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Ceilândia em peso no auditório da OAB/DF: advogado Marvin Costa Silva recebe sua carteira cercado por família e pela professora que o alfabetizou

Na mesma cerimônia em que a ministra Daniela Teixeira entregou a carteira de advogado ao filho, o orador da turma Gabriel Rodrigues Teixeira de Moraes Rego (leia mais aqui), Grasiela Costa Silva, mãe do jovem Marvin Costa Silva, ao lado da família deles, de amigos e, inclusive, da professora que o alfabetizou, Nilcimar Carrijo Aragão, celebrava também a conquista de seu filho. Momento de magia, pura alegria para todos, no auditório da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF)
Dentre as pessoas mais felizes, pela ocasião, estava o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, que conduziu conjuntamente essa cerimônia com o presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti.
Emocionado, pelas conquistas de Gabriel, de Marvin e de todos os demais 48 compromissandos da manhã desta quarta-feira (11). Poli afirmou: “Não há diferença entre advogados e advogadas da capital e do interior. Abraçamos todos, defendemos todos com a mesma força. E aqui faço uma referência especial que vem direto da Ceilândia, para receber conosco a carteira: Parabéns, meu amigo Marvin, que você tenha muito sucesso!”
Ceilândia




Para falar em nome das 14 Subseções, Poli chamou justamente a presidente da Subseção de Ceilândia, Ana Carla Paz, e o gesto não foi casual. Ana Carla contou que fazia “questão” de estar ali porque recebeu “um convite tão honrado do Marvin”. Repetiu, com afeto, a conversa que teve com ele: “Ele me falou, presidente, você vai na minha entrega? Com certeza, respondi!” E destacou o que a Ceilândia levou para o auditório: presença. “Hoje estamos aqui com uma bancada da Ceilândia, e também de outras Subseções”, disse.
Ana Carla acentuou a importância das Subseções: “Eu indico a vocês procurarem uma Subseção… lá temos baias de atendimento… vocês podem fazer audiência, temos palestras; eventos”, afirmou, lembrando que a estrutura das subseções não é um detalhe administrativo: é suporte real para o início da vida profissional.
Ana Carla contou que Marvin, por exemplo, já circulava pela OAB antes da aprovação na Ordem, frequentando palestras, se aproximando, construindo caminho, e que, nesses momentos, ela testemunhou de perto o que muitas conquistas exigem, mas nem sempre aparece: a constância da família. Mencionou o cuidado de Grasiela com o filho, uma mãe que o acompanhava em tudo, sempre presente.


A fala institucional de acolhida aos novos profissionais teve continuidade nas palavras da secretária-geral da Jovem Advocacia também de Ceilândia, Samira Aline Lima Souza, que antes de se voltar ao Sistema OAB/DF, recebeu dos advogados e advogadas da Seccional o apoio em ato de desagravo. Ela sofreu violação às suas prerrogativas, quando atuava em defesa de seus vizinhos em operação policial, em 2023. El foi agredida com spray de pimenta pelos policiais, mesmo após apresentar sua carteira da OAB/DF.
Samira Aline disse, ao relatar brevemente sua história: “É muito importante que a gente se aproxime da OAB”, convidando os novos advogados e advogadas a participarem das comissões, especialmente a da Jovem Advocacia.
Dr. Marvin


O dia 11 de novembro não sai da memória do agora advogado Marvin Costa Silva. Foi quando finalmente passou no Exame da Ordem e assim fechava um ciclo de muita luta e perseverança. “Foi muito árduo! Demorei mais ou menos uns três anos para poder ser aprovado. Eu me formei em 2024, a colação foi em abril. Mas desde 2023 venho tentando passar na Ordem, e não estava obtendo êxito. Era reprovado, mas sempre retomava os estudos, tentando de novo. Até que em novembro, veio aprovação.
Para Marvin, que é cadeirante, mas teve e segue com muito apoio da família, vencer obstáculos de acessibilidade ao longo de sua jornada não foi tão difícil, embora tenham sido consideráveis. Segundo ele, para a conquista da carteira, o problema mesmo foi conseguir mudar a sua “mentalidade”.
“Entendi que a prova da Ordem tem muito a ver com o psicológico do candidato. Se você entrar assustado, preocupado com o seu desempenho, vai ser reprovado. Tive crise de ansiedade em uma das tentativas. Assim, uma das minhas reprovações foi justamente por conta disso. A parte técnica eu tinha, mas o emocional não. Quando resolvi isso, passei”, contou o jovem advogado.
O aprendizado que tirou disso: “a gente precisa acreditar que vai dar certo e seguir independentemente das dificuldades”. Ele já tem certo o seu caminho: a área criminal e a área de família. E seguirá participando de Comissões da Subseção de Ceilandia da OAB/DF: “Tribunal do Júri e a de Ciências Criminais”.
Ao lado do filho, Grasiela, lembra de cada dificuldade e cada conquista, desde quando ele nasceu com mielomeningocele (espinha bífida), condição descoberta no parto, e que exigiu decisões rápidas e uma reorganização completa da vida. Marvin é o filho mais velho; depois veio Mylena, hoje com 25 anos, nutricionista.
A vida de Grasiela, que é professora de educação física; do marido, Marcos Antônio, que é vigilante, se transformou a partir da vinda dos filhos e, quando ela fala de Marvin, conta que o sonho dele era forma-se em Direito e ser advogado. “Ele não teve segunda opção em nenhum momento, nunca”, diz orgulhosa.
Sobre o Exame de Ordem, ela traduz o que muitos candidatos, como o filho dela, vivenciam em anos: repetição, cansaço, tentativa e retorno. Foram “muitas tentativas”, “muitos nãos”, até o sim definitivo. E Marvin, segundo ela, fazia uma coisa simples e rara: não negociava com a desistência. Reprovava e já se inscrevia na próxima. Reprovava e voltava de novo. “De superação e superação, conseguiu, conquistou a a aprovação e a carteira”, como ela resume.
A história dele guarda uma delicadeza que, às vezes, só aparece quando uma conquista vira convite: na solenidade desta manhã (11), estava Nilcimar Carrijo Aragão, 55 anos, a professora que alfabetizou Marvin, que vai completar 28. Ela se lembra dele pequeno, e especialmente do impacto de ser seu primeiro aluno cadeirante em um tempo em que acessibilidade era uma dificuldade maior.
Orgulhosa, descreveu Marvin como um aluno “super inteligente e com muita força de vontade muito grande”. Nilcimar registrou que Marvin sempre foi uma pessoa que fez amizades com facilidade na escola. “Nas atividades de piscina, por exemplo, em que as crianças adoram brincar, sempre queriam estar com Marvin. Assim, por alguns instantes, a cadeira de rodas deixava existir. Todo mundo ajudava”, relata. Para Nilcimar, ele sempre foi um menino muito amado por todos, e isso continua. Só que agora o menino é o dr. Marvin!


Veja a cerimônia na íntegra no canal oficial da OAB/DF no YouTube
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Jornalismo OAB/DF
