma empresa comercializando uma linha de cosméticos contendo o NanoCurcuma. É a Tulípia Cosméticos, com os produtos da linha ProSkin Repair”, celebra Iara.

Nanoterra participou de feira em Hannover Messe, Alemanha, em 2026, via Apex e Sebrae

Sebrae

Iara admite que como pesquisadora científica, nada entendia sobre como transformar o que tinha em mãos em um negócio viável. No Sebrae, os sócios encontraram apoio para elaborar o modelo de negócio, entender a parte financeira de uma empresa e conhecer as necessidades do cliente. “Foi o Sebrae que nos ensinou, nos mostrou a internacionalização como possibilidade, nos proporcionou reconhecimento com premiações e nos conduziu a experiências em eventos no exterior”, revela. Em 2024, a Nanoterra participou do Web Summit em Lisboa e, em 2026, ganhou destaque ao participar da Hannover Messe 2026, na Alemanha. “Não somente participamos da comitiva, mas expusemos lançando o novo produto NanoPequi, nanoativo a base da casca do pequi que tem propriedades antioxidantes e FPS booster”, destaca. A pesquisadora, também, conquistou o 1º lugar na categoria Ciência e Tecnologia na etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026, com o trabalho da biotech no desenvolvimento de nanoativos sustentáveis.

Para Iara e o sócio, o futuro é agora. No momento, a Nanoterra se dedica a estudar as possibilidades do pequi, mais uma riqueza da região que tem grande potencial. A empresa conta, hoje, com os dois sócios e uma equipe formada por oito pesquisadores bolsistas e a sede própria não é mais um sonho. “O nosso parque fabril já está em processo de construção. Nunca paramos de experimentar e de buscar a criação de novos produtos que valorizam nossos recursos naturais. A natureza é rica e nossa curiosidade, interesse e vontade nos faz nunca querer parar essa busca”, declara Iara, que recentemente foi nomeada conselheira do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), por indicação do Sebrae, provando mais uma vez que ciência e negócios podem evoluir paralelamente. “Queremos a floresta em pé, aproveitando a biodiversidade de forma sustentável”, conclui.

Nanoterra

Instagram: @nanoterra.br

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106

Na Regional Central | Goiânia: Agência Entremeios Comunicação / Adrianne Vitoreli – (62) 98144-2178

Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.

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Fonte: Agência de Notícias do Estado de GO

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