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Sebrae Goiás participa com paineis do Fórum Brasileiro de DeepTechs
O Sebrae Goiás esteve presente no Fórum Brasileiro de DeepTechs, com o tema“Ciência, Políticas Públicas e Tecnologias do Futuro”, nos dias 9 e 10 de setembro. O evento ocorreu no Hub Goiás, faz parte de uma jornada que tem percorrido o país em 2026 e reuniu o ecossistema de Goiás com a participação de empreendedores científicos e pesquisadores. O encontro abordou as barreiras e desafios enfrentados para inovar no ecossistema, a forma que o ecossistema vê o tema e por fim, sobre o fomento e financiamento, passando pela importância de políticas públicas específicas voltadas ao fortalecimento das deep techs.
Na abertura, Lucas Lima, presidente da Wylinka, idealizadora do evento, destacou a importância do Fórum como espaço de articulação e construção coletiva para fortalecer o empreendedorismo científico e os ecossistemas de inovação no Brasil. “A Wylinka atua há 13 anos no desenvolvimento e na execução de programas de inovação e, nos últimos quatro anos, consolidou o Fórum como uma de suas principais iniciativas para promover a conexão entre diferentes ecossistemas”, disse.
Lucas ressaltou que a proposta é respeitar as características e vocações de cada região, reunindo pesquisadores, empreendedores, instituições e demais atores para discutir desafios, oportunidades e políticas públicas voltadas à inovação. “A participação dos integrantes dos ecossistemas é fundamental para transformar os debates do Fórum em contribuições concretas para o desenvolvimento da inovação no país”, reiterou.

Por sua vez, Karol Fernandes, gerente do Hub Goiás e anfitriã do fórum salientou a importância de o espaço sediar, pela primeira vez, uma edição do Fórum na região Centro-Oeste. “A realização do evento no Hub Goiás reforça o papel de Goiânia como referência regional em inovação e amplia a conexão do ecossistema goiano com iniciativas e referências nacionais e internacionais”, salientou. Para a gerente, a realização do Fórum vai ao encontro da missão do Hub de promover conexões e estimular debates sobre temas estratégicos para o desenvolvimento da inovação no país.
A palestra master, que foi um bate papo com Rodolfo Ribeiro, da Wylinka, contou com a participação do fundador do CEIA/UFG, Anderson Soares. Ele compartilhou a jornada em que destacou que a evolução da inteligência artificial está diretamente relacionada ao avanço das tecnologias de processamento de diferentes tipos de dados. Segundo ele, a partir de 2012, a visão computacional ganhou força, ampliando aplicações como biometria e veículos autônomos. A partir de 2017, o processamento de textos e áudios também avançou significativamente.
Para o professor, essas novas tecnologias surgem inicialmente na pesquisa científica e podem representar oportunidades para empreendedores que se posicionarem de forma pioneira. Anderson também defendeu uma maior aproximação entre universidades e iniciativa privada como forma de ampliar os recursos destinados à pesquisa e à inovação.
Pesquisas e negócios de impacto
Os debates foram organizados em painéis como “Da Ciência ao Mercado”, voltado à transformação de pesquisas em negócios de impacto; “Removendo Barreiras para Inovar”, sobre políticas públicas, articulação institucional e ambiente de inovação; e “Capital para Mudar o Mundo”, dedicado às alternativas de recursos, investimento e financiamento para empresas de base científica e tecnológica.
A participação do Sebrae Goiás reforçou a atuação da instituição no apoio a negócios inovadores e na articulação de atores capazes de criar condições mais favoráveis para que conhecimento científico e tecnológico se transforme em soluções, empresas e oportunidades de desenvolvimento econômico.
O painel: “Da Ciência ao Mercado”, foi mediado pela Gestora de inovação do Sebrae Goiás, Ivana Xavier. Iara Mendes, fundadora da Nanoterra; Gabriel Urzeda, fundador da Bússola Fiscal; e Raimundo Lima, fundador da BioUs Biotech, compartilharam suas experiências com seus negócios ao pontuarem em que momento perceberam que não tinham apenas uma pesquisa, mas em algo que poderiam transformar em um negócio.

