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Dor de barriga não dá só uma vez: trairagem de Cristiano Araújo repercute ao esconder o 11 apesar de ser apoiado por Celina

Publicado em: 01/10/2026 08:42

Candidato do MDB posa ao lado de Celina, foi lançado politicamente com o apoio da governadora e integra sua base, mas material de campanha prioriza o próprio número e deixa o 11 fora da vitrine

 

Na política, existem alianças que aparecem no palanque.

 

E existem alianças que aparecem também na hora de pedir voto.

 

Pelo menos no caso de Cristiano Araújo, uma coisa parece não estar acompanhando a outra.

 

O candidato a deputado distrital pelo MDB aparece ao lado da governadora Celina Leão, participa de eventos da base e mantém proximidade política com o grupo que disputa a reeleição.

 

Mas há um pequeno detalhe que chama atenção de quem recebe seu material de campanha:

 

cadê o 11?

 

O número de Celina não aparece com destaque no material eleitoral de Cristiano.

 

A situação virou munição para críticas dentro do próprio campo político da governadora, especialmente porque Cristiano não é um desconhecido da administração.

 

Ele foi secretário de Turismo durante os dois governos de Ibaneis Rocha e deixou a pasta para disputar uma vaga na Câmara Legislativa.

 

No palanque, parceria. No santinho, cada um por si

 

A imagem pública é de proximidade.

 

Cristiano participou de atos com Celina.

 

No lançamento de sua campanha, em setembro, a governadora esteve ao lado dele, juntamente com Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Rafael Prudente, em um evento que reuniu milhares de apoiadores.

 

E não foi uma fotografia isolada.

 

A agenda política dos dois continuou depois do lançamento.

 

Na reta final, Cristiano aparece inclusive entre os compromissos da governadora em encontro político realizado com Rafael Prudente.

 

Então fica a pergunta que incomoda:

 

se a parceria é tão boa no palanque, por que o 11 desaparece justamente quando chega a hora de pedir voto?

 

É aí que começa a brincadeira — e também a cobrança política.

 

O número que parece ter virado tabu

 

Celina concorre ao Governo do Distrito Federal com o número 11.

 

Cristiano Araújo disputa uma vaga de deputado distrital com o número 15015.

 

Até aí, tudo absolutamente normal.

 

Cada candidato tem seu número e precisa divulgá-lo.

 

O problema apontado pelo Radar DF é outro: o material de campanha de Cristiano não destacaria o número da governadora, apesar de ele integrar o grupo político que sustenta a candidatura de Celina.

 

É como se a matemática eleitoral tivesse produzido uma regra bastante conveniente:

 

o meu número aparece em letras garrafais; o seu, se der, fica para depois.

 

Para quem está na disputa proporcional, a lógica é compreensível: cada voto conta.

 

Mas política também é reciprocidade.

 

Quem pede voto para si e para sua chapa precisa decidir se está disposto a dividir o espaço do santinho.

 

Celina ajudou a lançar a candidatura

 

Outro elemento torna a situação ainda mais curiosa.

 

Cristiano não começou sua campanha como um estranho ao grupo de Celina.

 

A governadora participou do lançamento de sua candidatura e apareceu publicamente ao lado do candidato.

 

Cristiano também construiu sua trajetória recente dentro do governo do Distrito Federal.

 

Segundo seu próprio material de campanha, ele deixou a Secretaria de Turismo em março de 2026 para disputar novamente uma cadeira na Câmara Legislativa.

 

Ou seja: não é alguém que chegou ontem ao grupo político.

 

É justamente por isso que a ausência do 11 chama atenção.

 

A velha política do “cada um por si”

 

Na reta final de uma eleição proporcional, cada candidato quer garantir seus próprios votos.

 

Isso é natural.

 

A disputa por 24 cadeiras da Câmara Legislativa é dura.

 

Cristiano, inclusive, já conhece o caminho.

