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Dia da Árvore: O chão onde a monguba plantou prosperidade
Exóticas “flores de pincel” pintaram bons momentos da infância das irmãs Fernanda e Renata. Grandes, solitárias e com pétalas longas, essas flores preparavam frutos que imitavam cacau. Eram os frutos da monguba, árvore considerada por alguns países orientais como um símbolo da prosperidade e boa sorte. É em um pé de monguba que Fernanda, com cinco anos, e Renata, com sete, empoleiram-se, nesta foto, com sorrisos sapecas.
(Foto: Arquivo pessoal/Foto original)
“Subir em árvore sempre foi uma grande diversão para minhas filhas Renata e Fernanda. Elas passavam horas brincando”, conta, nostálgica, a economista Katia Kintschner, mãe das meninas, hoje adultas. A árvore da infância das irmãs era a monguba, brotada no quintal da casa que Katia e o marido compraram quando se casaram. A espécie dá um fruto comestível parecido com cacau e, por isso, é conhecido popularmente como “falso cacau”. A família, no entanto, só descobriu essa curiosidade depois que já não havia mais a monguba no quintal.
Antes de ser cortada, a árvore não só possibilitou diversão às meninas, mas também protagonizou histórias, como a dos morcegos albinos, e despertou olhares tortos de crendices. “Certa vez, quando fui podar essa árvore, saíram de lá dois morcegos albinos. Eles moravam lá. Não sei se eles representavam algum perigo, mas ficavam lá entre as folhas, muito bem escondidos”, lembra.

(Foto: Arquivo pessoal)
Katia conta que, um dia, alguém falou algo sobre a má sorte do pé de monguba. “Não sei como alguém pode dizer que essa árvore dá azar!”, admira-se a economista. A desconfiança é uma injustiça para uma árvore que, do outro lado do mundo, é considerada símbolo de prosperidade. Passado algum tempo, a monguba acabou sendo cortada.
No chão onde brotou e cresceu, a monguba cultivou fartura. No lugar da antiga árvore, a família plantou uma laranjeira-lima, dois coqueiros e uma goiabeira. “Dava tanta, tanta laranja-lima… era uma raridade ter no quintal de casa um pé tão carregado de laranjas”, recorda-se Katia. Dos coqueiros, cada cacho rendia, em média, vinte cocos; da goiabeira, havia frutos o ano inteiro. Terra fértil de frutos e memórias.
