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Artesãos paraenses aprendem a criar embalagens de miriti para valorizar produtos

Publicado em: 11/08/2026 06:06

Transformar o miriti em uma embalagem para valorizar produtos artesanais e, ao mesmo tempo, estimular a criatividade dos artesãos. Essa foi a proposta da oficina de Criação de Embalagens de Miriti, que ocorreu nesta segunda-feira (10), na sede do Sebrae no Pará, em Belém.
A oficina faz parte de uma programação de capacitações e experiências práticas desenvolvida para ampliar o repertório dos participantes e contribuir para o fortalecimento de seus negócios, ação do projeto Impulsionar Negócios do Artesanato, realizado pelo Sebrae/PA.
A atividade foi conduzida pelo artesão mestre Pirias, de Abaetetuba, município reconhecido pela cultura do artesanato de miriti, que, além de ensinar técnicas para a criação das embalagens, apresentou possibilidades de utilização da matéria-prima e informações sobre materiais e fornecedores. A proposta é que os participantes possam aplicar os conhecimentos de acordo com as características de seus produtos.
“A escolha do tema da oficina foi feita pelos próprios artesãos. Muitos já possuem produtos desenvolvidos, mas ainda encontram desafios para criar uma apresentação que agregue valor à peça e proporcione uma experiência diferenciada ao consumidor”, explica a gestora do projeto Cyani Marinho.
Flávio de Souza, que produz cerâmica no distrito de Icoaraci, destaca a importância da oficina. “Muito boa essa capacitação. Estou, aqui, para aprender a fazer embalagem diferenciada para as minhas peças. Como é um material conhecido e sustentável, deve agregar mais valor ao meu trabalho”.

Ceramista e bordadeira aprendem técnica para produzir embalagens que valorizam seus produtos

Segundo a artesã Acenet Andrade, a iniciativa é muito interessante. “Eu sou bordadeira e acredito que essa oficina é muito importante para adquirir novos conhecimentos para fazer uma embalagem sustentável, com matéria prima da nossa região”. A artesã vai aproveitar para utilizar o miriti de outras formas. “Quero utilizar também como moldura para os bordados”, frisa.
O projeto Impulsionar Negócios do Artesanato reúne atualmente 27 artesãos de diferentes segmentos, como acessórios, joias, madeira, cerâmica, bolsas e produtos produzidos a partir de fibras e outros materiais.

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Aprendizado para além da sala de aula
A oficina faz parte de uma estratégia que busca combinar capacitação técnica, consultoria e experiências práticas. “Desde o início do projeto, os artesãos vêm participando de atividades voltadas a temas como marketing, comercialização e desenvolvimento de negócios”, reforça Cyani.
A iniciativa também inclui momentos fora do ambiente tradicional de capacitação. Uma das experiências foi a visita a uma fábrica de juta de malva no município de Castanhal, na região Guamá, que permitiu aos participantes o contato com diferentes materiais e processos produtivos, ampliando as referências para a criação de seus próprios produtos.

Artesãos são capacitados para valorizar seus produtos com uso de embalagens regionais e sustentáveis Fotos: Relry Aviz

Coleção “Águas da Amazônia”
Paralelamente às capacitações, os participantes do Impulsionar Negócios Artesanato estão sendo preparados para desenvolver uma coleção inspirada nas Águas da Amazônia.
O trabalho é realizado por meio de uma consultoria especializada na área. Uma primeira oficina já foi realizada, quando foram apresentadas diferentes ideias, até que o grupo definisse “Águas da Amazônia” como tema para orientar o desenvolvimento das peças.
Além dos encontros coletivos, os artesãos participam de atendimentos individuais com a consultora, que trabalham propostas de produtos relacionadas ao conceito da coleção.
O próximo encontro coletivo está programado para o dia 17 de agosto, quando os participantes deverão avançar para a etapa de desenho e elaboração dos primeiros esboços da coleção.
A exposição dos trabalhos desenvolvidos pelos artesãos está prevista para o mês de novembro de 2026.

Fortalecimento dos negócios
O projeto Impulsionar Negócios Artesanato começou em maio deste ano e foi estruturado a partir de um processo de inscrição e curadoria dos participantes. A programação reúne diferentes ações de desenvolvimento, incluindo capacitações, consultorias e oficinas.
Outras atividades já realizadas são a orientação para os artesãos interessados em participar do Top 100 de Artesanato e ações voltadas à preparação dos participantes para ampliar a qualidade e a apresentação de seus produtos.
O objetivo é oferecer ferramentas para que os artesãos possam aprimorar não apenas aquilo que produzem, mas também a forma como apresentam, comunicam e comercializam seus produtos.
Ao aproximar técnicas tradicionais, materiais da região, design e empreendedorismo, o projeto busca fortalecer os artesãos e estimular a criação de produtos com identidade, qualidade e potencial de mercado.

Fonte: Agência de Notícias do Estado do PA

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