Compartilhar
Desemprego perde força como motor do empreendedorismo no Brasil, aponta pesquisa GEM 2025
O empreendedorismo brasileiro está mudando de motor. Pela primeira vez desde que a Global Entrepreneurship Monitor (GEM) começou a medir de forma detalhada os motivos que levam alguém a abrir o próprio negócio, a justificativa ligada à falta de emprego atingiu o menor patamar da série histórica. No mesmo movimento, dispararam as motivações associadas à construção de patrimônio e à continuidade de negócios de família. É o que mostra a GEM 2025 sobre o comportamento do empreendedor iniciante brasileiro.
A proporção de brasileiros que afirmaram ter aberto um negócio porque “os empregos são escassos” caiu para 71% em 2025, ante 74% em 2024. É a menor marca já registrada neste indicador. Em 2019, esse mesmo item aparecia com 88,4% das menções entre os empreendedores iniciais, uma queda de mais de 17 pontos percentuais em seis anos. Importante destacar que a GEM trabalha com questão de múltipla escolha: o entrevistado pode indicar mais de uma motivação ao mesmo tempo, o que explica por que diferentes itens podem registrar percentuais altos simultaneamente.

O movimento se confirma quando se olha a dicotomia clássica da pesquisa, que separa quem empreende por oportunidade de quem empreende por necessidade. O empreendedorismo por necessidade recuou de 44,7% em 2024 para 42% em 2025. Já a proporção de quem abriu negócio por oportunidade cresceu de 55% para 58% no mesmo intervalo.
A pesquisa GEM é realizada no Brasil desde 2000 e, a partir do ciclo de 2022, passou a ser conduzida pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), em colaboração com o Sebrae. Nesta edição, foram ouvidos 2.350 adultos brasileiros entre junho e agosto de 2025, dentro de uma amostra que envolveu 53 países.
Ambição segue em patamar recorde
Se o desemprego perde força como motor, ganham espaço motivações ligadas a projeto de vida e patrimônio. A motivação para “construir grande riqueza ou renda muito alta” foi mencionada por 69% dos empreendedores iniciais em 2025, mesmo índice registrado em 2024. Em 2019, esse mesmo indicador aparecia com apenas 37% das menções, uma diferença de 32 pontos percentuais em seis anos.
Segundo o Relatório Executivo da GEM 2025, “esses resultados indicam uma mudança gradual na dinâmica do empreendedorismo no Brasil nos últimos anos, marcada pela perda de relevância do desemprego como principal motivador e pelo fortalecimento de motivações associadas à ambição, ao propósito e à busca por melhores oportunidades econômicas”.
O propósito também segue firme. A afirmação “fazer diferença no mundo” foi mencionada por 76% dos empreendedores iniciais em 2025, praticamente o mesmo índice de 2024, colocando o Brasil na quinta posição mundial entre os 53 países pesquisados.
Legado familiar bate recorde e sobe no ranking global
O dado mais expressivo da mudança de perfil, no entanto, vem da motivação “continuar uma tradição familiar”. Em apenas um ano, o índice saltou de 35% em 2024 para 46% em 2025, mais de dez pontos percentuais, o maior já registrado pela pesquisa nesse indicador. O avanço fez o Brasil subir da 15ª para a 10ª posição mundial nesse quesito.
O crescimento sugere um movimento de sucessão empresarial: filhos e netos assumindo negócios criados pela geração anterior, e a profissionalização de atividades que já eram tocadas informalmente por famílias brasileiras. Em 2019, essa motivação era mencionada por apenas 27% dos empreendedores iniciais. O salto acumulado em seis anos chega a 19 pontos percentuais.

A soma desses movimentos reposiciona o perfil de quem toca um negócio novo no Brasil. Se durante boa parte da década passada o empreendedor iniciante era descrito principalmente como alguém que abria uma empresa por falta de alternativa no mercado formal, o quadro atual mostra uma composição mais híbrida, em que ambição, propósito e legado pesam tanto quanto a necessidade.
Esse novo desenho aparece também em outros indicadores da pesquisa. Entre os empreendedores iniciais brasileiros, 34% têm mais de 45 anos, a maior proporção já registrada pela série histórica, movimento que pode refletir tanto a entrada de profissionais mais experientes no empreendedorismo ou reflexo do envelhecimento da população brasileira. Além disso, 56% afirmaram que abrir uma empresa ficou mais fácil em 2025 do que no ano anterior, e 47% disseram ter expectativas mais positivas para o crescimento do próprio negócio.
Contexto ainda impõe limites
Apesar da leitura mais otimista sobre a motivação, o ambiente brasileiro ainda apresenta obstáculos que dificultam a transformação do desejo em empresa consolidada. A taxa total de empreendedorismo no Brasil recuou de 33% para 32% em 2025, sinal de que o entusiasmo não se converte automaticamente em negócios abertos.
Os 55 especialistas em empreendedorismo ouvidos pela GEM apontaram como principais gargalos o difícil acesso ao crédito para empresas em estágio inicial, os custos de entrada no mercado, o excesso de burocracia, a dificuldade de acesso à tecnologia de ponta e a fragilidade da educação empreendedora no ensino fundamental e médio.
No índice NECI, que mede a qualidade do contexto empreendedor, o Brasil ocupa a 44ª posição entre os 53 países avaliados, com avanço de quatro posições em relação ao levantamento de 2021, mas ainda distante do topo.
O empreendedor brasileiro chega a 2025 com uma cabeça diferente da que tinha há uma década, com menos pressão do desemprego, mais voltado a oportunidades e ao legado que quer construir.
INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA
Na sede do Sebrae: Taissa Gracik – (62) 99887-5463 | Kalyne Menezes – (62) 99887-4106
Na Regional Sudoeste | Rio Verde e Jataí: Vivianne Oliveira / Agência Entremeios Comunicação – (62) 98174-9881
Acesse aqui o Site do Sebrae Goiás.
Siga-nos em nossas redes sociais: Instagram, Facebook, YouTube e LinkedIn