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Com pioneirismo e cuidado, Hospital da Cidade supera 1,3 mil procedimentos odontológicos em pessoas com deficiência
Para pacientes com autismo, paralisia cerebral, transtornos psiquiátricos, síndromes ou doenças sistêmicas graves, uma consulta odontológica convencional pode representar um desafio. A dificuldade de permanecer em uma cadeira odontológica, a necessidade de equipes maiores ou mesmo a impossibilidade de realizar determinados procedimentos, em ambiente ambulatorial, fazem com que muitas dessas pessoas precisem de uma estrutura diferenciada para receber atendimento.
Em Maceió, o Hospital da Cidade (HC) desenvolveu uma iniciativa pioneira em Alagoas para enfrentar essa realidade e contabiliza 1.311 procedimentos odontológicos realizados em pessoas com deficiência, até agosto de 2026.
O serviço funciona dentro do Centro Cirúrgico do HC e permite que os pacientes sejam submetidos aos procedimentos sob anestesia geral, em uma estrutura hospitalar preparada para oferecer segurança e acompanhamento multiprofissional. A proposta é possibilitar que diferentes intervenções sejam realizadas em uma única sessão, reduzindo a necessidade de sucessivos deslocamentos e novas tentativas de atendimento.
Entre os procedimentos realizados estão raspagens periodontais sub e supragengivais, extrações, restaurações, frenectomias e gengivectomias. A estratégia permite que o atendimento seja planejado de acordo com as características e necessidades de cada paciente, incluindo aqueles que não conseguem realizar procedimentos em uma cadeira odontológica convencional ou nas unidades básicas de saúde.
“É um serviço pioneiro no estado, com um atendimento unificado, personalizado e humanizado. Recebemos pacientes com autismo, paralisia cerebral e outras condições que dificultam o atendimento convencional. Aqui, conseguimos trazer esse paciente para o ambiente cirúrgico e realizar todo o procedimento de acordo com a necessidade dele, oferecendo mais conforto e segurança”, explica Mariana Correia, cirurgiã-dentista do Hospital da Cidade.
Os números mostram a ampliação da iniciativa. Em 2024, primeiro ano do serviço, 36 pacientes, com idades entre 2 e 54 anos, foram atendidos, totalizando 303 procedimentos. Em 2025, o número de pacientes chegou a 69, com idades entre 2 e 64 anos, e foram realizados 721 procedimentos. Em 2026, até agosto, foram contabilizados mais 287 procedimentos. Ao todo, desde o início da iniciativa, somam-se 1.311 procedimentos odontológicos.
Para Mariana, o resultado também representa a possibilidade de acolher pacientes que demandam uma estrutura maior para conseguir realizar o tratamento. “Já foram realizados mais de 1.300 procedimentos desde o início do programa, até agosto. São pacientes que, muitas vezes, apresentam uma resistência maior, que precisam vir acompanhados por enfermeiros ou por uma equipe maior. No Centro Cirúrgico do Hospital da Cidade, conseguimos oferecer a estrutura necessária para que esse atendimento aconteça de forma segura e humanizada”, detalha.
A iniciativa transforma a experiência do paciente e de seus familiares. A realização de diferentes tratamentos em uma única sessão pode representar menos idas ao hospital, menos exposição a situações de estresse e a possibilidade de concluir uma etapa importante do cuidado odontológico, em um ambiente preparado para suas particularidades.
Para a diretora-geral do Hospital da Cidade, dra Célia Fernandes, a estrutura hospitalar permite que a assistência seja planejada a partir das necessidades individuais de cada paciente. “Quando falamos em cuidado humanizado, precisamos entender que cada pessoa tem uma necessidade diferente. Para esses pacientes, oferecer um ambiente seguro, uma equipe preparada e a possibilidade de realizar diferentes procedimentos, em uma única sessão, significa ampliar o acesso e garantir que o tratamento odontológico aconteça com dignidade e respeito às suas particularidades”, pontua.
Administrado pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos responsável pela gestão do Hospital da Cidade, o HC tem ampliado a oferta de serviços especializados e investido na padronização de processos, qualificação das equipes e segurança do paciente.
Para a diretora-presidente do Maceió Saúde, Camila Porciúncula, o serviço representa como a gestão pode contribuir para transformar necessidades específicas em soluções concretas para a população.
“Uma iniciativa como essa mostra que cuidar da saúde também significa olhar para quem encontra mais barreiras no acesso aos serviços. O Hospital da Cidade tem uma estrutura que permite reunir assistência especializada, tecnologia, equipes qualificadas e segurança para atender pacientes que precisam de uma abordagem diferente. O resultado aparece nos números, mas principalmente na possibilidade de oferecer cuidado a pessoas que muitas vezes enfrentam dificuldades para conseguir realizar um tratamento odontológico”, ressalta Camila.
“Com atendimento a moradores de Maceió e também pacientes encaminhados do interior de Alagoas, o serviço de odontologia para pessoas com deficiência consolida uma frente de assistência que alia estrutura hospitalar e cuidado individualizado. A experiência também reforça a atuação do Hospital da Cidade como unidade de referência em baixa e média complexidade no estado, com iniciativas voltadas à ampliação do acesso e à qualificação da assistência oferecida à população”, complementa a diretora do Maceió Saúde.
Equipe trabalha para garantir conforto e segurança para pacientes com necessidades especiais. Fotos: David Silas/ Ascom Maceió Saúde
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