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NEON destaca periferia como potência de inovação, empreendedorismo e transformação social
Enquanto as grandes arenas do NEON 2026 discutem inteligência artificial, tecnologia e o futuro dos negócios, um dos espaços mais movimentados do evento chamou a atenção por mostrar que a inovação também nasce da vivência, da criatividade e da capacidade de transformar desafios em oportunidades.
Com um cenário inspirado nas grotas e periferias alagoanas, a Arena Perifa se consolidou como um dos ambientes mais autênticos do maior evento de inovação e empreendedorismo do Nordeste. Durante os três dias de programação, o palco recebeu empreendedores, lideranças comunitárias, artistas, pesquisadores e comunicadores populares para debater desenvolvimento territorial, inclusão produtiva e geração de renda.
Assim como nas periferias da cidade, na Arena Perifa também foi instalada uma lan house com acesso gratuito à internet e jogos eletrônicos, que atraiu principalmente os jovens, enquanto ações de acolhimento, como distribuição de algodão-doce e pipoca, ajudaram a criar uma atmosfera descontraída e acessível. O palco permaneceu aberto durante toda a programação para apresentações artísticas e pitches de negócios, permitindo que qualquer empreendedor pudesse compartilhar sua história ou divulgar sua marca, nos intervalos das palestras.
Transformar cidades a partir dos territórios
Um dos momentos mais aguardados da programação foi o painel “Grotas em Movimento: Políticas Públicas e Transformação Social”, que reuniu o antropólogo e urbanista colombiano Santiago Uribe, o diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, e o vereador Cal Moreira.
Reconhecido por sua atuação em Medellín, cidade considerada referência internacional em inovação urbana, Santiago compartilhou experiências de transformação social construídas a partir dos territórios populares. “A transformação das cidades acontece quando olhamos para os territórios onde as pessoas vivem e empreendem. Para quem mora nesses lugares, eles não são periferia. São o centro da sua vida, das suas relações e das suas oportunidades”, afirmou.
Para Keylle Lima, iniciativas como o Acelera Perifa ajudam a tornar visíveis empreendedores que durante muito tempo ficaram à margem das oportunidades. “O Acelera Perifa ajuda a trazer visibilidade para empreendedores que durante muito tempo não foram vistos. Quando fortalecemos esses negócios, fortalecemos também os territórios e as oportunidades que surgem a partir deles”, destacou.
Pandemia como combustível
Entre os expositores que ilustraram a Arena Perifa estão Anthonny Costa e Rosilea Viana, ambos tiveram suas histórias completamente redirecionadas após a pandemia por Covid-19. Como muitos negócios da periferia, esses empreendedores nasceram da dificuldade, da necessidade da renda extra, e encontraram no Sebrae uma porta para um novo futuro.
Fundador da Casa Taeda. Artesão e empreendedor, Anthonny Costa transformou uma habilidade desenvolvida ainda na infância em um negócio que hoje comercializa peças autorais inspiradas na ancestralidade, na cultura afro-brasileira e na memória afetiva nordestina. Durante a pandemia, largou o corporativismo em São Paulo, para voltar à Maceió e priorizar sua saúde mental.
Anthonny vê no empreendedorismo uma forma de dar visibilidade a territórios historicamente esquecidos. Ele acredita que programas voltados à periferia, transformam vidas, assim como aconteceu com ele.
“O Sebrae mudou a minha trajetória em dois momentos com o Acelera Perifa. Primeiro como empreendedor, quando tive acesso a conhecimento e oportunidades para fortalecer a Casa Taeda. Depois como agente local, apoiando outros empreendedores da periferia. Foi uma experiência que me mostrou a força da troca e da construção coletiva dentro dos territórios”.
Para ele, a Arena Perifa representa algo ainda maior. “Para quem vem da periferia, muitas vezes é preciso bater, insistir e até gritar para ser ouvido. Aqui foi diferente. A Arena Perifa abriu espaço para que a gente pudesse mostrar nosso trabalho, contar nossa história e ocupar um lugar que durante muito tempo parecia distante”.

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Adeus CLT
Outra trajetória que chamou atenção foi a da empreendedora Rosilea Viana, fundadora da marca Divinas Pretas. Após deixar uma carreira de 15 anos como funcionária da Petrobras durante a pandemia, ela decidiu investir em um negócio voltado à valorização da beleza negra e da moda afrocentrada.
Participante do Acelera Perifa, Rosilea conta que encontrou no programa apoio para desenvolver competências de gestão e planejamento. “Eu sabia trabalhar com maquiagem, mas não sabia empreender. Foram as mentorias e os aprendizados que o Sebrae me passou que me ajudaram a transformar conhecimento em negócio”, relatou.

Participar do NEON como expositora teve um significado especial. “Nem nos meus maiores sonhos eu imaginei estar aqui. Participar de um evento dessa dimensão amplia possibilidades e mostra que os empreendedores das periferias também pertencem a esses espaços”, afirmou.
Da Quebrada para a Quebrada
Mediando as atividades da Arena Perifa, a comunicadora popular e militante do movimento hip-hop Alyne Sakura destacou a importância de aproximar o empreendedorismo da linguagem e da realidade das comunidades.
“Quando a gente fala da quebrada do jeito que a quebrada entende, a conexão acontece. A Arena Perifa mostra que existe muito talento, criatividade e capacidade de empreender dentro das comunidades”, afirmou.
Ao colocar no centro do debate histórias de vida, cultura, pertencimento e desenvolvimento econômico, a Arena Perifa mostrou que inovação não acontece apenas nos laboratórios ou nas startups. Muitas vezes, ela surge onde existe resiliência e disposição para transformar a própria realidade.
