Compartilhar

Movimente mulheres promove “Histórias que Inspiram”

Publicado em: 07/10/2026 18:18

O painel “Histórias que Inspiram”, teve lugar na noite de terça-feira (6), enquanto OAB/DF e Sebrae/DF assinaram acordo para capacitar advogados do Distrito Federal em gestão, finanças e empreendedorismo

Mediado pela jornalista Márcia Zarur, esse recorte do evento reuniu cinco mulheres para falar dos desafios da carreira jurídica e do empreendedorismo feminino: a diretora-tesoureira da OAB/DF, Raquel Cândido; a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho; a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar; a coronel intendente da Força Aérea Brasileira Sheyla Fernandes Sales; e a advogada Stella Paiva Trindade, especialista em direito processual civil e constitucional com ênfase em direito antirracista.

Zarur abriu com uma linha do tempo das conquistas femininas: o voto, em 1932; o direito de trabalhar sem autorização do marido, em 1962; o cartão de crédito próprio, liberado só em 1974; e a igualdade de direitos na Constituição, em 1988. “O voto feminino não tem 100 anos ainda”, observou. Ela lembrou ainda os 20 anos da Lei Maria da Penha e o objetivo do Movimente: transformar Brasília na melhor cidade do país para uma mulher abrir um negócio.

A diretora-tesoureira da OAB/DF, Raquel Cândido, se emocionou ao lembrar da construção do convênio. Para ela, o principal desafio das mulheres é entrar “numa sala cheia de homens” e olhar “de igual para igual”, se sentindo merecedora de estar naquele lugar. “Desde meninas, somos ensinadas a calar as nossas vozes”, afirmou, citando pesquisas que mostram meninas se sentindo incapazes em matemática e física. No debate sobre dinheiro, resumiu assim: “Uma mulher que tem independência financeira é verdadeiramente livre.”

A diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, apontou o tempo como primeiro desafio: “O dia tem 24 horas para todo mundo, mas para a mulher teria que ter 48”, disse, referindo-se à economia do cuidado. Citou hábitos que afastam as mulheres dos espaços de decisão — “as leis são feitas por homens para nós”.

Sobre a questão financeira, Margarete falou da vergonha de cobrar — “temos uma vergonha enorme de sermos bem-sucedidas” — e do preconceito contra a capacidade das mulheres: “Quantas vezes fiz o discurso na Câmara e veio outro deputado explicar o que eu estava dizendo.”

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF, Sthefany Vilar, agradeceu a Rose Rainha, diretora-superintendente do Sebrae/DF, pela aceitação imediata da proposta de realizar o Movimente focado em advogadas — “pensei que ia demorar duas, três reuniões para a gente construir este momento; mas fiz uma primeira abordagem e você imediatamente falou ‘vamos fazer’”. Sthefany aproveitou para agradecer as membras da Comissão da Mulher Advogada da OAB/DF e demais parceiros pelo engajamento em mais esta ação bem-sucedida.

Para colaborar no debate, centrou sua fala em desconstrução de estereótipos, lembrando que tem uma amiga dona de um grande escritório, mas ninguém de imediato supunha que era dela. “Falaram que era, com certeza, o escritório de um homem branco, careca e barrigudo, mas era de uma mulher!” Na precificação, orientou as mulheres a usarem a tabela da OAB, que apresenta valores de referência, como piso e a precificarem a hora trabalhada de acordo com suas especialidades, sempre com reajuste pela inflação e pelo grau de dificuldade do caso.

A coronel Sheyla Fernandes Sales compartilhou que integrou a primeira turma de mulheres da Academia da Força Aérea. Lembrou das dúvidas que enfrentaram sobre se conseguiriam concluir o curso de quatro anos — “corda, salto de paraquedas, rastejar na lama” — e do voluntariado no voo a vela, que a tornou instrutora. Corredora, contou que chegou aos 10 km em 40 minutos.  Desses desafios e superações, concluiu: “Mulheres, vocês são muito mais fortes do que vocês imaginam”.

Para a coronel Sheyla, a superação dela, a sua história, “não foi solitária”: a instituição deu apoio, e as oportunidades vieram pela dedicação — em 30 anos de carreira, comandou unidades em Natal e em São Paulo. Hoje no Ministério da Defesa, participa de reuniões como recentemente com o BNDES sobre financiamentos e deixou a “dica de ouro”: o Pronampe oferece vantagens a empresas com sociedade majoritariamente feminina, e a adesão ao Simples Nacional pode reduzir a tributação de 27,5% para 4,5%.

A advogada Stella Paiva Trindade falou das barreiras duplas enfrentadas por advogadas negras. “Passava nas provas, mas, na entrevista, não era chamada — e eu sei o motivo”, relatou. Contou que montar o próprio escritório foi a forma de escapar do julgamento nas seleções e que, em um despacho recente no STJ, ela e a parceira de trabalho eram as únicas negras do ambiente. “A mulher negra se prepara cinco vezes mais. Isso não é brincadeira”, afirmou. “O sistema é contrário duas vezes às mulheres negras, mas a gente consegue, a gente vence.” Sobre precificação, defendeu a tabela da OAB, que apresenta valores de referência, como parâmetro — usada, segundo ela, também por grandes escritórios — e cobrar o que o esforço realmente vale.

Leia mais sobre este evento aqui:

Fotos: Roberto Rodrigues

Jornalismo OAB/DF

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

Faça um comentário