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Educação empreendedora transforma escolas e inspira comunidades em Pirenópolis
Por muitos anos, falar em empreendedorismo dentro da escola parecia algo distante da realidade da educação pública no Brasil, principalmente em pequenos povoados do interior. Em Pirenópolis, no Centro-Leste do estado, no entanto, essa ideia ganhou outro significado. O empreendedorismo deixou de ser apenas um conceito ligado a empresas e negócios e passou a fazer parte do cotidiano das crianças, das famílias e das comunidades escolares. Hoje, projetos desenvolvidos dentro das escolas municipais mostram que aprender também pode significar plantar, cuidar, criar, vender, compartilhar e transformar realidades.
Na Escola Municipal Santo Antônio, localizada no povoado de Santo Antônio, a educação empreendedora já faz parte da identidade da instituição. Pioneira na aplicação do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), a escola chega ao terceiro ano consecutivo de desenvolvimento das atividades e se tornou referência dentro da rede municipal. O ambiente escolar ganhou novos significados a partir de iniciativas que conectam o conteúdo pedagógico com a vida prática dos alunos.
Entre os projetos desenvolvidos estão a Horta Empreendedora, o Berçário de Mudas do Cerrado, o Desafio do R$1,00, a Feira do Jovem Empreendedor e o já conhecido Feirão do Tonhão. Mais do que atividades complementares, as ações passaram a integrar o processo de aprendizagem das crianças, despertando senso de responsabilidade, criatividade e pertencimento.
É justamente essa conexão entre teoria e prática que chama atenção de quem acompanha o trabalho das instituições de ensino. Os estudantes aprendem matemática enquanto organizam vendas nas feiras, desenvolvem consciência ambiental ao cultivar mudas do cerrado e trabalham educação financeira de forma simples e acessível. Tudo isso sem perder a essência da infância e da vivência comunitária.
A superintendente Pedagógica da Rede Municipal de Educação e Cultura de Pirenópolis, Régia Diniz, destaca que o grande diferencial da educação empreendedora está em dar sentido ao aprendizado. Segundo ela, quando a criança percebe que aquilo que aprende pode impactar sua própria vida e a comunidade onde vive, a escola ganha um novo significado.
“O JEPP trouxe para dentro das nossas escolas algo essencial: sentido para o aprendizado. Percebemos estudantes mais participativos, criativos, protagonistas e capazes de pensar soluções para problemas reais”, afirma.
A proposta ganhou tanta força dentro da rede municipal que, atualmente, a metodologia foi ampliada para todas as escolas do município. A iniciativa também conversa diretamente com o projeto “Pirenópolis é uma Grande Sala de Aula”, que busca transformar os diferentes espaços da cidade em ambientes de aprendizagem.
Outro ponto que emociona professores e famílias é perceber como as crianças passam a enxergar o próprio potencial. Muitos alunos começam tímidos, inseguros, mas aos poucos desenvolvem autonomia, comunicação e iniciativa. Pequenas atitudes dentro da escola acabam refletindo dentro de casa e na convivência comunitária.
Na prática, a educação empreendedora em Pirenópolis mostra que ensinar vai muito além de transmitir conteúdos. É despertar sonhos, estimular habilidades e ajudar crianças a acreditarem que podem construir caminhos diferentes para o futuro.
Novas perspectivas
Se por um lado a Escola Santo Antônio se destaca pelo protagonismo comunitário, por outro a Escola Municipal Benedito Camargo mostra como a educação empreendedora também pode caminhar lado a lado com o desempenho escolar. A unidade, que está no segundo ano de aplicação do JEPP, tornou-se referência no programa Leia, iniciativa do governo de Goiás que reconhece escolas com destaque nos índices de alfabetização e no fortalecimento da aprendizagem nos anos iniciais.
O resultado não surgiu por acaso. Professores, gestores e famílias passaram a compreender que o aprendizado ganha mais força quando o aluno encontra significado no que faz. Dentro da metodologia empreendedora, a leitura, a escrita, a interpretação e a comunicação deixam de ser apenas tarefas obrigatórias e passam a fazer parte de experiências reais vividas pelos estudantes.
Segundo Régia Diniz, a educação empreendedora fortalece todas as áreas do conhecimento justamente porque desenvolve competências que atravessam todo o processo de aprendizagem. Para ela, quando a criança aprende com propósito, o envolvimento acontece de maneira muito mais natural.
“Na alfabetização, por exemplo, a criança lê, escreve, interpreta e comunica porque aquilo faz sentido para ela. O programa LEIA e as práticas empreendedoras caminham juntos justamente porque ambos colocam o estudante no centro do processo educativo”, explica.
O reconhecimento recebido pelas escolas Santo Antônio e Benedito Camargo reforça essa transformação. As unidades receberam a placa de Escola Empreendedora Parceira do Sebrae, reconhecimento concedido às instituições que se destacam na aplicação das soluções de educação empreendedora. Mais do que um título simbólico, a homenagem representa o esforço coletivo de professores, coordenadores, estudantes e famílias.
