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OAB/DF entrega a carteira profissional a 44 novos advogados e advogadas
Nesta segunda-feira (11), a Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) celebrou o início da carreira de 44 novos advogados e advogadas. A solenidade ocorreu no Auditório José Paulo Sepúlveda Pertence e reuniu membros da diretoria da OAB/DF, familiares e amigos dos novos profissionais da advocacia do Distrito Federal. A cerimônia também homenageou o Dia das Mães, comemorado no último domingo.

A abertura e a condução do juramento solene foram realizadas pelo presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli. Advogados presentes também foram convidados a renovar seus compromissos perante a Ordem dos Advogados do Brasil.
Oradora
Thaís Camille Santos Regosino iniciou seu discurso expressando gratidão e destacou o papel de cuidado exercido pelas famílias na trajetória de cada compromissando.“No mês de maio comemoramos o Dia das Mães e, ao falarmos sobre essa data, falamos também sobre presença, acolhimento e renúncia. Esse amor se manifesta de várias formas: há mães que superaram dias difíceis e fizeram do amor a força necessária para construir o futuro dos filhos; há avós que foram mães e tias que serviram de abrigo; há amigas que foram colo nos dias difíceis. Há cônjuges e amores que seguraram a nossa mão quando o mundo parecia desabar, transformando amor em cuidado, presença e porto seguro. Há pais e pessoas que Deus colocou em nossos caminhos para cuidar de nós quando precisávamos de força. Hoje, esta homenagem pertence a todas as pessoas que exerceram o amor por meio do cuidado”, afirmou.


A oradora também destacou o significado de receber a carteira da Ordem. “Hoje recebemos uma carteira profissional, mas, junto dela, recebemos também um compromisso: o de honrar a advocacia com coragem, ética e humanidade. Que sejamos advogados firmes sem perder a compaixão e fortes sem perder a fé”, declarou aos colegas.
Paraninfa
A turma teve como paraninfa a conselheira federal da OAB e ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral, Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro. Em discurso espontâneo, ela ressaltou o diferencial da advocacia na sociedade, destacando seu papel de cuidado e a responsabilidade inerente à profissão, fazendo um paralelo com a medicina.
“Nós cuidamos de vidas. Cuidamos de sonhos e dos litígios mais íntimos que uma pessoa pode travar. Ela senta em nossa sala, abre o coração e nós precisamos defendê-la com o que temos de melhor. A advocacia lida com vicissitudes, fraquezas, erros, patrimônios; com aquilo que pode ser pouco para alguns, mas representa tudo para quem nos procura. Outorgar uma procuração a um advogado é um gesto de confiança indescritível de alguém que, muitas vezes, não compreende o processo, o Poder Judiciário ou a extensão do próprio direito, mas deposita em nós todas as suas expectativas, sonhos e por que não dizer todas as suas falhas?”, afirmou.


A paraninfa também abordou desafios da advocacia contemporânea, como o uso da inteligência artificial, destacando que o olhar criativo, afetivo e comprometido da advocacia é insubstituível. “A ministra Daniela Teixeira, que vem desta casa, não só da advocacia, ela vem da OAB/DF, para nosso orgulho e alegria, disse, semana passada, no STJ: ‘Enquanto uma máquina não chorar, enquanto ela não sentir, enquanto ela não tiver lágrima, ela não me substitui. Ela pode até me ajudar, mas ela não me substitui’. E o nosso desafio, diante de tantas comodidades que a tecnologia nos oferece, é não nos acomodarmos, não transferirmos uma responsabilidade que é nossa, um sonho que é do outro, para uma máquina que não sente, para uma máquina que inventa, que cria jurisprudência, para uma máquina que falha”, disse.
Ela também destacou os desafios de conciliar maternidade, profissão liberal e compromisso com os clientes, reconhecendo que o uso de ferramentas tecnológicas pode ser tentador. “O ímpeto de fazer uso de instrumentos que poupam o tempo é da própria natureza humana e chega a ser instintivo. E é essa proposta que eu deixo aos senhores e senhoras: não sucumbam à comodidade das máquinas”.
Por fim, a paraninfa citou os desafios da advocacia num cenário de descrença no judiciário e pontuou que, apesar da maleabilidade do direito, ou seja, da capacidade de leitura diversa ou das crenças, as leis não devem ser instrumento de vontade.
“Compete a nós, advogados e advogadas, no nosso dia a dia, do caso pequeno ao caso grande, não se calar, não se resignar e sempre deixar muito claro que, um país que não tem uma cultura de legalidade, é um país que não tem confiança, é um país que não cumpre contrato, é um país que não prospera. Sejamos nós, advogados, portadores de uma cultura de legalidade que possa ajudar o nosso país a sair dos desafios em que se encontra hoje”, defendeu.
Presidente
Ao tomar a palavra, após a entrega de carteiras, Poli deixou um agradecimento especial à paraninfa: “Antes das minhas palavras, eu queria registrar aqui o orgulho de ter você como inscrita nesta Ordem dos Advogados do Brasil e dizer que o nosso país precisa de você. Seja firme e tenha coragem, você terá essa casa do seu lado”, disse.


