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Lab Day reúne empresários do setor de TI, provedores de internet e da indústria de games do DF
Por muito tempo, os jogos eletrônicos foram associados exclusivamente ao entretenimento. Hoje, entretanto, o setor reúne empresas que desenvolvem soluções para educação, saúde, capacitação profissional, marketing, simulações, treinamento de equipes e transformação digital. Foi justamente esse potencial que motivou a realização da primeira edição temática do Lab Day voltada ao ecossistema de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), conectividade e games.
Realizado na noite desta terça-feira, 28 de julho, no Sebraelab, no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), o encontro reuniu mais de 200 empresários, dentre eles, desenvolvedores de jogos, empresários de TI, provedores de internet, representantes de entidades do setor e empreendedores de diferentes segmentos econômicos para conhecer soluções tecnológicas capazes de impulsionar a competitividade dos pequenos negócios. Além das apresentações institucionais, a programação contou com pitches de empresas, networking e oportunidades de conexão entre fornecedores de tecnologia e potenciais clientes.
A proposta da sétima edição do Lab Day foi aproximar um mercado altamente especializado de empresários que buscam inovação para aumentar produtividade, otimizar processos e ampliar sua competitividade. Mais do que apresentar ferramentas, o evento buscou demonstrar como tecnologias desenvolvidas no Distrito Federal podem ser aplicadas em diferentes setores da economia.
Durante a abertura, a diretora técnica do Sebrae no Distrito Federal, Diná Ferraz, destacou que o mercado de games representa muito mais do que lazer e entretenimento. “O setor de games também significa informação, conhecimento, educação e soluções institucionais. É exatamente isso que queremos fortalecer. Queremos mostrar, cada vez mais, o potencial que essas empresas têm na criação, na inovação, na conectividade e no desenvolvimento de soluções”, afirmou.
Segundo ela, o Sebrae atua para fortalecer esse ecossistema oferecendo apoio em gestão, marketing, organização empresarial, estratégias comerciais e acesso ao mercado, contribuindo para que pequenos negócios ampliem sua capacidade de crescimento.
A compreensão de que os games extrapolam o universo do entretenimento também norteou a participação das entidades representativas do setor. Para o presidente da Associação dos Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos do Distrito Federal (Abring), Igor Rachid, limitar os games ao lazer significa ignorar um segmento que hoje reúne inovação, educação, cultura e desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, compreender os games apenas como entretenimento limita a dimensão de um setor que reúne tantas áreas.
“Jogos eletrônicos não são apenas entretenimento. Games também significam educação, cultura, saúde, inovação e tecnologia. Compreender isso amplia a visão sobre o potencial econômico e social desse segmento. Brasília possui empresas altamente qualificadas, estúdios premiados nacional e internacionalmente e um ecossistema que vem crescendo graças à união entre desenvolvedores, parceiros e instituições. O nosso trabalho na Abring é justamente conectar esses profissionais, capacitar empreendedores e transformar desenvolvedores em empresários, pessoas físicas em pessoas jurídicas e boas ideias em negócios sustentáveis”, comentou.

Se o desenvolvimento de soluções depende da criatividade e da capacidade de inovação das empresas, sua operação também exige uma infraestrutura tecnológica capaz de acompanhar esse crescimento. Nesse contexto, a expansão da inteligência artificial, da conectividade e da economia digital também demanda investimentos permanentes em redes e serviços.
O tema foi abordado pelo presidente da Associação dos Provedores do Distrito Federal e Goiás (Aspro), Rodrigo Silva Oliveira, que chamou atenção para o papel desempenhado pelos pequenos provedores de internet.
“Hoje o Brasil possui quase 20 mil provedores de internet e, aqui no Distrito Federal, são aproximadamente 300 empresas atuando no mercado. Muitas vezes o consumidor associa conectividade apenas às grandes operadoras, mas são esses pequenos provedores que, em muitos casos, trabalham com tecnologias de ponta, oferecendo fibra óptica, Wi-Fi 6 e uma experiência extremamente eficiente. Toda essa transformação que envolve inteligência artificial, computação em nuvem e novas soluções digitais depende de uma infraestrutura preparada”, explicou.

Para ele, além dos desafios relacionados à expansão das redes e ao acesso a crédito, o setor precisa discutir como se posicionar diante das mudanças provocadas pela inteligência artificial e pelo crescimento dos data centers.
Além da infraestrutura, outro ponto debatido durante o encontro foi a necessidade de fortalecer a articulação entre as instituições que representam o setor tecnológico. Representando o Grupo de Fortalecimento da Tecnologia da Informação do Distrito Federal (GForTI), Renato Santos destacou a importância da atuação integrada entre as entidades que compõem o ecossistema de inovação.
“O Sebrae acompanha os empreendedores em todas as etapas da jornada empresarial, desde a concepção da ideia até a consolidação e expansão dos negócios, oferecendo apoio para aprimorar a gestão, estimular a inovação, aumentar a competitividade e gerar acesso a novos mercados. À medida que as empresas evoluem, surgem desafios cada vez mais complexos, e as entidades representativas passam a desempenhar um papel estratégico, oferecendo orientação, representação institucional, conexões e suporte ao desenvolvimento do setor.
Por isso, a parceria entre o Sebrae e as entidades representativas é tão importante: ela fortalece o ecossistema empresarial e amplia o apoio às empresas em cada etapa do seu crescimento”, ressaltou.
A vice-presidente do Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal (Sinfor/DF), Lúcia Soares, destacou que iniciativas como o Lab Day aproximam empresas de diferentes segmentos tecnológicos e ampliam as oportunidades de negócios em um mercado que passa por rápidas transformações.

