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Primavera revela refúgio verde no coração de Cuiabá

Publicado em: 15/10/2026 15:47

Quando a primeira chuva, depois de meses de estiagem chega a Cuiabá, a paisagem muda. No Centro de Eventos do Pantanal (CEP), árvores como angico, jatobá, lixeira e cumbaru brotam novas folhas; enquanto ipês, marmeladas e gonçaleiros entram em período de floração. A mudança também movimenta a fauna: aves retomam a construção de ninhos, os insetos encontram mais alimento e mamíferos entram em período de reprodução.

Dos 14 hectares do CEP, cinco são de vegetação preservada, que contribui significativamente para o equilíbrio ambiental de uma das capitais mais quentes do país: Cuiabá. A área é uma reserva urbana de transição dos três biomas presentes em Mato Grosso: Amazônico, Cerrado e Pantanal.

“Em uma cidade como Cuiabá, que enfrenta temperaturas muito altas durante boa parte do ano, preservar uma área como essa tem uma importância que vai além da paisagem. É uma forma de proteger a biodiversidade e contribuir para um ambiente urbano mais equilibrado, menos quente e mais úmido também. Isso mostra que estamos pensando em toda uma cadeia que vai desde a consciência ambiental, à realização de eventos de grande impacto econômico”, destaca o gerente do CEP, Charles Padilha.

Vida silvestre

A área funciona como refúgio para espécies que encontram água, alimento e tranquilidade. Já foram observados capivaras, cachorros-do-mato, guaxinins, tamanduás-bandeira e veados-mateiros. Entre as aves estão araras, curicacas, urutaus, patos silvestres, bem-te-vis, joões-de-barro, tucanos e periquitos. Também há registros de teiús, calangos, algumas serpentes não peçonhentas, abelhas nativas sem ferrão e mais de 20 espécies de borboletas.

Segundo Aureliano Pinheiro, analista Técnico do Sebrae/MT, a terra é outro elemento importante para o funcionamento desse ambiente. “O solo do Cerrado é como uma esponja. Na chuva, ele segura a água e evita que ela vá toda de uma vez para o asfalto e cause alagamento na Avenida. Na seca, ele libera essa água devagar e mantém o lençol freático”, explica.

Natureza no projeto

A preservação da vegetação também orientou a concepção do prédio. Responsável pelo design do local, Linda Benitez conta que a proposta era aproximar os ambientes interno e externo. As paredes de vidro foram pensadas para permitir essa relação, enquanto espécies locais foram mantidas e o jardim existente foi remanejado. “A preocupação era integrar a natureza de fora para dentro e de dentro para fora, sem que as paredes virassem muros. A gente queria fazer essa inclusão”, afirma Linda.

O cuidado com a área acompanha as mudanças do ano. Durante a estiagem, entre maio e setembro, o trabalho prioriza a prevenção de incêndios, com aceiros, limpeza preventiva, poda técnica, monitoramento da fauna e atuação de 12 brigadistas. No período chuvoso, de outubro a abril, o manejo se volta ao plantio de espécies nativas, à recuperação do solo e ao controle de plantas invasoras.

Fonte: Agência de Notícias do Estado do MT

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