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Espaço do Sebrae na CASACOR Brasília 2026 aproxima artesanato do público e valoriza identidade do DF
O artesanato produzido no Distrito Federal ganhou, a partir desta quarta-feira, 12 de agosto, um espaço pensado não apenas para expor produtos, mas para mostrar ao público como eles podem fazer parte da vida cotidiana. Inaugurado na noite desta terça-feira, 11, durante a Avant Première da 34ª CASACOR Brasília, o Espaço Sebrae Feito à Mão reúne cerca de 45 profissionais do artesanato local, entre nomes que já participaram de outras edições e novos talentos.
A proposta deste ano parte de uma mudança na forma de apresentar as peças. Em vez de concentrar os produtos exclusivamente em uma loja, o ambiente foi dividido entre espaços de convivência e exposição comercial, permitindo que o visitante veja objetos artesanais inseridos em uma sala de estar, sala de jantar e cozinha antes de chegar à área de venda. A estratégia acompanha o tema da CASACOR Brasília 2026, “Mente e Coração”, que convida à reflexão sobre a casa como espaço de reconexão, acolhimento e bem-estar.
A 34ª edição da mostra será realizada até 12 de outubro, na Casa do Candango, na 603 Sul. São 50 ambientes assinados por 50 profissionais, entre arquitetos, designers de interiores e paisagistas veteranos e estreantes. O percurso proposto pela mostra explora diferentes formas de morar, com projetos que dialogam com a ideia de desacelerar e resgatar elementos considerados essenciais no cotidiano.
No Espaço Sebrae, essa discussão também aparece a partir do artesanato e da produção local. O arquiteto responsável pelo ambiente, Rick Hudson, participa pela primeira vez da criação do espaço.
A ideia amadureceu ao longo do último ano a partir de uma percepção sobre a relação entre o visitante e os objetos artesanais. Segundo o profissional, muitas vezes o público conhece a peça, mas não consegue imaginar como ela pode ser incorporada à própria casa. Por isso, o projeto foi concebido para criar duas experiências complementares: primeiro, a ambientação de produtos em espaços de uma residência; depois, a possibilidade de adquiri-los na loja.
“Eu gosto da loja, gosto dos produtos, mas acho que tem gente que, às vezes, vem aqui e não consegue visualizar o produto dentro de casa. Então, surgiu a proposta dos dois ambientes. É a primeira vez que o Sebrae, não só na CASACOR, mas aqui em Brasília e em nível nacional, tem um espaço com essa proposta”, explicou Rick.
A ambientação foi construída para que o visitante reconheça diferentes possibilidades de uso das peças. O filtro de água, por exemplo, deixa de ser apenas um objeto exposto e passa a integrar a composição de uma casa; a mesa posta permite visualizar jogos americanos, toalhas e outros itens em conjunto. Ao final do percurso, os mesmos produtos podem ser encontrados na loja.
A concepção do ambiente também exigiu um trabalho de curadoria realizado em conjunto com os artesãos. Segundo Rick, a organização das peças levou em consideração aspectos como materiais, peso, funcionalidade e origem de cada produto.
Outro aspecto incorporado ao projeto foi a identificação dos autores. As coleções foram organizadas de maneira a manter juntas as peças de cada artesão, com placas informativas e QR Codes direcionando para as redes sociais dos profissionais.
“Para valorizar o artesanato, precisamos saber de onde ele veio, qual a história dele e quem está por trás daquela peça. Então, este ano, além de setorizarmos os produtos, as coleções estão juntas e é possível saber de qual região do DF esse produto saiu”, afirmou Rick.
O gestor do projeto de artesanato no Sebrae no DF e analista da Gerência de Negócios em Rede, Felipe Fernandes, explica que a integração entre ambientação e comercialização foi um dos pontos considerados na concepção do espaço. “Entendemos que esse não é apenas um espaço de exposição, mas também um espaço de venda. E esse projeto integra muito bem esses dois ambientes para que os artesãos possam vender seus produtos”, analisou.
Para esta edição, o Sebrae também criou o espaço Novos Talentos, destinado prioritariamente a artesãos que nunca haviam participado da CASACOR e àqueles que trabalham com produtos menores. A iniciativa surgiu a partir da análise dos resultados de vendas das edições anteriores.

