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Música abre novos caminhos para jovens da rede pública de ensino em Bom Jesus do Amparo

Publicado em: 21/07/2026 05:53

Em Bom Jesus do Amparo, município da região central de Minas Gerais com, aproximadamente, seis mil habitantes, crianças e adolescentes estão descobrindo que a música pode abrir caminhos para o futuro. Desde abril deste ano, cerca de 60 estudantes, de 8 a 18 anos de idade, da rede estadual de ensino, participam do projeto Luthier, que promove oficinas de musicalização, construção e manutenção de instrumentos.

A ação também incentiva a consciência ambiental, ao utilizar madeira de reflorestamento e outros materiais sustentáveis na confecção dos instrumentos, valoriza o fazer artesanal e resgata antigos cancioneiros brasileiros, fortalecendo a tradição da viola caipira. A iniciativa é da Prefeitura, em parceria com o Sebrae Minas e o Sicoob Credipel.

A estudante do 7º ano da Escola Estadual Edmundo Pena, Sofia Vitória de Souza, conta que descobriu uma nova motivação, aos 12 anos de idade. “Eu estudava violão, mas encontrei na viola caipira uma experiência diferente. Também melhorei a concentração e memória”, explica a jovem que aguarda ansiosa pela Cantata de Natal, quando os alunos farão sua primeira grande apresentação pública, como orquestra de viola caipira.

A analista do Sebrae Minas Ana Carolina Neves destaca que “além de despertar para uma nova vocação, o projeto desenvolve competências socioemocionais associadas à educação empreendedora, como criatividade, autonomia, responsabilidade, cooperação, trabalho em equipe e protagonismo juvenil”, diz.

Impacto social

O estudante Bruno Antônio Silva é um dos participantes do projeto

Criada em 2006 pelo luthier Pedro Alexandrino, a metodologia já beneficiou cerca de 5,2 mil estudantes em cidades como Barão de Cocais, Nova União, Antônio Dias e Açailândia (MA). O aprendizado começa pela musicalização, para que os estudantes compreendam o instrumento, seu som e sua função. Só depois iniciam as atividades práticas de luteria.

Ele explica que a iniciativa vai além da formação técnica. Ex-alunos tornaram-se professores, monitores e empreendedores do setor musical. “É um projeto de inserção cultural e de formação para a vida. A música desenvolve disciplina, concentração, autoestima e segurança para enfrentar desafios”, ressalta. A iniciativa também aproxima gerações ao resgatar a tradição da viola caipira, fazendo com que pais e avós se reconheçam nas canções e compartilhem esse patrimônio cultural com os mais jovens.

O estudante Bruno Antônio Silva, de 11 anos, cursa o 6º ano na Escola Estadual Edmundo Pena, e conta que a paixão pela viola surgiu ao assistir uma apresentação de estudantes do projeto. Fã do sertanejo raiz, ele ganhou uma viola de presente do tio-avô e, hoje, pratica em casa e faz duas aulas semanais. “Já aprendi cinco músicas, e comecei a criar a introdução de uma canção, com a ajuda dos meus pais. A música me deixa mais calmo e disciplinado, e ensina sobre tempo, compasso e planejamento”, diz.

Em uma cidade cuja economia é impulsionada pelo agronegócio e pela mineração, o projeto tem ganhado repercussão na comunidade. Quase 300 estudantes se inscreveram para as 60 vagas abertas inicialmente, tornando necessário um processo seletivo. “O maior resultado é a inclusão social e a transformação de vidas, ao oferecer oportunidades de aprendizado, desenvolvimento e profissionalização para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade”, afirma o prefeito Wanderlei Ribeiro.

Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – Regional Rio Doce e Vale do Aço

Fernanda Pereira
(31) 98250-1752 [email protected]

Fonte: Agência de Notícias do Estado de MG

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