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GDF vira o jogo: rombo previsto de R$ 6 bilhões pode dar lugar a superávit de R$ 3 bilhões em 2026
Em menos de quatro meses, Distrito Federal muda trajetória das contas públicas, reduz peso das despesas e alcança rating provisório de Capag A; melhora fiscal também fortalece posição do governo em operação bilionária envolvendo o BRB
De um buraco projetado de R$ 6 bilhões para um superávit de pelo menos R$ 3 bilhões. Em poucos meses, o Governo do Distrito Federal (GDF) conseguiu virar o jogo das contas públicas e agora trabalha com um cenário bem diferente daquele desenhado no início de 2026.
A mudança representa uma reviravolta de aproximadamente R$ 9 bilhões nas projeções fiscais do Distrito Federal e ocorre após a adoção de medidas de contenção de despesas, revisão de gastos e aumento da arrecadação.
Os novos números indicam que o DF não apenas conseguiu afastar, até o momento, o cenário de déficit bilionário como também avançou na recuperação de sua capacidade de pagamento. O governo já alcançou rating provisório correspondente à Capag A, segundo o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira.
De déficit bilionário a dinheiro sobrando no caixa
Quando Oliveira assumiu a Secretaria de Economia, em março, a situação era bem diferente. As projeções apontavam para um déficit de aproximadamente R$ 6 bilhões em 2026.
“Em março, tínhamos uma projeção de déficit de R$ 6 bilhões. Em menos de quatro meses, mudamos completamente a rota e temos a projeção de um superávit de pelo menos R$ 3 bilhões ao final deste ano”, afirma o secretário.
A diferença entre os dois cenários chama atenção: são cerca de R$ 9 bilhões entre o resultado que se temia e aquele que agora é projetado pelo governo.
“Saímos de uma Capag C em janeiro, para superávit com rating projetado de Capag A”, acrescenta Valdivino de Oliveira.
Números mostram melhora das contas
Um dos principais sinais dessa mudança apareceu em julho. A relação entre despesas e receitas correntes do Distrito Federal caiu para 93,95%, ficando abaixo do limite de 95% estabelecido pelo artigo 167-A da Constituição Federal.
O indicador mede quanto das receitas correntes está comprometido com o pagamento das despesas correntes e é acompanhado de perto porque ajuda a revelar a saúde financeira do governo.
No acumulado dos últimos 12 meses, o Distrito Federal registrou R$ 44,79 bilhões em receitas correntes, contra R$ 42,08 bilhões em despesas correntes.
A conta deixa uma diferença positiva de R$ 2,71 bilhões.
A redução do comprometimento das receitas é especialmente importante porque permite ao governo recuperar espaço para investimentos e reduz o risco de que o crescimento das despesas permanentes sufoque a capacidade financeira do Distrito Federal.
Ajuste fiscal ajudou a mudar a rota
A reação do GDF passou pela implantação de um programa de ajuste fiscal baseado em três frentes: contenção de gastos, revisão das despesas e medidas para ampliar a arrecadação.
Entre as normas adotadas estão os Decretos nº 48.509/2026 e nº 48.549/2026, além da Portaria nº 363/2026, que estabeleceram novas regras de controle de gastos e acompanhamento dos indicadores fiscais.
A estratégia é impedir que o crescimento das despesas correntes comprometa a capacidade de investimento e, ao mesmo tempo, recuperar a saúde financeira do governo.
Se a projeção se confirmar até dezembro, o Distrito Federal encerrará 2026 em uma situação radicalmente diferente daquela prevista apenas alguns meses antes.
Capag A pode abrir novas portas para o DF
Outro resultado considerado importante pelo governo é a recuperação da Capacidade de Pagamento (Capag).
A classificação funciona como um termômetro da situação fiscal dos estados, municípios e do Distrito Federal e leva em consideração indicadores relacionados ao endividamento, à poupança corrente e à liquidez.
Segundo Valdivino de Oliveira, o DF já chegou provisoriamente ao patamar correspondente à nota A, depois de iniciar o ano com Capag C.
A melhora é relevante porque uma situação fiscal mais sólida aumenta a capacidade do Distrito Federal de demonstrar condições para assumir e cumprir compromissos financeiros.
E o BRB? Melhora das contas entra no jogo bilionário
A virada fiscal ocorre justamente quando o GDF enfrenta uma discussão financeira de grandes proporções.
A melhora dos indicadores pode repercutir nas negociações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões, com recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O acordo conduzido pela governadora Celina Leão prevê uma operação destinada ao fortalecimento patrimonial do Banco de Brasília (BRB).
Nesse contexto, apresentar contas equilibradas tornou-se também um argumento importante para o governo demonstrar que o Distrito Federal possui capacidade financeira para cumprir os compromissos assumidos.
“O DF tem condições de honrar o acordo e está demonstrando isso com um cenário fiscal favorável, sustentado pela combinação entre crescimento da arrecadação, controle das despesas e perspectiva de retorno ao superávit das contas públicas”, afirma Oliveira.
De R$ 6 bilhões no vermelho para R$ 3 bilhões no azul
A projeção ainda dependerá do comportamento das receitas e despesas até o encerramento do exercício, mas a fotografia atual é muito mais favorável do que aquela existente no primeiro trimestre.
Em março, o horizonte era de R$ 6 bilhões no vermelho.
Agora, a Secretaria de Economia trabalha com a possibilidade de fechar dezembro com pelo menos R$ 3 bilhões no azul.
Se os números se confirmarem, 2026 poderá terminar marcado por uma das mais rápidas reversões recentes nas projeções fiscais do Distrito Federal — uma mudança que pode representar mais capacidade de investimento, melhores condições para obtenção de crédito e maior margem financeira para o GDF nos próximos anos.
A virada já aconteceu nas projeções. O desafio agora é fazer os R$ 3 bilhões previstos no papel chegarem intactos ao fechamento das contas de dezembro.
