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Arruda perde a eleição, perde o partido e fica choramingando após o PSD fechar com Celina Leão
Barrado pelo TSE por causa das sucessivas condenações por improbidade, ex-governador vê PSD-DF fechar com Celina Leão e reage em vídeo: “Eles não terão o meu apoio”
Primeiro, perdeu no Tribunal Superior Eleitoral.
Depois, perdeu a candidatura.
Agora, viu o próprio partido escolher justamente a adversária que passou a campanha atacando.
Os últimos quatro dias não foram exatamente generosos com José Roberto Arruda.
Barrado da disputa pelo Governo do Distrito Federal pelo TSE, o ex-governador assistiu neste domingo (27) ao PSD-DF decidir apoiar a candidatura à reeleição de Celina Leão (PP).
A reação veio poucas horas depois.
Visivelmente inconformado com o rumo adotado pela legenda, Arruda publicou um vídeo para deixar claro que não acompanhará o próprio partido.
“Eles não terão o meu apoio”, afirmou, referindo-se a Celina e ao candidato a vice-governador Gustavo Rocha (Republicanos).
A cena resume a velocidade com que o projeto eleitoral de Arruda desmoronou.
Há poucos dias, ele queria voltar ao Palácio do Buriti.
Agora, está fora da eleição e vê boa parte de seus antigos aliados políticos caminhando para a candidatura que lidera a disputa pelo governo.
O PSD não esperou muito
A candidatura de Arruda foi definitivamente interrompida pelo TSE na quinta-feira (24).
Três dias depois, o PSD já havia encontrado outro caminho.
O presidente regional da legenda, Paulo Octávio, confirmou neste domingo que a Executiva decidiu apoiar Celina.
Segundo ele, a própria governadora procurou o partido depois da saída de Arruda.
“Celina procurou o partido. Eu a conheço há muitos anos. Nós entendemos que o melhor é apoiá-la”, afirmou Paulo Octávio.
A oficialização do apoio está prevista para esta segunda-feira (28), às 15h, na sede regional do PSD, com a presença de Celina e de lideranças da legenda.
Ou seja: Arruda ainda tentava administrar os escombros de sua candidatura quando seu partido começou a arrumar as malas para embarcar em outro palanque.
E não em qualquer palanque.
Justamente no de Celina.
Arruda ficou, politicamente, falando sozinho
Paulo Octávio deixou claro que Arruda está livre para tomar a posição que desejar.
Mas fez uma distinção que, politicamente, diz muito sobre o momento vivido pelo ex-governador:
uma coisa é Arruda.
Outra é o PSD.
Segundo o presidente regional, a maioria dos candidatos do partido deverá acompanhar a decisão da legenda e apoiar Celina.
A afirmação expõe o tamanho do isolamento enfrentado pelo ex-candidato.
Até quinta-feira, Arruda era o nome do PSD para comandar o Distrito Federal.
No domingo, o PSD já havia decidido apoiar sua principal adversária.
E Arruda passou da condição de candidato ao Buriti para a de dissidente dentro do próprio partido.
Arruda não gostou. Nem um pouco.
A resposta veio em vídeo.
Arruda afirmou respeitar quem decidiu seguir Celina, mas declarou categoricamente que não fará o mesmo.
“Eu não apoio, definitivamente, em nenhuma circunstância”, disse.
Não parou por aí.
O ex-governador disparou uma sequência de acusações contra Celina e Gustavo Rocha, atacou a administração do DF em áreas como saúde e educação e classificou o atual governo como “o pior governo da história de Brasília”.
As acusações feitas por Arruda contra os integrantes da chapa são de responsabilidade do próprio ex-governador e não constituem fatos estabelecidos simplesmente por terem sido mencionadas em seu pronunciamento.
O que está documentalmente estabelecido, porém, é o histórico judicial do próprio autor das críticas.
Sete condenações por improbidade
A candidatura de Arruda não terminou por desistência espontânea de disputar a eleição.
Terminou porque a Justiça Eleitoral não permitiu que prosseguisse.
Por 5 votos a 2, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a decisão do TRE-DF que havia indeferido seu registro.
O fundamento está nas sucessivas condenações do ex-governador em processos relacionados à Operação Caixa de Pandora.
Segundo o próprio TSE, Arruda acumula sete condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa.
E há um detalhe importante.
