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Dourado Lácteos: o salto do artesanal à indústria
O que começou como uma produção artesanal se transformou em uma indústria de laticínios com autorização para comercializar em todo o país. Aos 43 anos, Pedro Júnior é o nome à frente da Dourado Lácteos, empreendimento localizado no município de Pedra, no Agreste pernambucano, que vem se consolidando no setor a partir de um processo gradual de profissionalização.
A história do negócio começa em 2010, quando Júnior iniciou a produção de forma simples, como microempreendedor individual (MEI). Durante anos, manteve a atividade de maneira artesanal, com limitações tanto na escala quanto na comercialização. A virada começou a tomar forma em 2017, quando ele buscou apoio para regularizar e estruturar o negócio.
O contato com o Sebrae surgiu por meio de uma associação local e marcou o início de uma parceria que se estende até hoje. Com o suporte da instituição, que subsidiou parte dos custos e intermediou esse processo, foi possível avançar nas adequações sanitárias e burocráticas necessárias para a regularização do negócio. “Tem muita exigência, principalmente para quem é pequeno. O Sebrae teve uma participação essencial para que a gente conseguisse se organizar e se registrar”, afirma.
À medida que o negócio amadurecia e, de olho nas exigências do mercado, Júnior decidiu investir na industrialização da produção. A mudança se consolidou em 2023, quando a Dourado Lácteos passou a operar em um novo modelo, com maior capacidade produtiva e diversificação de itens, como requeijão, ricota, doce de leite e muçarela. Atualmente, a empresa conta com 32 colaboradores diretos e mais de 300 indiretos, e a produção chega a uma média de 25 mil litros de leite por dia. “Tem que acompanhar o que o mercado exige, senão não vende. O modelo industrial permite trabalhar com mais volume e mais variedade de produtos”, resume.
Uma das conquistas mais recentes e importantes dessa trajetória foi a obtenção do Selo de Inspeção Federal (SIF), que permite a comercialização dos produtos em todo o território nacional. Com a regularização e a ampliação da estrutura, os resultados começaram a aparecer. Segundo Pedro, houve crescimento significativo na produção e na demanda, consolidando a marca no mercado. O faturamento, que antes girava em torno de R$ 400 mil, passou a se aproximar de R$ 2 milhões por mês. “Antes, se mandasse para outro estado, o produto podia até ser apreendido. Hoje a gente pode vender para qualquer lugar do Brasil”, destaca o empreendedor.
Além da atuação na indústria, o empreendedor também investe no fortalecimento da economia local. Há cerca de quatro anos, ele criou o Pedra AgroShow, evento que começou como um concurso de queijos e hoje se consolidou como um ponto de encontro do agronegócio, reunindo produtores, empresas e expositores em torno de palestras, rodadas de negócios e apresentação de tecnologias.
De pouco mais de 30 participantes nas primeiras edições, o evento passou a contar com cerca de 70 expositores e mais de 100 produtos inscritos, evidenciando o crescimento. A iniciativa também valoriza a tradição leiteira da região, com destaque para a produção do que já foi considerado o maior queijo de coalho do mundo, com cerca de 2.960 quilos, produzido pelo próprio Júnior.
Quando perguntado sobre o futuro, o empresário mantém uma visão cautelosa, mesmo com as conquistas recentes. Para ele, o foco está na continuidade do trabalho e na qualidade dos produtos. “Nosso ramo é muito instável: uma hora você está bem, outra pode não estar. O importante é seguir colocando produto de qualidade no mercado”, conclui.