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INPI reconhece Indicação Geográfica para o polvilho da Região do Cará
Depois de anos de trabalho de diversos parceiros, pesquisa, extensão, reuniões, documentos, visitas à comunidade e confiança construída junto às famílias da Região do Cará, no dia 15 de setembro de 2026, saiu o resultado do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial): o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) para o polvilho produzido de forma artesanal no município de Bela Vista de Goiás (Região Metropolitana de Goiânia). Isso só foi possível porque as famílias mantiveram vivos, por gerações, o cultivo da mandioca, a produção do polvilho e, principalmente, o conhecimento associado a esse modo de fazer que mantém os métodos tradicionais como a fermentação natural e a secagem ao sol.
A Indicação Geográfica é um reconhecimento oficial dado a produtos ou serviços que vêm de um lugar específico e que tem qualidade, fama ou características únicas por pertencer àquele lugar. Esta é a quinta IG de Goiás e a primeira de polvilho no Brasil.

A obtenção da indicação geográfica só aconteceu depois de um longo caminho, já que o processo respeita rigorosas etapas e cada parceiro contribuiu em momentos e de formas diferentes para este resultado. O Sebrae Goiás já acompanhava havia alguns anos o grupo de produtores com capacitações e consultorias como o Sebraetec. “Eles são muito organizados, unidos e tinham um produto de grande qualidade. Então, quando saiu o edital, convidei o IF Goiano e fiz a sugestão. Com esse recurso foram feitos os estudos, levantamento do histórico, da delimitação, da notoriedade e tudo o que subsidia a obtenção da IG”, conta João Luiz Prestes, analista do Sebrae e gestor estadual de Indicações Geográficas, que desde o início reconheceu a dedicação e as potencialidades desse grupo familiar. “A partir de agora o polvilho da Região do Cará será mais conhecido como um produto valioso e original e terá a sua tradição protegida”, destaca o gestor.
O IF Goiano entrou no processo de reconhecimento por meio do Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA) do Campus Hidrolândia. “Gosto de dizer que esse foi, antes de tudo, um trabalho construído com a comunidade, e não para a comunidade. Nossa aproximação com os produtores e com a cooperativa vem de vários anos e foi se fortalecendo por meio de diferentes iniciativas com os parceiros”, explica Bruno Martins, professor e pesquisador do IF Goiano. Ele destaca que uma IG não é inventada por uma universidade, pelo INPI ou por um projeto. “Ela já existe no território. Nosso trabalho é ajudar a comunidade a reconhecer o que tem de singular, organizar as evidências, demonstrar essa relação e construir instrumentos para protegê-la e valorizá-la.”

Além das duas instituições, participaram a Setec/MEC (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação), que teve papel importante no financiamento dos projetos que permitiram estruturar tecnicamente o processo; o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), especialmente a Superintendência Federal de Agricultura em Goiás; a Emater Goiás; a Prefeitura de Bela Vista de Goiás; a UFG; instituições da rede federal; além de pesquisadores, professores, estudantes, técnicos e extensionistas.
Cooperabs
Nesse processo, a Cooperabs (Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores de Polvilho e Derivados da Mandioca da Região do Cará) foi fundamental, pois é a organização que representa coletivamente os produtores e é a requerente do registro junto ao INPI.
José da Silva Neto, produtor de Bela Vista de Goiás e presidente da cooperativa, conta que a luta para conseguir a indicação vem de longa data. A Cooperabs foi criada em 2005 para atuar com uma melhor organização para conseguir a indicação. “Chegamos até a desistir mais de uma vez por conta das dificuldades burocráticas. Foi o Sebrae que nos apoiou para não abandonar a ideia a partir do diagnóstico que fez da nossa realidade e possibilidades”, comenta.

“Nosso objetivo sempre foi o reconhecimento da região, agregar valor ao nosso produto e ganhar mais mercado”, explica José, integrante de uma família que produz o polvilho artesanal desde 1956. “Nosso produto é especial, tem grande qualidade. Hoje vendemos para mais de 40 cidades de Goiás, para a Região do Xingu, no Mato Grosso, mas temos que competir com o produto industrializado do Paraná, que é muito forte, e a IG vai fazer toda a diferença”, reflete Neto.
Ainda tem bastante trabalho pela frente, com questões a serem resolvidas como a ativação da implementação, como usar da melhor forma a indicação dentro da comunidade, quem receberá o selo com QR Code de rastreio para provar a procedência, estabelecer os preços, criar as embalagens, adequação ao mercado como produto diferenciado, e posteriormente cuidar do posicionamento de marketing e comunicação. “Esta jornada será longa e acompanhada de perto pelo Sebrae, mas os produtores já celebram o novo status. Queremos fazer um grande evento para comemorar com parceiros, cooperados, comunidade e clientes. Vamos festejar juntos esta grande conquista”, promete o presidente da cooperativa.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Central | Goiânia: Agência Entremeios Comunicação / Adrianne Vitoreli – (62) 98144-2178
Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.
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