“Historicamente, o principal cliente das empresas de tecnologia do Distrito Federal sempre foi o governo. Esse cenário vem mudando e precisamos ampliar esse horizonte, buscando novos mercados e novos modelos de negócio. O Distrito Federal cresceu muito na área de tecnologia e possui empresas extremamente qualificadas, mas ainda existem desafios importantes para consolidar esse ecossistema. Inovar deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade”, pontuou.
Segundo ela, um dos principais projetos atualmente conduzidos pelo sindicato é a implantação do Brasília Tech Hub, espaço que reunirá empresas, startups, instituições de ensino e centros de inovação em um ambiente voltado ao compartilhamento de conhecimento, desenvolvimento de soluções e geração de novos negócios.
Um dos destaques da programação foi a rodada de pitches, que reuniu empresas dos setores de Tecnologia da Informação, Provedores de Internet e Desenvolvimento de Jogos para apresentar soluções inovadoras, demonstrando como a tecnologia pode transformar a realidade das empresas dos mais diversos segmentos. As apresentações revelaram novas abordagens, ferramentas e modelos de negócio capazes de impulsionar a competitividade, a produtividade e a transformação digital do mercado tradicional.
Participaram das apresentações a Conectiva, Leadsmaster, Névoa AI, Visent Data Insights, Animado, Boos Design, Firasoft, Coffee Crow, Orbis Soluções Tecnológicas, Explora BSB, Devaholics e BP Hub, demonstrando aplicações que vão desde inteligência artificial e análise de dados até desenvolvimento de software, design, comunicação e soluções para gestão de negócios.

A programação também contou com a participação da Sustainable Business English e da Verbalize, responsáveis por apresentações voltadas ao desenvolvimento de competências em comunicação e negócios.
Fortalecimento contínuo desse ecossistema
Responsável pelos projetos Brasília Conecta TIC e Sebrae Conecta Games, a gestora Cláudia Bonifácio apresentou um balanço das ações desenvolvidas ao longo de 2026. Desde o lançamento das iniciativas, em janeiro, os projetos já promoveram duas missões empresariais, dois grandes eventos, 23 capacitações, 16 consultorias especializadas e 12 participantes no projeto piloto de assessorias empresariais, alcançando 545 empresários dos setores de tecnologia da informação, conectividade e games, além de empreendedores de outras áreas, até o último dia 15 de julho.
Entre as ações realizadas estão capacitações em vendas, comercialização para o setor público, marketing digital, propriedade intelectual, certificação ITIL e gestão empresarial, além das missões para a Gamescom Latam e Abrint Global Congress, todas em São Paulo, que contaram com subsídio de 70% do Sebrae para participação dos empresários do Distrito Federal.
Segundo Cláudia Bonifácio, reunir, em um mesmo ambiente, empresas dos setores de Tecnologia da Informação, Conectividade e Games representa um marco importante para o fortalecimento desse ecossistema. “Esta foi a primeira edição do Lab Day realizada de forma integrada pelos projetos Brasília Conecta TIC e Sebrae Conecta Games, e a participação dos empresários e parceiros demonstra que existe um ambiente cada vez mais colaborativo, preparado para gerar conexões, negócios e inovação”, pontuou a gestora.

Ainda segundo ela, a proposta de integrar esses três setores foi muito estratégica. As empresas de Tecnologia da Informação são a base para o desenvolvimento de soluções que impulsionam a transformação digital em praticamente todos os segmentos da economia. Os provedores regionais de internet exercem um papel essencial ao levar conectividade e atendimento próximo aos clientes, chegando muitas vezes onde as grandes operadoras não conseguem atuar com a mesma agilidade e proximidade. Já o setor de games vem demonstrando que seu potencial vai muito além do entretenimento, desenvolvendo soluções para educação, treinamentos corporativos, saúde, comunicação, indústria e diversos outros mercados.
“Esses três segmentos são complementares. Juntos, oferecem soluções transversais que atendem empresas de todos os portes e setores, criando um ambiente rico para inovação, parcerias e geração de negócios. Acredito que esse foi um casamento perfeito entre tecnologia, conectividade e inovação, capaz de impulsionar o crescimento desses setores e fortalecer a competitividade das empresas em geral do Distrito Federal”, complementou Cláudia.
A próxima edição do Lab Day será realizada em 25 de agosto, às 17h30, no Sebraelab. O encontro terá como tema o agronegócio e dará continuidade à proposta de promover conexões entre empresas tradicionais e a inovação para crescimento da economia do Distrito Federal.
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