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Marconi fala em apoio mútuo com Wilder, mas campanha do PL nega acordo para segundo turno

Publicado em: 22/08/2026 20:30

Declaração do tucano expõe versões divergentes sobre possível aliança e provoca reação da campanha de Wilder Morais

 

A possibilidade de uma aliança entre Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) em um eventual segundo turno da disputa pelo Governo de Goiás abriu uma nova frente de tensão na campanha eleitoral. De um lado, o ex-governador afirma publicamente que existe disposição para apoio recíproco. Do outro, a campanha do senador nega qualquer entendimento e tenta manter distância tanto de Marconi quanto de Daniel Vilela (MDB).

 

A controvérsia ganhou força depois que Marconi revelou, em entrevista à Rádio Terra, que apoiaria Wilder caso não avançasse ao segundo turno — e afirmou que teria recebido sinais de reciprocidade.

 

“Eu já disse publicamente nas minhas reuniões que, se eu não for para o segundo turno, eu apoio a candidatura dele (Wilder). E ele já disse para muitos amigos que fará o mesmo”, declarou Marconi.

 

A fala colocou a campanha de Wilder diante de uma situação delicada. Segundo o Jornal Opção, a declaração provocou preocupação entre integrantes do núcleo bolsonarista ligado ao candidato do PL, principalmente pelos possíveis efeitos eleitorais de uma aproximação antecipada com o tucano.

 

Nos bastidores, a avaliação seria de que Wilder precisa preservar, neste momento, a imagem de candidatura independente dos principais grupos que disputam o Palácio das Esmeraldas. Uma associação com Marconi antes mesmo da definição do primeiro turno poderia dificultar essa estratégia e transferir para o candidato do PL parte da rejeição e dos desgastes acumulados pelo ex-governador durante sua longa trajetória política.

 

Wilder reage e diz que não há acordo

 

A resposta veio neste sábado (22). A campanha de Wilder negou categoricamente a existência de qualquer negociação previamente acertada.

 

“Não há nenhuma tratativa com outras candidaturas para composição em um eventual segundo turno”, informou a equipe do candidato.

 

O próprio Wilder reforçou publicamente a tentativa de afastamento. Nas redes sociais, passou a utilizar a mensagem “Nenhum dos dois”, numa referência direta a Marconi Perillo e Daniel Vilela.

 

A estratégia busca deixar claro ao eleitorado que o candidato do PL pretende chegar ao segundo turno sem se vincular, ao menos por enquanto, a nenhum dos dois principais adversários.

 

O problema é que a versão apresentada pela campanha entra em choque com aquilo que Marconi havia dito apenas quatro dias antes.

 

Enquanto Wilder sustenta que eventuais alianças serão discutidas somente depois do primeiro turno, caso sejam necessárias, Marconi trata publicamente a possibilidade de apoio recíproco como algo sobre o qual já teria havido manifestações entre os dois campos políticos.

 

Segundo o Jornal Opção, mesmo diante da negativa pública da campanha de Wilder, a hipótese de entendimento entre os dois continua sendo mencionada nos bastidores da política goiana.

 

Relação entre Wilder e Marconi vem de longa data

 

A aproximação entre os dois não seria propriamente uma novidade na política de Goiás. A relação entre Marconi e Wilder remonta aos primeiros passos do atual senador na vida pública.

 

Em janeiro de 2011, quando Marconi Perillo iniciava seu terceiro mandato como governador de Goiás, Wilder Morais foi nomeado secretário de Infraestrutura do Estado. A passagem pelo governo tucano integrou o início de sua trajetória política.

 

Quinze anos depois, os dois estão novamente no centro da mesma disputa, agora como candidatos ao Palácio das Esmeraldas.

 

A diferença é que, em plena campanha, qualquer sinal de aproximação pode ter peso eleitoral.

 

Marconi parece disposto a tornar pública a possibilidade de uma união no segundo turno. Wilder, por sua vez, trabalha para deixar essa conversa para depois — e insiste, por enquanto, no discurso de que não está com nenhum dos dois.

 

Com as versões conflitantes colocadas publicamente, a eventual aliança entre PSDB e PL passa a ser mais uma questão a acompanhar na corrida pelo Governo de Goiás: afinal, existe um entendimento informal já construído nos bastidores ou Marconi antecipou uma composição que Wilder ainda não quer assumir?

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