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Delegação do TCDF conhece experiências chinesas de auditoria digital em saúde, orçamento e gestão urbana
Em Chaoyang, delegação do TCDF conheceu auditorias baseadas em análise de dados e georreferenciamento e compartilhou solução que reduziu em 65% o tempo de análise de aposentadorias no Distrito Federal.
A delegação do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) participou, nesta quarta-feira (14), de um seminário técnico sobre auditoria de grandes bases de dados no Departamento de Auditoria do Distrito de Chaoyang, em Pequim. Durante a visita, a equipe brasileira conheceu métodos concretos usados pelos auditores chineses para identificar pagamentos atípicos na saúde, inconsistências na execução orçamentária e possíveis irregularidades na ocupação urbana. A reunião também abriu espaço para apresentar resultados de uma ferramenta desenvolvida pelo próprio TCDF para automatizar o exame de aposentadorias.
Os anfitriões apresentaram exemplos de como o cruzamento de dados ajuda a identificar possíveis despesas incompatíveis com a prestação efetiva dos serviços. Em um dos casos, auditores encontraram o registro de oito sessões de reabilitação para um mesmo paciente em apenas 90 minutos, o que levantou suspeitas de cobrança indevida. Também foram apresentados métodos para detectar prescrições de medicamentos em quantidades anormais e pagamentos de verbas a profissionais de unidades de saúde fora dos parâmetros esperados. Os alertas gerados pelas ferramentas passam por análise dos auditores e, quando necessário, são encaminhados aos órgãos responsáveis.
Na prática, esse tipo de fiscalização permite comparar informações de diferentes estabelecimentos, profissionais e sistemas de pagamento para encontrar situações que dificilmente apareceriam em conferências manuais isoladas. Para o Distrito Federal, o aprendizado oferece referências para aperfeiçoar auditorias sobre despesas assistenciais, medicamentos, escalas, serviços terceirizados e execução de contratos na rede pública de saúde, sempre com validação das evidências e observância das regras brasileiras de proteção de dados.
A equipe chinesa detalhou como o trabalho é organizado. Os órgãos fiscalizados enviam dados orçamentários, financeiros e contábeis em formato padronizado. Essas informações passam por processos de tratamento e integração e, em seguida, são analisadas por modelos capazes de identificar inconsistências e apontar possíveis riscos.
Segundo dados apresentados no seminário, a base acumulada em cinco anos reúne 951 conjuntos de registros contábeis e cerca de 11,47 gigabytes de informações financeiras. Os especialistas destacaram ainda que o acesso aos dados ocorre conforme solicitações e prazos definidos nos planos de auditoria, sem monitoramento contínuo ou acesso irrestrito aos sistemas dos órgãos auditados.
O encontro mostrou, ainda, aplicações de georreferenciamento, sobreposição de mapas e imagens de satélite em auditorias de uso do solo e indenizações relacionadas a desocupações e demolições. O objetivo é confrontar cadastros, limites de áreas, informações declaradas e a situação observada no território. Essa abordagem pode oferecer subsídios para o controle de obras, regularização fundiária, gestão de imóveis e proteção ambiental no DF.
Outro destaque foi o investimento em equipes multidisciplinares. O departamento de Chaoyang mantém um núcleo de análise de dados com 12 profissionais e promove capacitações em ferramentas como Python e SQL. A instituição também apontou desafios relacionados à qualidade dos dados, à integração entre sistemas e à segurança da informação, temas essenciais para o uso responsável de novas tecnologias no controle externo.
Dados apresentados pelo órgão mostram a abrangência de sua atuação. As auditorias da execução orçamentária de 2025 alcançaram 48 unidades orçamentárias de primeiro nível e 22 de segundo nível e, até julho de 2026, contribuíram para a recuperação de aproximadamente 35,8 milhões de yuans aos cofres públicos, além da revisão e do aperfeiçoamento de 103 normas. Os resultados são fruto do conjunto das ações de controle e fiscalização realizadas pelo Distrito.
O TCDF, por sua vez, apresentou aos participantes a experiência de automatização da análise de aposentadorias no Distrito Federal. Em 19 meses, a solução processou 3.329 atos e reduziu o tempo médio de tramitação de 197 para 69 dias. A ferramenta cruza dados cadastrais e funcionais para verificar requisitos, agilizar análises e diminuir a necessidade de correções nos processos.
A reunião em Chaoyang dá continuidade à agenda de cooperação iniciada com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o TCDF e o Escritório Municipal de Auditoria de Pequim, em 10 de outubro. Sob a liderança do presidente do TCDF, conselheiro Manoel de Andrade, a missão busca conhecer soluções que possam ser estudadas e adaptadas à realidade institucional brasileira. O valor público do intercâmbio está na obtenção de referências práticas para fortalecer a fiscalização preventiva, identificar riscos mais cedo, direcionar melhor o trabalho dos auditores e contribuir para uma gestão de recursos que se traduza em serviços públicos mais eficientes à população do Distrito Federal.