“Quando analisamos os relatórios de venda dos artesãos, percebemos que muitos, principalmente os que têm produtos maiores e de maior valor agregado, conseguem uma venda muito expressiva. Já os artesãos que têm produtos menores, com um ticket médio um pouco mais baixo, às vezes têm dificuldade de alcançar um volume de vendas expressivo. Então, neste ano, quisemos oportunizar esse espaço Novos Talentos, com uma condição especial de pagamento e um valor mais acessível”, acrescentou Felipe.
A presença na CASACOR também passou a ser trabalhada pelo Sebrae como uma oportunidade de posicionamento dos artesãos diante de um público específico, e não apenas como alternativa de comercialização.
“Não estamos simplesmente alugando um espaço de venda para o artesão. Aqui é uma oportunidade para ele se posicionar no mercado, chegar a um público muito específico, lançar novas coleções e se comunicar com quem, de fato, tem interesse em comprar o produto”, complementou o gestor.
Produtos que contam histórias de Brasília
A proposta também levou os artesãos a desenvolverem novas coleções especialmente para a mostra. Segundo Rick Hudson e Felipe Fernandes, boa parte das peças foi criada ou lançada com exclusividade para o ambiente, a partir de referências ao território e à identidade de Brasília.
As consultorias promovidas pelo Sebrae neste ano foram direcionadas à criação dessas coleções, orientando artesãos e manualistas a transformar referências da vida cotidiana da cidade em produtos. O resultado aparece em uma série de lançamentos inéditos apresentados pela primeira vez na mostra.

Essa identidade territorial também está presente na forma como os produtos são apresentados ao público. As placas de identificação trazem, além do nome de cada artesão, a região administrativa onde ele desenvolve seu trabalho. A proposta é mostrar que a produção artesanal do Distrito Federal não se concentra apenas nas referências do centro da capital, mas também incorpora identidades próprias de regiões como Vicente Pires e Guará.
A própria seleção de peças reflete esse movimento. Entre os produtos desenvolvidos especialmente para a CASACOR está a Coleção Casa Candanga, criada pela artesã e designer de estampas Lorene Neves, do Guará.
Há quatro anos participando do Espaço Feito à Mão do Sebrae na CASACOR, Lorene desenvolveu uma coleção inspirada no Museu Vivo da Memória Candanga. O trabalho começou com aquarelas produzidas por sua filha, Anita Celidônio, estudante de Arquitetura da Universidade de Brasília, que serviram de base para os padrões de estampas.
A partir dos desenhos, foram criados jogos americanos, toalhas e caminhos de mesa, guardanapos, capas de almofadas, aventais e porta-guardanapos. “Foi um divisor de águas estar presente numa importante vitrine de decoração e design, apresentando nosso trabalho autoral, feito à mão e inspirado no que Brasília tem de melhor a oferecer, arte, design e criatividade. Assim nasceu a Coleção Casa Candanga”, contou Lorene.
Entre os profissionais que retornam ao espaço está também Tiemi Okata, artesã de Santa Maria, que participa pela terceira vez do Espaço Feito à Mão. Seu trabalho com origami ganhou uma identidade própria a partir de elementos associados à paisagem de Brasília.