Raimundo Lima, ex-professor universitário e pesquisador na área de biologia molecular, contou que a pandemia foi um momento decisivo para transformar sua experiência acadêmica em uma oportunidade de mercado. “Entendemos que essa oportunidade que é comum aqui em qualquer lugar do mundo se tornou então uma chave uma virada para que pudéssemos aproveitar isso com oportunidade. Buscamos a biotecnologia antes da ciência básica. Levar isso o maior desafio é poder levar isso para os produtores rurais como um todo”, contou.
Diante das dificuldades, Raimundo disse que a equipe estudou o mercado e buscou apoio para transformar a pesquisa científica em uma solução capaz de chegar efetivamente ao produtor. Já Gabriel contou que costuma trabalhar a partir de problemas e dificuldades apresentados por diferentes empresas. “O professor Anderson e outros professores do CEIA sempre nos estimularam a não enxergar essas demandas apenas como problemas isolados de uma única empresa, mas a identificar se existe uma dor maior no mercado”, disse.
Ele citou o exemplo de um projeto desenvolvido a partir de uma dificuldade enfrentada por uma empresa de Minas Gerais, que estava há cerca de dez anos no mercado, mas encontrava limitações para ampliar seu faturamento. “A pesquisa estava direcionada exclusivamente à solução daquele problema. No entanto, ao aprofundarmos a análise do mercado, identificamos que outras empresas enfrentavam dificuldades semelhantes”, explicou Gabriel, fundador da Bússola Fiscal.
“Ao perceber que não fazia sentido desenvolver uma solução restrita a uma única empresa, a proposta passou a ser compreender aquela dor de forma mais ampla e buscar uma solução que pudesse atender outras empresas e gerar valor para um número maior de pessoas”, pontuou
Para Gabriel, “essa foi a nossa virada de chave: deixar de fazer uma pesquisa focada exclusivamente em uma empresa e ampliar o olhar para o mercado, identificando problemas recorrentes e transformando-os em oportunidades para desenvolver soluções que possam ser aplicadas em diferentes negócios”, afirmou.
Por sua vez, Iara explicou que, Iara contou que sua trajetória na pesquisa científica foi diferente por já ter, desde a graduação, uma visão voltada à criação de soluções para problemas do mercado. Segundo ela, sempre buscou transformar o conhecimento produzido na academia em produtos e iniciativas capazes de gerar impacto direto na sociedade.
Durante o mestrado e o doutorado, passou a estruturar essa visão de forma mais prática, chegando à universidade com a proposta de desenvolver um produto que pudesse ser aplicado no mercado. “Eu vi um caminho diferente, porque o tradicional na academia. Já cheguei com o projeto pronto”, disse. Iara ressaltou que essa postura também representou um desafio dentro da academia, já que precisou adaptar seu projeto e buscar caminhos para conciliar a pesquisa científica com a criação de uma solução aplicável e comercializável.

Emília Rosângela Pires da Silva Franco, analista do Núcleo de Inovação do Sebrae Goiás, na condução do painel, pontuou que atua desde 2004 no ecossistema de inovação e acompanha empresas de base tecnológica e startups. “Muitas nasceram e morreram. As empresas não avançavam por falta de conhecimento dos próprios empreendedores, mas também pela falta de recursos e de incentivo. Hoje, eu sinto que nosso ecossistema está bem mais preparado”, assinalou.
Já Cíntia Amorim, diretora de Inovação e Negócios da Fundação de Desenvolvimento de Tecnópolis (Funtec), ressaltou a importância de garantir recursos para as diferentes etapas da jornada de desenvolvimento das empresas de base tecnológica. Segundo Cíntia, o ecossistema goiano já conta com mecanismos de apoio que acompanham os empreendedores desde a fase de ideação até a busca por investimentos mais estruturados. “A jornada da inovação, quando se fala de recurso, acontece dentro do ecossistema goiano”, afirmou.
A diretora explicou que esse processo começa nas incubadoras, em parceria com universidades, e passa por programas de fomento e instituições como Fapeg, Finep e a própria FunTech, que atua no apoio às incubadoras e no acesso a capital semente.
Para Cintia, o financiamento precisa acompanhar a complexidade e o tempo de maturação dos negócios de base tecnológica e lembrou que pesquisas e empreendimentos desse segmento podem levar de 10 a 20 anos para alcançar resultados e começar a gerar faturamento. “Para chegar a uma solução que dê certo, principalmente para as empresas de base tecnológica, é preciso ter políticas de Estado”, ressaltou.
