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NEON debate como inovação e tecnologia podem transformar territórios e impulsionar o desenvolvimento regional
Um dos marcos do NEON 2026 foi a desmistificação sobre o que é, de fato, a inovação. O significado exato do termo tem muito pouca relação com tecnologia de ponta, e está mais relacionado ao conceito de transformação, que nasce da capacidade de aplicar soluções práticas e ideias criativas para melhorar o cotidiano das comunidades. Pela primeira vez, o maior evento de inovação do Nordeste dedicou uma arena à inovação territorial.
Como principal articulador do ecossistema de negócios na região, o Sebrae assumiu protagonismo institucional na Arena de Inovação Territorial, conectando gestores públicos, representantes de instituições e lideranças comunitárias de Alagoas e de diversos estados nordestinos. O foco central das discussões foi demonstrar que o desenvolvimento econômico sustentável deve respeitar e potencializar as identidades locais, transformando pequenos negócios rurais e urbanos em motores do crescimento.
Um dos painéis de destaque foi o intitulado “Inovação não tem CEP: como diferentes regiões estão mudando o jogo”, focada na estratégia do Sebrae de descentralizar o acesso ao conhecimento e às ferramentas de desenvolvimento empresarial. O diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, explicou que a inovação ocorre sempre que se compreende uma forma de fazer melhor e com menos custo o trabalho atual, gerando impacto direto no pequeno setor rural.
“Olha, o Nordeste tem muito de tecnologia, mas tem muito mais de inovação territorial. Isso não significa que os resultados são poucos significativos. Pelo contrário, a fertilização in vitro para Alagoas, por exemplo, trouxe um impacto fantástico para a pecuária leiteira. Uma solução que parece extremamente complexa, mas não é tão complicada assim de ser adotada e que beneficia principalmente o pequeno produtor rural. É por isso que dizemos que inovação não tem CEP, não tem cara e nem setor específico”, explicou.
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Institucionalmente, o Sebrae Alagoas liderou o movimento para inserir o território como temática do NEON, proposta levada ao Sebrae Nacional na edição anterior, no Piauí. Keylle destacou a importância desse marco porque o Nordeste exige um olhar diferenciado devido às diferenças de realidade nas regiões Sul e Sudeste.
Também participaram no painel Natália Canever, analista do Sebrae RS; Jorge Freitas, gestor do Sebrae AC; e Edinete Nascimento, gestora do Sebrae RN, para demonstrar como o fomento regionalizado reconstrói matrizes econômicas locais. No Rio Grande do Norte, a instituição adotou uma estratégia corporativa de interiorização, que permitiu a instituição de ecossistemas nas regiões do Oeste, Alto Oeste, Vale do Assú e Seridó.
“Com a instituição do Sistema Regional de Inovação Vale do Seridó, lançamos em maio uma aliança pela inovação, onde apresentamos um plano para os próximos 10 anos. Então, até 2035, nós temos o compromisso com todos os municípios, prefeituras, instituições de ensino, empresários, entidades de classe para o desenvolvimento de três eixos de inovação. Por meio da educação, da produtividade e legislação, a gente pretende criar e desenvolver talentos que irão permanecer no nosso território, criando um ciclo cheio de oportunidades por meio da inovação”, ressaltou.

Inclusão social no interior e na periferia
O Sebrae Alagoas fomenta várias iniciativas de inovação territorial, tanto nas ações das carteiras de relacionamento como em programas, como o ALI Rural e Sebrae Delas, que percorre municípios do interior, levando conhecimento e ajudando a desenvolver pequenos negócios rurais e o empreendedorismo feminino.
Outra iniciativa é o Acelera Perifa, que a gerente da Unidade de Soluções e Inovação (USI) do Sebrae Alagoas, Liza Bádue, classificou como “coração quente da comunidade”. “Essas iniciativas mostram que realmente a inovação não tem CEP, esse é o lema que usamos no Sebrae para dizer que todo mundo pode empreender, o produtor rural, a artesã lá do interior e também a comunidade da periferia. Todos estão incluídos na engrenagem inovadora”, conclui.