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Do campo à merenda escolar: agricultores familiares ampliam mercado com apoio do Sebrae
Na Fazenda Marcação, zona rural de São Miguel dos Campos, a rotina da agricultora Anadege Pereira mudou junto com o destino da produção cultivada em sua propriedade. Produtora de batata-doce e macaxeira, ela passou anos plantando sem a garantia de que conseguiria comercializar os alimentos. Hoje, sua produção abastece o cardápio das escolas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O resultado foi alcançado com o apoio do Sebrae Alagoas que tem desenvolvido um trabalho para aproximar os agricultores familiares da gestão pública.
Antes da iniciativa, o cultivo era acompanhado pela incerteza. Sem um mercado definido, parte da produção era doada ou vendida de forma eventual nas feiras livres, sem garantia de renda. “A gente até plantava, mas não tinha para quem vender. Muitas vezes acabava doando os alimentos ou tentando comercializar na feira. Parte dos agricultores desanimavam porque não encontravam mercado”, relembra Anadege.
A realidade começou a mudar quando os produtores do município passaram a receber acompanhamento técnico voltado tanto para o aprimoramento da produção quanto para o acesso às compras públicas. Com orientações sobre plantio, adubação e organização da produção, os agricultores passaram a atender às exigências necessárias para fornecer alimentos ao PNAE.
Hoje, Anadege vê na agricultura uma atividade mais segura e capaz de gerar renda para sua família. “Hoje forneço meus produtos para o PNAE e isso foi uma grande bênção para nós. Agora conseguimos vender por um preço justo, oferecer alimentos de qualidade para as escolas e temos a certeza de que vamos receber pelo nosso trabalho. A tendência é melhorar cada vez mais. É motivo de gratidão ver o quanto nossa agricultura está evoluindo com esse apoio”, compartilha.

Compras públicas como oportunidade para o campo
Durante três meses, o município de São Miguel dos Campos recebeu a consultoria em Compras Estratégicas do PNAE, desenvolvida pelo Sebrae Alagoas, com o objetivo de tornar o processo de compras públicas mais acessível e alinhado à realidade dos produtores rurais.
A iniciativa permitiu ampliar a participação de cooperativas, grupos informais e agricultores familiares no fornecimento da alimentação escolar, criando novas oportunidades de comercialização para quem produz raízes, leguminosas, frutas, verduras e hortaliças. A chamada pública do município também passou a contemplar um grupo informal de mulheres produtoras de bolos.
Segundo o secretário de Agricultura de São Miguel dos Campos, Wellington Silva, a consultoria contribuiu para aproximar todos os atores envolvidos no processo e tornar a política pública mais eficiente.
“A consultoria foi fundamental para articular agricultores, cooperativas e as equipes da Educação, Administração e Agricultura. Isso permitiu ampliar o conhecimento sobre a política pública, melhorar o fluxo dos processos e tornar a tomada de decisão mais eficiente. Apesar de a chamada pública já estar em andamento, o processo passou a ocorrer com mais agilidade e os produtores ficaram mais preparados e organizados para atender às normas e exigências legais”, destaca.

Fortalecimento da agricultura familiar
A agricultura familiar representa 77% das propriedades rurais brasileiras. Em Alagoas, mais de 82 mil estabelecimentos pertencem à agricultura familiar, simbolizando 84% das propriedades rurais do estado, segundo o Censo Agropecuário de 2017. O segmento movimenta cadeias produtivas importantes, como apicultura, avicultura, fruticultura, produção de grãos, raízes e tubérculos, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao acesso ao mercado.
Nesse contexto, o Programa Nacional de Alimentação Escolar cumpre um importante papel ao garantir mercado para parte da produção da agricultura familiar, ao mesmo tempo em que assegura alimentos frescos para os estudantes da rede pública.
Para ampliar essa participação, o Sebrae Alagoas desenvolve a consultoria em Compras Estratégicas do PNAE, que atua tanto com a gestão municipal quanto com os agricultores.
O trabalho começa pelo alinhamento entre as secretarias de Educação e Agricultura para aproximar o planejamento da merenda escolar da vocação produtiva de cada município. Em seguida, os produtores recebem orientações sobre documentação, participação nas chamadas públicas, contratação e funcionamento dos processos de pagamento.
Segundo a analista do Sebrae Alagoas, Tatiana Eighler, a proposta é desenvolver um trabalho que beneficie os agricultores, os municípios e os estudantes. “Atuamos com as equipes de Educação e Nutrição para construir cardápios alinhados à vocação produtiva do município. Depois, identificamos, junto à Secretaria de Agricultura, quem são os produtores locais e o que eles cultivam. Também capacitamos esses agricultores para que saibam participar das chamadas públicas e fornecer alimentos para a alimentação escolar. Com isso, fortalecemos a economia local, ampliamos a participação da agricultura familiar nas compras públicas e garantimos uma merenda escolar mais saudável, com produtos cultivados na própria região”, explica.
Além de ampliar a renda dos produtores, a iniciativa contribui para movimentar a economia local, desenvolver o município e garantir que alimentos produzidos na região cheguem diariamente às escolas da rede pública.