Para Rita Queiroz, analista do Sebrae Goiás, o caso das escolas mostram como metodologias inovadoras podem contribuir diretamente para a melhoria do ensino. “Nós entendemos que a educação empreendedora complementa o processo de aprendizagem. Quando a criança desenvolve criatividade, responsabilidade, comunicação e trabalho em equipe, isso também impacta positivamente no desempenho escolar”, afirma.
Outro fator considerado essencial para os resultados alcançados é o envolvimento da comunidade. Em Pirenópolis, as escolas deixaram de atuar isoladamente. Pais, moradores e lideranças locais passaram a participar das ações, fortalecendo os vínculos entre educação e território.
Esse movimento cria um sentimento coletivo de pertencimento. As crianças entendem que aquilo que desenvolvem dentro da escola possui valor real para a comunidade onde vivem. E talvez seja exatamente esse um dos maiores diferenciais do trabalho realizado no município: transformar o aprendizado em algo vivo, próximo e conectado à realidade.
Régia Diniz acredita que o destaque conquistado por Pirenópolis no Programa Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE), onde o município alcançou o segundo lugar estadual, está diretamente ligado ao comprometimento das pessoas envolvidas no processo. “Tivemos escolas comprometidas, professores que acreditaram na proposta, estudantes protagonistas e uma rede que compreendeu que educar vai muito além do conteúdo”, destaca.
A fala resume bem o que acontece nas escolas do município. Não se trata apenas de ensinar empreendedorismo, mas de formar crianças mais conscientes, criativas e preparadas para enfrentar desafios futuros.
Futuro da educação

A transformação observada em Pirenópolis não acontece apenas no ensino fundamental. Ela começa ainda nos primeiros anos da infância. Durante o acompanhamento das ações educacionais do município, a Creche Criança Cidadã também chamou atenção por desenvolver atividades voltadas aos comportamentos empreendedores com crianças entre dois e três anos de idade.
Mesmo sem aplicar diretamente uma solução específica do Programa Educação Empreendedora do Sebrae, a unidade trabalha aspectos fundamentais para o desenvolvimento humano, como autonomia, cooperação, criatividade, curiosidade e convivência coletiva. E isso, segundo especialistas da área, já representa um passo importante na construção de competências empreendedoras.
Ao observar as atividades desenvolvidas com as crianças, fica evidente como pequenos gestos podem influenciar o futuro. Aprender a compartilhar brinquedos, cuidar dos colegas, resolver pequenos conflitos e explorar o ambiente ao redor faz parte de um processo silencioso, mas essenciais ao desenvolvimento de cada criança.
Para Régia Diniz, trabalhar essas habilidades na primeira infância é investir diretamente na formação integral das crianças. “O comportamento empreendedor começa nas pequenas atitudes. Quando a educação infantil é intencional e afetiva, os impactos acompanham a criança por toda a vida”, afirma.
Essa visão também é compartilhada pelo Sebrae Goiás. Rita Queiroz explica que o empreendedorismo na educação não está relacionado apenas à criação de negócios, mas ao desenvolvimento de capacidades humanas essenciais para a vida em sociedade.
“O programa busca desenvolver protagonismo, criatividade, liderança, responsabilidade, comunicação e resolução de problemas. Também incentivamos cooperação, empatia e pensamento sustentável”, destaca.
Outro ponto importante dentro desse processo é a presença constante da parceria entre o Sebrae Goiás e a Prefeitura de Pirenópolis. Segundo a gestão municipal, o apoio técnico e pedagógico oferecido pela instituição foi fundamental para consolidar a cultura empreendedora dentro da rede pública.
A parceria possibilitou formações, acompanhamento pedagógico e fortalecimento das práticas educacionais já existentes no município. Mais do que implantar projetos isolados, o objetivo passou a ser construir uma educação mais conectada com o futuro e com a realidade local.
Dentro desse cenário, o envolvimento das equipes do Sebrae também ganhou destaque. O acompanhamento próximo às escolas, inclusive em regiões que não possuem Sala do Empreendedor ou Pontos de Atendimento Presencial (PAP), demonstra uma preocupação em levar oportunidades e desenvolvimento para diferentes comunidades do interior goiano.
O gerente da Regional Centro-Leste do Sebrae Goiás, Sérgio Monturil, reforça que aproximar a educação empreendedora dos pequenos municípios significa investir diretamente no desenvolvimento social das regiões. “Levar a educação empreendedora para municípios e comunidades mais distantes é fortalecer oportunidades onde elas mais precisam acontecer. Quando escola, comunidade e instituições caminham juntas, o impacto transforma o presente e amplia as perspectivas de futuro das crianças”, destaca.
Segundo ele, o trabalho realizado em Pirenópolis mostra que, quando existe união entre gestão pública, professores e instituições parceiras, os resultados aparecem de forma concreta na vida das crianças, futuros empreendedores.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Centro-Leste | Anápolis: Agência Entremeios Comunicação / Leidiana Batista – (62) 9862-66155
Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.
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