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Juízas palestram em cursos sobre cobertura jornalística em casos de violência contra mulheres e feminicídio
As juízas Fabriziane Zapata e Luciana Rocha, integrantes da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (CMVD-DF), participaram de cursos de formação de profissionais da imprensa sobre a cobertura jornalística em casos de violência contra mulheres e feminicídio. Nos eventos, as magistradas do TJDFT apresentaram aos participantes o guia “Comunicação que protege – Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”, criado com o objetivo de incentivar uma cobertura jornalística que proteja as vítimas, informe a sociedade com rigor e contribua para o enfrentamento da violência de gênero.
Já a juíza Luciana Rocha participou, no dia 17 de agosto de 2026, do primeiro curso “Cobertura jornalística de casos de violência contra mulheres e feminicídios” do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O evento, que contou com a participação também da Escola Paulista da Magistratura (EPM), a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comesp) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPESP), reuniu cerca de 50 profissionais da imprensa.

A participação das magistradas integra as ações do Grupo de Trabalho (GT) Imprensa e contempla a divulgação do guia “Comunicação que protege – Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”.
Guia de Cobertura Jornalística

O material destaca o papel da imprensa na prevenção da violência contra as mulheres e busca qualificar a cobertura jornalística do tema. Para isso, oferece orientações práticas para aplicação imediata nas redações, como checklist para cobertura jornalística, glossário de termos recomendados, protocolo para as primeiras 24h após o crime e modelos de serviço com canais de atendimento e proteção às mulheres.
Entre as 20 diretrizes apresentadas constam: usar o termo “feminicídio” em substituição a expressões como “crime passional”; priorizar a voz ativa e deslocar o foco para o agente da ação, ao invés de destacar a vítima; jamais atribuir ou insinuar culpa à vítima, com expressões como “ela decidiu se separar”; e destacar a escalada da violência prévia, apurando os fatos com a polícia, familiares e rede de atendimento.
A elaboração do guia levou em conta o panorama local, dados do Brasil e referências de organismos internacionais, como ONU Mulheres, UNESCO e Organização Mundial da Saúde (OMS), além de estudos sobre o ciclo e a escalada da violência.
Crianças e adolescentes
O material também dedica atenção especial à proteção de vítimas indiretas e vicariais, como crianças e adolescentes órfãos de feminicídio, à cobertura de transfeminicídios e à aplicação do conceito de interseccionalidade, com foco na visibilidade de mulheres negras, indígenas e em situação de vulnerabilidade. Nesse sentido, recomenda que a cobertura jornalística jamais deve expor nome, imagem, escola, endereço ou dados que permitam a identificação da vítima, entre outros.
Saiba como procurar ajuda
Se você ou alguém que conhece é vítima de violência, procure ajuda:
- DISQUE 190 – Polícia Militar (24h). Emergência, ameaça iminente ou descumprimento de medida
protetiva com risco atual. Envia viatura imediatamente. - DISQUE 197 – Polícia Civil do DF (24h, anônimo). Denúncia anônima ou repasse de informações.
- LIGUE 180 – Central de Atendimento à Mulher (Governo Federal · 24h · gratuito · nacional). Orientação
sobre direitos, serviços da rede de atendimento e encaminhamentos. - MPDFT 127 – Canal gratuito para atendimento jurídico e escuta qualificada para mulheres em situação de
violência ou vulnerabilidade. - DPDF 129 opção 2 – Atendimento jurídico gratuito específico para mulheres em situação de violência
doméstica.
