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Em Pequim, TCDF conhece complexo que transforma resíduos em energia e novos materiais

Publicado em: 15/10/2026 15:37

Em busca de experiências que possam contribuir para o aperfeiçoamento do controle externo e da gestão pública no Distrito Federal, a delegação do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) cumpriu na última quarta-feira (14), em Pequim, uma agenda dedicada à economia circular. O grupo conheceu o complexo de Chaoyang, onde resíduos são transformados em energia, biogás e novos materiais por meio de operações industriais monitoradas por sistemas de controle ambiental e operacional.

O roteiro foi realizado nas próprias fábricas, onde técnicos da Chaoyang Environment demonstraram equipamentos e apresentaram indicadores de desempenho. Durante a visita, representantes do TCDF acompanharam a movimentação de resíduos por pontes rolantes e garras mecânicas, os fornos, os sistemas de tratamento de gases e a central de controle. No local, painéis exibiam informações em tempo real, como temperatura, volume de resíduos processados e indicadores ambientais. Esses dados auxiliam o monitoramento da operação e podem servir de referência para a fiscalização de contratos públicos.

O complexo integra diferentes etapas do tratamento de resíduos, como reciclagem, processamento de materiais orgânicos, produção de biogás, geração de energia e incineração de rejeitos. Segundo dados apresentados à comitiva, as unidades do grupo têm capacidade para processar mais de 8 mil toneladas de resíduos por dia.

Resíduos orgânicos transformados em energia e biogás

Na unidade de tratamento de resíduos alimentares de Gaoantun, a comitiva conheceu uma estrutura com capacidade para processar até 800 toneladas por dia. O sistema transforma resíduos orgânicos em energia e biogás, com potencial de produzir 18,3 milhões de metros cúbicos por ano. Segundo dados apresentados durante a visita, o projeto também pode evitar a emissão de cerca de 38 mil toneladas de CO₂ equivalente anualmente.

Outro destaque foi o reaproveitamento das escórias resultantes da incineração. Após tratamento e beneficiamento, parte do material é transformada em peças utilizadas em calçadas e pavimentação. A solução reduz o volume de resíduos destinados a aterros e amplia o reaproveitamento dos materiais gerados pelo processo, observados os critérios técnicos e ambientais necessários para sua destinação.

Monitoramento ambiental e dados para o controle público

Os auditores do TCDF também acompanharam os painéis que monitoram as emissões atmosféricas das instalações. Nos registros de 13 de outubro, uma das linhas indicava concentração de material particulado de 5,96 mg/m³, abaixo do valor de referência de 20 mg/m³ exibido na tela; outra registrava 1,11 mg/m³. São dados pontuais, que não permitem, por si sós, concluir sobre a conformidade ambiental da operação. A demonstração mostrou, no entanto, como sensores e séries históricas podem facilitar o acompanhamento técnico e a identificação de desvios.

Aplicações possíveis para o Distrito Federal

A destinação dos resíduos sólidos já é objeto de fiscalização do TCDF. Na Decisão nº 5.195/2023, o Tribunal determinou ao Serviço de Limpeza Urbana (SLU) a realização de estudos sobre alternativas de tratamento e destinação, incluindo o aproveitamento energético, além de medidas para melhorar o compartilhamento de dados e estimular o reaproveitamento. O planejamento do SLU de 2024 a 2027 também prevê a redução progressiva do volume encaminhado ao Aterro Sanitário de Brasília.

A experiência observada oferece referências para o exame de indicadores como quantidade de resíduos efetivamente tratada, recuperação de materiais, energia produzida, emissões, custo por tonelada e desempenho dos contratos. A aplicação de qualquer tecnologia no DF exige estudos de viabilidade, licenciamento ambiental e atenção à redução, à reciclagem e ao trabalho das cooperativas de catadores. Não se trata de defender a reprodução do modelo chinês, mas de conhecer soluções e métodos de controle que possam subsidiar futuras auditorias e contribuir para o aperfeiçoamento da gestão de resíduos no Distrito Federal.

Texto por Anna Karolina Bezerra
Edição: Kelly Domingos

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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