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Em Brazlândia, associação e cooperativa de catadores recebem apoio do Sebrae para profissionalizar a gestão
Em uma área especial localizada na Vila São José, em Brazlândia, no caminho para a região popularmente conhecida como Rodeador, membros da Associação dos Catadores e Recicladores de Resíduos Sólidos de Brazlândia (Acobraz) e da Cooperativa de Trabalho de Reciclagem de Brazlândia (CRB) realizam, todos os dias, um trabalho que garante a destinação correta de materiais, evita a sobrecarga dos aterros sanitários e transforma o que seria descartado em fonte de renda e dignidade.
Nesse mesmo local, o Sebrae no Distrito Federal promoveu na última sexta-feira, 30 de outubro, um encontro de fortalecimento envolvendo cooperados e os associados de ambas as organizações. A iniciativa é uma das ações do projeto Pró-Catadores, meio pelo qual a instituição tem ofertado iniciativas de suporte às cooperativas locais.
O projeto é resultado de um acordo de cooperação técnica firmado entre o Sebrae Nacional e o Governo Federal e visa organizar a produção dos catadores, aprimorar as condições de trabalho e ampliar as oportunidades de inclusão social e econômica, além de fomentar mecanismos para assegurar a igualdade racial, de gênero e a diversidade na cadeia produtiva da reciclagem.
A atuação do Sebrae junto à Acobraz e à CRB foi iniciada em meados deste ano, com a aplicação de diagnóstico que mapeou gargalos na gestão e nos processos internos. Com base nesses dados, consultores credenciados pela instituição implementaram um plano de ação focado na modernização administrativa, abrangendo desde o saneamento das finanças e a estruturação de cobranças até a profissionalização da governança. O objetivo prático foi dotar os dirigentes de ferramentas para um controle rigoroso das contas, possibilitando a expansão dos contratos de coleta seletiva.
Além disso, outra mudança identificada e que já está em vigor é o novo modelo de distribuição das sobras, termo utilizado no cooperativismo para designar o resultado financeiro positivo do exercício, equivalente ao que empresas tradicionais chamam de lucro. Como as cooperativas não visam o lucro, esse excedente, após o pagamento de todas as despesas e obrigações, retorna aos cooperados de forma proporcional à sua participação e produção.

A divisão igualitária deu lugar a um sistema proporcional às horas trabalhadas e à assiduidade, estratégia que elevou a produtividade e o engajamento dos membros da associação e dos cooperados.
Por fim, o apoio do Sebrae por meio do projeto também visa promover a sensibilização dos cooperados e associados para a cultura do “sentimento de dono”, incentivando-os a assumir um papel ativo na gestão e no crescimento sustentável da cooperativa e da associação.
A Acobraz e a CRB são organizações complementares. Enquanto a associação se dedica à mobilização, à defesa de direitos sociais e à organização dos catadores, a cooperativa concentra a comercialização, a triagem em larga escala e a eficiência econômica do material reciclado.
Juntas, as duas organizações dividem a cobertura da coleta seletiva em Brazlândia e região, o que otimiza as rotas e a capacidade de recepção das usinas de triagem. A associação foi criada em 1998, enquanto a cooperativa surgiu em 2017.
A história de ambas as organizações envolve, atualmente, 32 pessoas, entre elas Marcone Pacheco. Atual presidente da CRB, um dos fundadores da Acobraz e testemunha ocular da maioria das transformações vivenciadas nos últimos anos, ele crê que o suporte do Sebrae no DF representa um divisor de águas e será capaz de fortalecer tanto a cooperativa quanto a associação. “Quando é algo que vem fortalecer a nossa atuação, é sempre muito bom”, afirmou.

Marcone explicou que as instituições têm como meta a curto prazo aumentar o trabalho de triagem e, com isso, elevar gradualmente a renda dos catadores que já atuam nas organizações. Além disso, ele espera poder contratar mais pessoas. “São muitas as pessoas que vêm até aqui, na nossa sede, em busca de emprego. No momento, nós não temos como abrir novas vagas, porque é preciso melhorar os nossos processos. Com esse apoio do Sebrae e as medidas que estamos implementando, espero que logo seja possível aumentar o volume de triagem e contratar mais”, comentou.
Outra pessoa a ter uma relação com as organizações é Ivanilde Soares. Ela tem uma trajetória de 16 anos na reciclagem e atualmente ocupa a cadeira de presidente da Acobraz, além de responder pela área administrativa da CRB.
Devido a essa experiência, a dirigente foi um ponto focal para o Sebrae no DF, colaborando desde o diagnóstico até a implementação das propostas de mudanças trazidas pelas consultorias. Ela destacou o aprendizado com as planilhas de controle, instrumento que o grupo não dominava e que passou a organizar a rotina das duas estruturas.
“Todo o trabalho que o Sebrae está fazendo com a gente está sendo bom. As planilhas, por exemplo, eram algo que nós não sabíamos como fazer, e que está nos ajudando na compreensão de muitos processos. É um acompanhamento que tem efeito prático no dia a dia e continuará sendo fundamental para a associação e a cooperativa”, pontuou.

Entre os resultados já observados, a dirigente citou também a elaboração de um projeto para recuperar a esteira e a prensa, equipamentos que atualmente estão quebrados e limitam o trabalho dos catadores.
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