A coleção começou com a série Athos em Origami e, ao longo das participações na CASACOR, incorporou diferentes representações das árvores encontradas no Distrito Federal. Para 2026, Tiemi também preparou novas versões de referências arquitetônicas da capital.
“É a terceira vez dentro do Sebrae, Espaço Feito à Mão. A cada edição eu fui entendendo que a paixão do público por Brasília era intensa. Athos em Origami já era algo que encantava e, aos poucos, fui aumentando o leque de variações de árvores que encontramos em abundância no quadradinho”, relatou.
A produção exige planejamento, testes e aperfeiçoamento da técnica. Cada árvore é montada individualmente, o que mantém características únicas mesmo quando as peças fazem parte de uma mesma coleção.
“O origami é delicado e requer tempo desde a sua criação, que envolve estudo e testes. A parte da execução é otimizada a cada entrega. Cada vez mais ficamos mais rápidos, treinando e especializando cada par de mãos em um tipo de origami. Cada processo também é planejado e organizado para otimização do tempo. Mas, mesmo assim, não consigo enxergar os nossos quadros deixando de ser únicos, porque cada árvore sai diferente. São montadas uma a uma”, explicou Tiemi.
Nesta edição, o público poderá encontrar novamente o azulejo do Brasília Palace Hotel em origami e conhecer uma versão em miniatura do padrão Aeroporto, considerado pela artesã o trabalho mais complexo desenvolvido até agora. “Eu acredito que seja isso que encanta as pessoas, elas saberem que aquele quadro é o delas, único. Mesmo que outros apresentem o mesmo colorido. Eu desejo bater o recorde na edição 2026 e ser, novamente, a campeã de vendas”, afirmou.
Já a ceramista Juçara Rubem participa pelo quarto ano consecutivo do Espaço Sebrae Feito à Mão e, nesta edição, preparou uma coleção exclusiva para a CASACOR Brasília. Batizada de Athos em Outras Formas, a linha traduz elementos, formas e grafismos da obra de Athos Bulcão para objetos utilitários e decorativos produzidos artesanalmente em cerâmica.

“A proposta é levar a arte de Athos para dentro das casas, transformando seus elementos, formas e grafismos em peças que dialogam com o cotidiano de maneira afetiva e contemporânea”, explicou. Para a artesã, a participação na mostra também amplia as possibilidades de aproximação com arquitetos, designers, paisagistas e outros profissionais ligados ao mercado de interiores e decoração. “A presença do artesanato na CASACOR mostra todo o seu potencial para além do tradicional, apresentando a cerâmica artesanal como uma linguagem contemporânea, capaz de integrar projetos de interiores, arquitetura e paisagismo”, ponderou.
Preparação para o mercado
A participação na CASACOR é precedida por um processo de orientação e capacitação desenvolvido pelo Sebrae para os artesãos. Segundo o gerente de Negócios em Rede do Sebrae no DF, Carlos Cardoso, o trabalho busca conciliar a preservação das características autorais das peças com a compreensão sobre o comportamento do consumidor e as tendências do mercado.
“A cada ano, o Sebrae busca orientar e capacitar esses empreendedores que estão aqui, justamente para que eles produzam suas peças sem perder a originalidade e a criatividade, mas também desenvolvendo um olhar cada vez mais atento às tendências de consumo”, sustentou o gerente.

A preparação também envolve questões diretamente relacionadas à gestão do negócio, como análise dos insumos, custos de produção e formação do preço de venda.
“Às vezes, uma peça demora uma semana para ficar pronta. Ou seja, o artesão se dedicou durante uma semana inteira, mas acaba colocando uma precificação muito baixa. Então, orientamos esses empreendedores a precificar corretamente para que, em um evento como este, que terá uma grande circulação de pessoas até meados de outubro, eles possam, de fato, ter essa valorização. Mostramos que a questão não é preço, mas valor agregado”, pontuou Carlos.
A 34ª CASACOR Brasília permanece aberta ao público até 12 de outubro, na Casa do Candango, na 603 Sul. No Espaço Sebrae, a visita permite conhecer o trabalho de dezenas de artesãos do Distrito Federal, visualizar as peças aplicadas em ambientes de uma residência e conhecer os profissionais responsáveis por cada produção.