O presidente aproveitou para dar as boas-vindas e deixar conselhos valiosos aos novos profissionais. “Esse país precisa ouvir as pessoas com respeito. E nós fazemos isso acontecer. Então, tenham coragem, sejam respeitosos, cumpram, obviamente, nosso código de ética, sejam éticos, sejam decentes na nossa profissão, mas sejam corajosos”, destacou.
Caixa de Assistência
A presidente da Caixa de Assistência, Lenda Tariana, apresentou os benefícios que, a partir de agora, advogados, advogadas e familiares passam a ter.


Em sua fala, ela também aproveitou para homenagear a paraninfa e fazer uma reflexão sobre a maternidade. “Eu me emociono de verdade, porque falar da presença de uma mulher, num cargo de poder como ela é, que ela é sempre ministra, é uma grande advogada, uma mulher incrível, uma mãe maravilhosa, isso lembra de tantas ausências. Para que ela pudesse estar aqui e exercer aqui e representar também outras mulheres, muita ausência foi sentida. Ausência na família, ausência nos filhos, ausência nos amigos. E eu acho que falar de mulher, de maternidade, é a gente falar de um misto de presença e de ausência”, destacou.


Também compuseram a mesa de honra o secretário-geral da OAB/DF, Rafael Martins; a diretora de Mulheres, Nildete Santana; a secretária da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal, Graciela Slongo; o membro honorário vitalício, Esdras Dantas; o conselheiro seccional, Almiro Cardoso Farias Junior; conselheira seccional, Bianca Araujo de Moraes; conselheira seccional, Fernanda de Miranda Xavier; conselheira seccional e presidente da comissão da Mulher Advogada, Stefanny Villar; presidente da subseção de Samambaia, Adeilson Morais; presidente da comissão de Direito Digital da OAB/DF, Isabel Bispo; conselheiro da subseção de Águas Claras, Gabriel Santana; diretora jurídica do BRB, Helen Falcão; membra da advocacia jovem iniciante da OAB/DF, Celia Cristina Nunes Pimentel.
Mães e novos advogados
A advogada Jessica Miguel, que pegou a carteira ao lado da mãe e do filho, compartilhou o sentimento de conquista. “A sensação de dever cumprido, um peso que sai das minhas costas e de todos eles. A sensação de nadei, nadei, nadei e não morri, continuei”, disse.


Sua mãe, Lisleia Santos, vê com muito orgulho a conquista de Jessica. “Eu me vejo espelhada com essas conquistas, coisas que eu não consegui ter no meu passado. Isso é muito importante, porque ela vai transmitir isso para o meu neto também, que estudar é sempre muito importante e nunca desistir dos sonhos”, conta.
Jornalismo OAB/DF


O advogado João Pedro Correia Félix também falou sobre a emoção de ter em mãos a carteira da OAB. “Eu consegui ser aprovado de primeira e estou muito feliz de ter conseguido pegar a carteira agora. Fiz antecipação de compromisso já, mas nem se compara com essa solenidade de hoje. Foi muito mais emocionante e impactante”, disse.
Ele destacou da importância de sua mãe, Milena Santos, em sua trajetória. “Eu sempre falo que ela é tudo pra mim e sempre fez de tudo mesmo pra eu poder ser aprovado, pra eu ter as melhores condições, os melhores resultados, então eu sou muito grato sempre a ela, a vida toda e pra sempre”, disse.
Para Milena, o sentimento é de gratidão. “Venho de uma família bastante batalhadora, com poucas pessoas com nível superior, então formar um filho que tem um objetivo na carreira como o direito que é tão amplo, tão diversificado, com um leque de oportunidades, fico muito feliz, espero que ele realmente se sinta realizado e que ele procure o melhor caminho pra ele. Espero ajudar e segurar na mão dele até o final”, disse.
Confira as fotos da solenidade clicando aqui!
Fotos: Roberto Rodrigues
Jornalismo OAB/DF
