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OAB/DF entrega carteiras a novos profissionais em cerimônia que destaca ética e gestão de carreira

Publicado em: 28/04/2026 15:48

A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) realizou, nesta terça-feira (28), pela manhã, mais uma cerimônia de entrega de carteiras a novos profissionais da advocacia. O destaque dos discursos versou sobre a função social (ética) e o futuro da advocacia (gestão de carreira). Presidida pelo presidente da Seccional, Paulo Maurício Siqueira, Poli, a solenidade reuniu lideranças institucionais, familiares e novos profissionais em um coro comum: a advocacia não é apenas um meio de sustento, mas uma missão imprescindível em prol da cidadania.

O orador da turma, Roberto Troncoso Rodrigues Neto, falou aos compromissandos que a “advocacia é uma função de relevância pública” e emocionou a todos ao compartilhar sua trajetória até a formatura, aos 43 anos. Ele definiu os profissionais da advocacia como pontes “entre a angústia e a palavra técnica”, resgatando a visão do jurista italiano Piero Calamandrei, que escreveu que muitos acreditam que a missão do advogado é ser ouvido pelos juízes. Mas, na realidade, “o ofício mais humano dos advogados é ouvir os clientes”.

Disse o orador: “Antes de cada petição, há uma história. Antes de cada tese, há uma dor. Antes de cada estratégia, há alguém que procura no advogado não apenas o conhecimento jurídico, mas presença, orientação e amparo. E é nesse encontro que a advocacia revela sua verdadeira dimensão. Não apenas como técnica, mas como responsabilidade sobre a vida do outro.”

Para Troncoso, a missão da advocacia é também: “Impedir que a indignação se transforme em vingança. É impedir que a força substitua a razão. É fazer com que a lei seja instrumento de justiça”.

Roberto Troncoso Rodrigues Neto recebe homenagem da OAB/DF

Complementando a visão humanista do orador, o paraninfo da turma, advogado Thiago Bouza, atualmente gerente da Assessoria Jurídica do Sebrae Nacional, afirmou que: “Advogar jamais seria simplesmente interpretar normas. Entre outras coisas, advogar é interpretar a realidade, é compreender pessoas, é equilibrar técnica e sensibilidade diante de situações concretas.”

Bouza ainda considerou que: “A advocacia não é uma profissão simples — e talvez nunca tenha sido. Ela é, por natureza, versátil. E essa versatilidade não é um detalhe: é uma exigência.”

Por isso, mesmo destacou a relevância de estudos contínuos e ressaltou que “a ética não é um adorno da advocacia”. Segundo ele. “não é um ideal distante”. O paraninfo definiu a ética como fundamento da profissão. “Sem ética, não há confiança. Sem confiança, não há advocacia”, acentuou. Integridade, coragem e responsabilidade também foram requisitos exortados pelo paraninfo, além de preparo como desenvolver a capacidade de empreender.

Bouza falou, por fim, que há parceria entre a OAB e o Sebrae, sendo essa uma oportunidade que se abre a quem quer gerir sua atuação como negócio, sem perder a essência ética. Haverá novidade, em breve, para a advocacia em trilha de formação a ser oferecida. Citando Guimarães Rosa, Bouza encerrou com uma provocação aos ingressantes: “Quem elegeu a busca, não pode recusar a travessia”.

Paraninfo recebe homenagem cercado pela família, que veio prestigiar a cerimônia

Poli frisou aos novos profissionais que, a partir daquele momento, já poderiam, por exemplo, realizar sustentações orais até mesmo no Supremo Tribunal Federal (STF). “Essa carteira traz o ônus de ser responsável e preparado. O Estado não funciona sem a advocacia; somos nós que fazemos o Estado respeitar cada cidadão”, afirmou. Poli ainda enfatizou que o diploma não encerra o aprendizado, convocando os presentes a serem “eternos estudantes” diante de um Direito dinâmico que não tolera a desatualização.

Conselheiro federal Newton Rubens e o paraninfo da turma, Thiago Bouza

A capilaridade da Ordem e o suporte institucional foram os motes do conselheiro federal Newton Rubens, que destacou a importância das Subseções e do trabalho “fora do grande centro”. Ele reforçou a importância de os profissionais terem consciência, pois é a ela que os clientes entregam a sua confiança. Lembrou, por fim, que a OAB/DF oferece suporte técnico e jurídico 24 horas por dia, incluindo ferramentas como o “botão de pânico” para casos de violação de prerrogativas.

Já a diretora das Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, trouxe uma pauta necessária sobre a ocupação de espaços por mulheres. Relembrando o tempo em que as mesas de honra eram compostas majoritariamente por homens, Nildete celebrou a mudança de paradigma – sendo a OAB/DF pioneira da paridade entre homens e mulheres – e disse que a “busca pela igualdade de gênero na Ordem é um valor inegociável que favorece toda a sociedade”. Ela também homenageou a renovação dos quadros da advocacia, falando sobre a emoção de entregar carteiras e que, em breve, terá a alegria de ver a filha ingressando na carreira.

A Mesa de Honra desta cerimônia foi composta por:

  • Paulo Maurício Siqueira, Poli, presidente da OAB/DF;
  • Thiago Bouza, gerente da Assessoria Jurídica do Sebrae Nacional e paraninfo da turma;
  • Rafael Martins, secretário-geral da OAB/DF;
  • Nildete Santana de Oliveira, diretora das Mulheres da OAB/DF;
  • Newton Rubens, conselheiro federal pela OAB/DF;
  • Flávio Grucci, presidente da Comissão de Responsabilidade Civil da OAB/DF;
  • José Aparecido Freire, presidente da Fecomércio DF;
  • Rosangela de Sousa Felipe, vice-presidente da Comissão do Direito do Idoso da Subseção do Riacho Fundo I e II

Confira o álbum de fotos aqui

Veja esta cerimônia na íntegra aqui

Jornalismo OAB/DF

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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