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Juízas palestram em cursos sobre cobertura jornalística em casos de violência contra mulheres e feminicídio

Publicado em: 27/08/2026 10:57

As juízas Fabriziane Zapata e Luciana Rocha, integrantes da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (CMVD-DF), participaram de cursos de formação de profissionais da imprensa sobre a cobertura jornalística em casos de violência contra mulheres e feminicídio. Nos eventos, as magistradas do TJDFT apresentaram aos participantes o guia “Comunicação que protege – Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”, criado com o objetivo de incentivar uma cobertura jornalística que proteja as vítimas, informe a sociedade com rigor e contribua para o enfrentamento da violência de gênero.

Nessa segunda-feira, 24/8, a juíza Fabriziane Zapata falou aos jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do governo federal. Na ocasião, 122 profissionais de jornalismo acompanharam as orientações da magistrada. O evento foi transmitido, também, remotamente.

Já a juíza Luciana Rocha participou, no dia 17 de agosto de 2026, do primeiro curso “Cobertura jornalística de casos de violência contra mulheres e feminicídios” do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O evento, que contou com a participação também da Escola Paulista da Magistratura (EPM), a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comesp) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPESP), reuniu cerca de 50 profissionais da imprensa.

Para Luciana Rocha, a capacitação realizada no TJSP  compartilhou as diretrizes para a comunicação jornalística sobre feminicídios no DF. A magistrada lembrou que essas diretrizes foram construídas em parceria com o TJDFT, por meio da Coordenadoria da Mulher -CMVD/TJDFT, com a SSPDF, DPDF e MPDFT, para difusão de boas práticas éticas e responsáveis de cobertura jornalística, para proteger as vítimas, ampliar a conscientização social, para não naturalização e romantização das violências contra as mulheres, bem como fortalecer a rede de proteção. “A cobertura jornalística bem feita pode salvar vidas e a mal feita pode gerar o risco de efeito copycat, de futura prática de crimes por imitação, o que se busca combater, considerando ser o feminicídio um fenômeno evitável“, disse.

A participação das magistradas integra as ações do Grupo de Trabalho (GT) Imprensa e contempla a divulgação do guia “Comunicação que protege – Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”.

Guia de Cobertura Jornalística

O guia, lançado em junho de 2026 e de caráter orientativo, é uma publicação inédita elaborada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) em parceria com o TJDFT, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). A iniciativa integra as ações do Grupo de Trabalho (GT) Imprensa. A publicação completa, sua versão de bolso e outros materiais produzidos estão disponíveis para download no site da SSP/DF.

O material destaca o papel da imprensa na prevenção da violência contra as mulheres e busca qualificar a cobertura jornalística do tema. Para isso, oferece orientações práticas para aplicação imediata nas redações, como checklist para cobertura jornalística, glossário de termos recomendados, protocolo para as primeiras 24h após o crime e modelos de serviço com canais de atendimento e proteção às mulheres.

Entre as 20 diretrizes apresentadas constam: usar o termo “feminicídio” em substituição a expressões como “crime passional”; priorizar a voz ativa e deslocar o foco para o agente da ação, ao invés de destacar a vítima; jamais atribuir ou insinuar culpa à vítima, com expressões como “ela decidiu se separar”; e destacar a escalada da violência prévia, apurando os fatos com a polícia, familiares e rede de atendimento.

elaboração do guia levou em conta o panorama local, dados do Brasil e referências de organismos internacionais, como ONU Mulheres, UNESCO e Organização Mundial da Saúde (OMS), além de estudos sobre o ciclo e a escalada da violência.

Crianças e adolescentes

O material também dedica atenção especial à proteção de vítimas indiretas e vicariais, como crianças e adolescentes órfãos de feminicídio, à cobertura de transfeminicídios e à aplicação do conceito de interseccionalidade, com foco na visibilidade de mulheres negras, indígenas e em situação de vulnerabilidade. Nesse sentido, recomenda que a cobertura jornalística jamais deve expor nome, imagem, escola, endereço ou dados que permitam a identificação da vítima, entre outros.

Saiba como procurar ajuda

Se você ou alguém que conhece é vítima de violência, procure ajuda:

  • DISQUE 190 – Polícia Militar (24h). Emergência, ameaça iminente ou descumprimento de medida 
    protetiva com risco atual. Envia viatura imediatamente.
  • DISQUE 197 – Polícia Civil do DF (24h, anônimo). Denúncia anônima ou repasse de informações.
  • LIGUE 180 – Central de Atendimento à Mulher (Governo Federal · 24h · gratuito · nacional). Orientação 
    sobre direitos, serviços da rede de atendimento e encaminhamentos.
  • MPDFT 127 – Canal gratuito para atendimento jurídico e escuta qualificada para mulheres em situação de 
    violência ou vulnerabilidade.
  • DPDF 129 opção 2 – Atendimento jurídico gratuito específico para mulheres em situação de violência 
    doméstica.

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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