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Marco histórico: OAB/DF celebra a 1ª edição do Dia da Advocacia Familiarista do DF
Solenidade reuniu profissionais para entrega de 238 moções de reconhecimento à dedicação a esse ramo do Direito; a palestra magna foi com a advogada Lázara Carvalho, mestra em Comunicação Não Violenta e especialista em Direito das Mulheres

A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) sediou a primeira celebração oficial do Dia da Advocacia Familiarista nesta sexta-feira (15 de maio). A data foi instituída no calendário oficial da capital federal por lei no ano passado, fruto de articulação da diretoria e da Comissão de Direito das Famílias da OAB/DF junto à Câmara Legislativa (CLDF) e ao governo do DF. O evento, que lotou o auditório, foi prestigiado por lideranças jurídicas, especialistas e profissionais que atuam na linha de frente dos conflitos familiares.


O ponto alto da cerimônia foi a entrega da Moção de Reconhecimento da Advocacia Familiarista para 238 advogados e advogadas. A homenagem simboliza o respeito da instituição àqueles que dedicam suas carreiras a uma das áreas mais sensíveis do ordenamento jurídico, exigindo não apenas rigor técnico, mas uma capacidade ímpar de mediação e empatia.


Pacificação e valorização


O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, destacou o simbolismo da data e o papel transformador da especialidade para a harmonia social. Na abertura, disse: “Esta cerimônia, a primeira que a gente faz, vai ficar eternizada e faremos outras, todos os anos. É uma homenagem a uma advocacia tão importante! A família é a base de tudo, sabemos, e sempre foi. E se tem alguém que consegue trazer pacificação social nesse âmbito tão importante, é a advocacia familiarista. Aqui temos a elite da advocacia familiarista brasiliense e é um dia de festa. Estamos felizes em homenageá-los, porque sabemos da batalha no dia a dia e da pacificação que tentam trazer.”
Sobre o futuro da profissão na era da inteligência artificial, Poli citou o que declarou recentemente a ministra do Superior Tribunal de Justiça Daniela Teixeira: “Ela disse assim: enquanto a IA não chorar ao ver um processo, enquanto a IA não se emocionar ao resolver uma demanda, ela nunca vai nos substituir. E para a advocacia familiarista isso se aplica perfeitamente.”
Sensibilidade e reconstrução de vidas


A presidente da Comissão de Direito das Famílias da OAB/DF, Marcela Furst, fez um discurso emocionado: “Somos chamados quando as famílias estão em crise. Quando vínculos se rompem e as pessoas chegam aos nossos escritórios emocionalmente devastadas. É justamente por isso que a advocacia das famílias exige muito mais do que o conhecimento técnico. Ela exige escuta, sensibilidade, responsabilidade, equilíbrio, humanidade.”
Seguiu dizendo Marcela Furst: “Nosso papel não é alimentar guerras familiares. Nosso papel é defender direitos com firmeza, sem perder a humanidade. É possível atuar com combatividade, sem banalizar a dor do outro. É possível defender com excelência, sem transformar sofrimento em espetáculo processual. É possível exercer a advocacia com ética, técnica e consciência do impacto social que carregamos. E talvez essa seja uma das missões mais nobres da nossa área, ser instrumento de proteção sem perder a capacidade de acolher.”
Suporte institucional e humanização


A presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAADF), Lenda Tariana, destacou a necessidade de o próprio profissional ser amparado: “A advocacia familiarista é tão peculiar! Precisa não só pensar o Direito, mas também a humanidade e sobre cada pessoa. Precisa ser psicólogo muitas vezes. Precisa ter habilidades para conduzir os conflitos, as relações. Saber acolher e conduzir para o direito do cliente, lembrando que, se deixar, o profissional da advocacia familiarista pode ser absorvido pelas causas que defende.” Lenda recomendou estudos, e colocou a Ordem como um porto seguro para o acolhimento dos profissionais da advocacia, diante de seus imensos desafios.
Especialização e formação técnica


A secretária da Comissão de Direito das Famílias da OAB/DF, Raphaela Cortez, ressaltou que a sensibilidade não substitui a técnica: “Os vínculos que trabalhamos não se dissolvem. Diferentemente de uma sociedade empresarial e de qualquer outra coisa, a família vai permanecer. Um ex-casal vai ter vínculos, muitas vezes, por conta dos filhos. Quando a gente atua no direito das famílias, precisa pensar nisso. Porque o maior ganho que uma família pode ter não é o bem patrimonial em muitos litígios, e sim a pacificação das relações.”
Impacto transformador e capilaridade


O vice-presidente da Comissão de Direito das Famílias, Benjamim Meneguelli, disse que a área é movida por vocação: “É uma das poucas áreas em que, digamos, a maioria, pelas estatísticas, realmente escolhe por amor à profissão, não pelo dinheiro. E muitas vezes a gente se depara realmente com as pessoas mais vulneráveis, que estão naquela situação, no cenário de muita dor, de angústia, de preocupação. E elas depositam as esperanças no nosso trabalho.”


A presidente da Comissão de Direito de Família da Subseção de São Sebastião, Gabriella Angelos, acrescentou: “Não são unicamente os nossos estudos, as nossas preparações e a nossa dedicação ao direito de família que nos torna diferentes dos demais. É também o nosso tratamento humano para com os nossos clientes. É também a empatia que a gente consegue ter em situações tão complicadas que chegam nos nossos escritórios. O olhar de fora e calmo, muitas vezes, soluciona.”
Palestra magna
O encerramento contou com a palestra da advogada Lázara Carvalho, mestra em Comunicação Não Violenta e especialista em Direito das Mulheres. Ela afirmou: “É preciso saber ouvir e falar para proteger de forma eficaz. O Direito das Famílias exige que sejamos capazes de desconstruir ciclos de violência por meio de uma postura jurídica firme, porém dialógica, garantindo que a justiça seja feita sem perpetuar traumas.”
Sobre o desgaste emocional dos profissionais, Lázara alertou: “A história é dele, do cliente, não é história de quem exerce a advocacia. Eu não posso carregar a história do meu cliente por mais que eu me identifique.”
Compuseram a mesa de honra da cerimônia o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli; a presidente da Comissão de Direito das Famílias da OAB/DF, Marcela Furst; a presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do DF, Lenda Tariana; o vice-presidente da Comissão de Direito das Famílias, Benjamim Meneguelli; a secretária da Comissão de Direito das Famílias, Raphaela Cortez; a diretora de convênios da CAADF, Fátima Bastos; a presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família no Distrito Federal (IBDFAM-DF), Ana Carolina Senna; a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Idosos da OAB/DF, Maria Helena Moreira; o presidente do Colégio Notarial do Brasil (Seção DF), Geraldo Felipe, a presidente da Comissão de Direito de Família da Subseção de São Sebastião, Gabriella Angelos; e a palestrante da aula magna advogada Lázara Carvalho.
Confraternização
Após a celebração, um almoço foi realizado no Clube da Advocacia do DF. Este evento de celebração do Dia da Advocacia Familiarista do DF contou com apoio do Colégio Notarial do Brasil (Seção DF), da CAADF, da Escola Superior de Advocacia (ESA/DF), do Projeto OAB 360° e do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).
Jornalismo OAB/DF