De acordo com a Corte Eleitoral, todas envolvem dano ao erário e enriquecimento ilícito.
Arruda tentou utilizar as mudanças promovidas em 2025 na Lei da Ficha Limpa para sustentar que poderia voltar a disputar uma eleição.
A defesa argumentou, entre outros pontos, que as condenações decorreriam de processos conexos e deveriam receber tratamento conjunto para a contagem da inelegibilidade.
O TSE rejeitou a tese.
Mesmo adotando a interpretação mais favorável ao ex-governador, afirmou o relator, ministro Dias Toffoli, uma condenação mais recente seria suficiente, por si só, para impedir o registro.
Fim da candidatura.
E há também condenação criminal
O currículo judicial de Arruda não se limita às ações de improbidade administrativa.
O ex-governador também foi condenado criminalmente por falsidade ideológica em processo relacionado à Operação Caixa de Pandora.
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a condenação a dois anos e 11 meses de reclusão, em regime aberto, posteriormente substituída por penas restritivas de direitos.
Segundo a denúncia descrita pelo STJ, Arruda inseriu informações falsas em quatro declarações destinadas a justificar o recebimento de dinheiro de Durval Barbosa.
Portanto, quando Arruda aparece agora em vídeo lançando ataques contra adversários, existe um contexto judicial que não pode ser apagado de sua própria trajetória.
Já foi até preso quando governava
Há ainda outro capítulo difícil de ignorar.
Em fevereiro de 2010, José Roberto Arruda foi preso preventivamente enquanto exercia o governo do Distrito Federal.
A ordem partiu do Superior Tribunal de Justiça.
Documentos posteriores do próprio STJ registram que ele permaneceu preso de 11 de fevereiro a 12 de abril de 2010.
A prisão ocorreu durante as investigações relacionadas à Caixa de Pandora.
Dezesseis anos depois, Arruda tentou voltar justamente ao cargo que ocupava quando sua trajetória política mergulhou naquela crise.
Não conseguiu.
Celina já previa a aproximação
O movimento do PSD em direção a Celina não surgiu completamente de surpresa.
Na sexta-feira (25), durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, a governadora já havia afirmado que considerava uma aproximação com a legenda um caminho natural.
Celina argumentou que o perfil político do PSD no Distrito Federal está mais próximo de sua candidatura e disse que seria estranho que o partido migrasse para um candidato de esquerda.
No sábado, ela confirmou que conversava com Paulo Octávio e revelou que candidatos do próprio PSD já haviam procurado sua campanha.
No domingo, veio a confirmação.
O PSD escolheu Celina.
Arruda escolheu ficar contra.
Até o Avante já tinha pulado do barco
O PSD nem sequer foi o primeiro integrante do antigo campo político de Arruda a mudar de lado depois da decisão do TSE.
Poucas horas depois de a candidatura ser barrada, o Avante oficializou apoio à reeleição de Celina.
O presidente regional da legenda, Gim Argello, anunciou a decisão ainda na quinta-feira.
Agora é o próprio PSD que se movimenta.
Em poucos dias, portanto, o que era uma candidatura ao Governo do Distrito Federal transformou-se em uma rápida dispersão de aliados.
De candidato a espectador
Arruda já havia anunciado que não apresentaria novo recurso e que sua trajetória eleitoral chegava ao fim.
Agora começa a experimentar, na prática, o significado de acompanhar a política “de fora”.
Seu partido continuará disputando a eleição.
Seus candidatos continuarão pedindo votos.
Suas lideranças continuarão fazendo alianças.
Só que o candidato ao governo escolhido pelo PSD não existe mais.
E a legenda decidiu direcionar sua estrutura para Celina Leão.
Arruda pode protestar.
Pode gravar vídeos.
Pode atacar Celina.
Pode declarar que não acompanhará o partido.
O que não pode mais fazer é aquilo que tentou durante toda a campanha:
disputar novamente o Palácio do Buriti.
A Justiça Eleitoral fechou essa porta na quinta-feira.
No domingo, o próprio PSD tratou de seguir adiante.
E a imagem política que fica desta reta final é particularmente amarga para o ex-governador: depois de sete condenações colegiadas por improbidade, uma condenação criminal e uma longa batalha para tentar voltar à urna, Arruda não apenas ficou sem candidatura — ficou vendo seu próprio partido subir no palanque da adversária que ele mais atacou.
