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"Estamos tratando do direito da criança", destaca juíza da 1ª VIJ/TJDFT em programa sobre adoção

Publicado em: 17/07/2026 18:37

A juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude (1ª VIJ) e coordenadora da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Rejane Suxberger, participou nesta sexta-feira, 17/7, do programa Participação Popular, da TV Câmara. A edição debateu os desafios da adoção no Brasil e a importância do acolhimento familiar para garantir o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária. Assista ao programa na íntegra. 

Durante o programa, a coordenadora apresentou dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e explicou que, embora existam mais de 30 mil pessoas habilitadas para adotar, muitas crianças e adolescentes permanecem sem pretendentes. Segundo a magistrada, a principal razão é o descompasso entre o perfil geralmente desejado pelos adotantes e a realidade das crianças disponíveis para adoção, que hoje são mais de 6.300. 

Os pretendentes chegam com uma visão idealizada dessa criança, só que essa criança real muitas vezes não é igual àquela expectativa. A gente precisa lembrar que está tratando do direito da criança e não do direito do adulto”, destacou. Em outro trecho, a juíza aborda mais um ponto sensível. “A questão da adoção tardia é algo que ainda tem muito preconceito envolvido”. 

Processo de adoção 

A magistrada também detalhou o trabalho realizado na preparação dos pretendentes à adoção. Explicou que a 1ª VIJ/TJDFT promove cursos, palestras e encontros conduzidos por equipes interdisciplinares para orientar os interessados sobre os aspectos jurídicos, emocionais e sociais da adoção.  

Entre os alertas feitos, estão os impactos do rompimento de vínculos e afirmou que prefere utilizar a expressão “abandono outra vez” em vez de “devolução”, por entender que crianças não podem ser tratadas como objetos. Destacou ainda que o Judiciário tem responsabilizado civilmente adotantes em casos de abandono após a adoção. 

Acolhimento familiar 

Durante o debate, a psicóloga e presidente do Grupo Aconchego, Soraya Pereira, que também participou da entrevista, defendeu que os vínculos familiares são construídos no cotidiano, por meio da convivência e do afeto, e ressaltou que cabe ao adulto fazer o movimento de aproximação e pertencimento.

Ao abordar o acolhimento familiar, enfatizou a importância de ampliar a conscientização da sociedade sobre o tema e resumiu sua visão sobre a filiação com a frase: “Filho não sai da gente. Filho entra” 

O Grupo Aconchego é uma entidade civil sem fins lucrativos que acolhe crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados, de forma temporária, em ambiente familiar.  

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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