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Soluções de biotecnologia apresentadas na Expoagro passam a integrar a rotina dos pequenos pecuaristas

Publicado em: 02/11/2026 09:34

Quem percorre os pavilhões da Expoagro encontra o que há de mais moderno na pecuária nacional. Leilões movimentados, julgamento de raças nobres e animais de elevado valor genético fazem da feira a maior vitrine tecnológica do segmento no estado. Por muito tempo, os pequenos pecuaristas que frequentavam o evento assistiam a tudo como um sonho distante, que só era realidade para quem tinha alta capacidade de investimento.

Mas este cenário está se transformando. As técnicas avançadas de reprodução animal não são mais privilégio das grandes fazendas e já fazem parte do cotidiano dos pequenos pecuaristas. Por meio de ações e projetos do Sebrae Alagoas, inovações como a fertilização in vitro (FIV), antes acessíveis apenas aos maiores pecuaristas, hoje ajudam a transformar a vida de famílias que vivem da atividade rural.

O alto custo e a falta de preparo técnico sempre inviabilizaram o acesso dos pequenos produtores às tecnologias de reprodução animal, que dependem da contratação de especialistas e da aquisição de material genético, entre outros. Mas, com a subvenção financeira do Sebraetec aliada a assistência técnica continuada nas propriedades rurais, a realidade está mudando.

Para o pequeno produtor, a biotecnologia representa um atalho de décadas no melhoramento do rebanho, aumentando a produção leiteira. Para o analista do Sebrae Alagoas e engenheiro agrônomo Marcos Fontes, o processo transfere a genética dos melhores animais para os currais das propriedades familiares.

“A Fertilização In Vitro funciona como um verdadeiro salto no tempo no campo. Em vez de esperar décadas para melhorar o rebanho, nós multiplicamos os melhores genes em alta velocidade: coletamos os óvulos das vacas doadoras de alto valor genético e, em laboratório, fertilizamos esses óvulos com sêmen sexado de touros provados internacionalmente para garantir o nascimento de fêmeas. Esse embrião é implantado na vaca comum do pequeno produtor, que atua como receptora, popularmente conhecida como ‘barriga de aluguel’. O resultado é o nascimento de uma bezerra de alta linhagem leiteira em uma propriedade familiar que, pelos métodos tradicionais, levaria de 15 a 20 anos para alcançar esse nível genético”, explica.

Para isso acontecer, o Sebrae Alagoas estruturou um processo composto por quatro passos. O primeiro deles é a subvenção financeira pelo Sebraetec, que custeia de 70% a 80% de todos os investimentos necessários, desde o mapeamento genético à transferência do embrião. O segundo é a preparação da propriedade, na qual consultores ajustam a nutrição e a sincronização do cio das vacas receptoras para garantir alta taxa de prenhez.

Em seguida vem o direcionamento genético. de acordo com Marcos Fontes, são priorizados acasalamentos na raça Girolando, pela adaptabilidade ao clima tropical e alta produtividade. E, para garantir que todo o processo transcorra com sucesso, o acompanhamento técnico é essencial em todas as etapas.

Rentabilidade depende também da gestão empresarial

Ter animais de elevado potencial genético e produção de leite elevada não faz milagre sem organização gerencial. A propriedade precisa ser administrada como uma empresa, com controle de custos, estratégias e planejamento. Com a indústria de laticínios em expansão, a necessidade de profissionalização é urgente.

“A boa genética sozinha não faz milagre sem uma gestão eficiente. A fazenda é uma empresa e precisa ser gerida como tal. Por isso, a grande virada de chave do Sebrae é preparar o produtor de ponta a ponta. Começamos pelo planejamento por metas e pelo planejamento forrageiro para calcular a reserva de alimento para o ano todo, seja palma, capim ou silagem de milho. Isso é fundamental porque a alimentação representa de 60% a 70% do custo do leite. Além disso, ajustamos o manejo reprodutivo para que cada vaca dê um bezerro por ano e ensinamos o produtor a coletar os dados zootécnicos, receitas e despesas para obter os indicadores na palma da mão para tomar as decisões certas”, aponta o analista.

Marcos Fontes afirma que, com o apoio da instituição de ponta a ponta, os impactos na rotina e nas finanças da propriedade rural são visíveis. A aceleração genética reduz o tempo de evolução do rebanho de 20 anos para apenas 3 a 5 anos. As novilhas geradas via FIV pelos projetos do Sebrae alcançaram médias superiores a 20 litros por dia já na primeira lactação, e muitas conseguem produzir mais de 30 litros diários.

Com a utilização do sêmen sexado, garante-se que pelo menos 85% serão de fêmeas, facilitando a construção de um rebanho de alto valor comercial. Além disso, o uso do solo é otimizado, reduzindo o gasto com ração. A eficiência desse conjunto de ações consegue multiplicar a rentabilidade da propriedade rural, garantindo sustentabilidade econômica e estimulando os jovens a darem continuidade ao trabalho da família no campo.

A Expoagro consolida as conquistas do agronegócio alagoano, mas hoje reflete uma transformação que vai muito além dos leilões de elite. Ao democratizar o acesso à biotecnologia e à gestão eficiente, o Sebrae Alagoas diminui a distância entre pequenos e grandes produtores, mostrando que as inovações podem e devem estar ao alcance de todos.

Fonte: Agência de Notícias do Estado de AL

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