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Memória institucional: disponibilizada entrevista com o juiz José Ronaldo Rossato
José Rossato teve uma infância marcada pelo esforço e pela valorização dos estudos. Caminhava diariamente 6,5 quilômetros entre a escola rural e sua casa até os nove anos de idade, quando passou a estudar na cidade. Sua trajetória profissional teve início como analista de sistemas, ainda nos primórdios da informatização no Brasil. Posteriormente, atuou como bancário e exerceu o cargo de escrivão no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Incentivado pela esposa, cursou Direito e passou a se dedicar aos estudos para concursos públicos. Ao relembrar esse período, destacou as dificuldades enfrentadas. “Foi um tempo sofrido, de muita dedicação. Inicialmente, pensava em ser promotor e prestei concurso para o Ministério Público várias vezes. Eu não tinha condições financeiras, não tinha internet, estudava pelos livros mesmo e já trabalhava. Até que desenvolvi um método interessante: comecei a estudar as questões de provas anteriores e percebi a repetição das perguntas. A partir daí, já não tinha mais dificuldade em ser aprovado nas primeiras fases”, recordou o magistrado.
No ano de 2000, foi aprovado simultaneamente para o cargo de juiz de direito no TJMG e no TJDFT. A escolha por assumir a magistratura no Distrito Federal foi motivada pela forte ligação afetiva que sua família criou com Brasília, descrita por ele como “amor à primeira vista”. Desde sua posse no TJDFT, aos 37 anos de idade, construiu uma carreira sólida e diversificada, com atuação em varas de família, falências e concordatas, no Tribunal do Júri de Samambaia, além de experiências em varas de entorpecentes e de violência doméstica. “Nós somos privilegiados aqui no Distrito Federal por termos varas especializadas. Em outros lugares, as varas são de competência geral, o que é bem mais complicado”, ponderou.
Durante a entrevista, o magistrado destacou a importância do diálogo como ferramenta essencial para a solução de conflitos, especialmente nas relações familiares, adotando uma postura pautada na escuta e na conciliação nas audiências. “Reputo que as maiores e melhores soluções surgem na conversa, na audiência, no diálogo. Sinto que as pessoas precisam ser ouvidas. Sei que temos o dever de aplicar a lei, mas as audiências são o ponto central para se chegar a boas decisões”, afirmou.
Programa História Oral
O Programa História Oral reúne acervo de entrevistas concedidas por magistrados(as), servidores(as), entre outros personagens, que participaram da trajetória do TJDFT.
Os depoimentos trazem um pouco da história do órgão desde a sua instalação, em 1960, até os dias de hoje, e visa manter viva a história do Judiciário da capital do país. As entrevistas estão disponíveis na Página do Memorial TJDFT.
A desembargadora Maria Thereza Braga Haynes foi a idealizadora e responsável pela implantação do programa em 2008. Mesmo após se aposentar em 1991, contribuiu ativamente para a preservação da memória institucional, com dedicação exemplar e a gravação de 25 entrevistas.