 

Foi eleito deputado distrital em 2006, 2010 e 2014 e voltou a disputar eleições para a CLDF em 2018 e 2022, quando ficou como suplente.

 

Agora tenta retornar ao Legislativo.

 

É uma eleição importante para ele.

 

Mas, quando um candidato está inserido em uma chapa ou grupo político, surge uma questão elementar:

 

a vitória é individual ou coletiva?

 

Se a resposta for coletiva, o número da cabeça da chapa deveria viajar junto.

 

O cálculo que ninguém admite

 

Existe ainda uma leitura política — e aqui entramos claramente no terreno da opinião.

 

Quanto mais perto Celina estiver de liquidar a eleição no primeiro turno, menor é o espaço para negociações posteriores.

 

Uma eleição em dois turnos cria uma segunda rodada de negociações, alianças e acertos.

 

Uma vitória no primeiro turno encerra tudo no dia 4.

 

O próprio Radar DF levanta essa interpretação ao sugerir que alguns aliados poderiam ter interesse em prolongar a disputa. Trata-se, porém, de uma avaliação política, e não de algo que possa ser atribuído como intenção comprovada a Cristiano Araújo sem evidências adicionais.

 

E aí está o ponto interessante:

 

se Celina vencer logo no primeiro turno, acabou a temporada de barganha eleitoral.

 

Não existe segunda rodada.

 

Não existe novo palanque.

 

Não existe novo lote de negociações para outubro.

 

A urna fecha a conta.

 

Mas quem pede voto precisa mostrar de que lado está

 

Cristiano pode perfeitamente pedir voto para si.

 

É candidato.

 

Tem número próprio.

 

Tem projeto político.

 

Tem direito de construir sua campanha da maneira que considerar adequada.

 

Mas a política também é feita de sinais.

 

E esconder o número da governadora, enquanto posa ao lado dela e integra sua base, produz inevitavelmente uma pergunta:

 

é aliado de Celina até a urna ou somente até a fotografia?

 

Essa é uma pergunta política.

 

E o eleitor tem todo o direito de fazê-la.

 

Celina não precisa de favor. Mas aliado precisa ser aliado

 

A governadora chega à reta final da eleição liderando as pesquisas e em cenário de possível vitória no primeiro turno.

 

Isso torna ainda mais curioso o comportamento de alguns integrantes de sua própria base.

 

Porque, se Celina realmente está tão forte quanto indicam os levantamentos, seria de esperar que seus aliados aproveitassem a onda.

 

É a velha lógica eleitoral:

 

se o barco está andando, todo mundo quer aparecer no convés.

 

Mas não adianta aparecer na fotografia e esconder a bandeira.

 

Na campanha, lealdade política também se mede pelo que se coloca — ou não se coloca — no material que chega à mão do eleitor.

 

No domingo, a urna não esquece

 

Cristiano quer voltar à Câmara Legislativa.

 

Celina quer continuar no Buriti.

 

Os dois precisam de votos.

 

Um precisa do 15015.

 

A outra precisa do 11.

 

A diferença é que Cristiano aparece publicamente ao lado de Celina, enquanto o material de campanha apontado na denúncia política simplesmente não dá ao número dela o mesmo destaque.

 

Pode ser estratégia.

 

Pode ser opção de marketing.

 

Pode ser preocupação exclusivamente com a própria candidatura.

 

Ou pode ser apenas aquele velho instinto eleitoral de “cada um cuida do seu”.

 

O eleitor, naturalmente, fará sua própria leitura.

 

Mas fica o registro:

 

na política, fotografia de palanque é bonita. O que vale mesmo é o que o candidato faz quando está sozinho diante do eleitor — e quando precisa decidir se divulga o número do aliado ou esconde a placa.

 

Porque, no fim, existe uma pergunta que o santinho não consegue esconder:

 

Cristiano Araújo está com Celina até o fim ou só até a foto?

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