Por fim, Cíntia assinalou que os investimentos atualmente são fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias que poderão gerar impactos futuros em diferentes setores como inteligência artificial e pesquisas aplicadas ao agronegócio, especialmente relevantes para a realidade econômica de Goiás. “É esse tipo de empresa, é esse tipo de pesquisa, que vai dar luz para várias soluções que acontecem nos dias de hoje”, afirmou.
Por sua vez, Thaís Macieira, gerente do Departamento de Desenvolvimento Tecnológico e Subvenção Descentralizada (DDTS) da Finep, contou que há cerca de 10 anos, quando a fundação se propôs a fomentar ideias inovadoras, buscou pelas incubadoras para auxiliar nesse propósito. “Lançamos editais à época para capital semente. Eram propostas que surgiam dentro dos centros acadêmicos e procuravam as incubadoras em busca de recursos para validar a ideia. Eram recursos pequenos, de R$ 10 mil ou R$ 20 mil”, contou.
Segundo Thaís, eram projetos em diversas áreas e que deram certo, como em biotecnologia, cosméticos e soluções ambientais. Apesar de não soltarem mais editais, o recurso fica disponível para que incubadoras acessem por meio de universidades e pró-reitorias. Além disso, a Finep, em Goiás, disponibiliza bolsa de pesquisa ou para iniciação científica, para testar essas ideias. Thaís destaca a importância de consultorias quando se trata de empresas maiores, para que seja possível compreender a necessidade de cada uma delas.
O diretor do Polo de Inovação e Unidade Embrapii do IFGoiano, Gustavo Castoldi, explicou sobre o modelo adotado para atender projetos que tenham passado pela etapa de laboratório e que já tenham acessado recursos, com estrutura mínima, quando faltam recursos. “Ela pode contar com a Embrapii para acessar a estrutura dessas instituições com embasamento maduro para receber recursos para esse projeto. As pequenas contam com apoio do Sebrae, que é uma oportunidade fantástica para elas. Nesse modelo, consegue ter recursos subsidiados via Embrapii, Sebrae e unidades parceiras. É um modelo ágil”, pontuou.
Oficina colaborativa
No dia 10 de setembro, o trabalho teve continuidade com o Deep Tech Policy Lab, oficina colaborativa criada para aprofundar as discussões realizadas durante o Fórum e transformá-las em desafios prioritários, oportunidades e recomendações concretas para o fortalecimento das deep techs. Durante a manhã, representantes do ecossistema de inovação trabalharam de forma colaborativa a partir dos mesmos três eixos debatidos no dia anterior. A proposta foi avançar do diagnóstico para a construção de caminhos práticos capazes de contribuir para um ambiente mais favorável ao empreendedorismo científico no Brasil.
Entre os temas discutidos estiveram os desafios enfrentados por pesquisadores e empreendedores na transferência de tecnologia e na chegada ao mercado, os entraves institucionais e regulatórios que dificultam a inovação e as alternativas para ampliar a disponibilidade de capital adequado ao perfil das deep techs, que normalmente apresentam ciclos mais longos de pesquisa, desenvolvimento e validação tecnológica.
O Sebrae Goiás também esteve presente no Policy Lab, evento que contribui para a construção coletiva das propostas e para o debate sobre mecanismos de apoio capazes de acelerar o desenvolvimento de empresas intensivas em conhecimento e tecnologia. As contribuições levantadas na edição de Goiânia serão sistematizadas e integradas aos resultados dos demais encontros regionais realizados ao longo da jornada nacional do Fórum Brasileiro de Deep Techs 2026. O conjunto de discussões deverá subsidiar estudos e recomendações consolidadas nacionalmente pela iniciativa.

Para o Sebrae Goiás, a presença nas duas agendas também representa uma oportunidade de aproximar o empreendedorismo científico das estruturas de apoio aos pequenos negócios e fortalecer conexões entre universidades, centros de pesquisa, empreendedores, investidores, poder público e demais instituições do ecossistema.
O Fórum Brasileiro de Deep Techs é uma iniciativa da Wylinka, que reúne lideranças do ecossistema de empreendedorismo científico para discutir desafios e oportunidades relacionados ao desenvolvimento das deep techs no Brasil. A jornada nacional combina debates, articulação entre diferentes atores e oficinas colaborativas para a formulação de recomendações que contribuam para o fortalecimento do setor.
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Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
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