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51 novos profissionais passam a atuar na advocacia do DF

Na manhã desta quarta-feira (7), 51 novos profissionais da advocacia receberam a carteira da Ordem. Autoridades, familiares e amigos lotaram o auditório da sede da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) para aplaudir a conquista de cada um dos novos profissionais. As boas-vindas foram dadas pelo presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, que também fez a leitura do juramento, repetido pela turma.
“Quero cumprimentar quem está na parte de trás do auditório: pais, mães, avós, tios, filhos, filhas, namorados e esposos que vieram prestigiá-los neste momento de sorte de vocês.” O presidente também destacou a honra de ter, na mesa, o desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Robson Barbosa de Azevedo, e a paraninfa Tatiana Ávila.


O peso da carteira
A oradora da turma, Grazielen de Azevedo, resumiu o simbolismo do momento. “Hoje, nós chegamos aqui para receber uma carteira. E talvez seja curioso pensar que um objeto tão pequeno possa representar tanta coisa. Porque quem olha apenas para essa carteira não vê as horas de estudo que existem por trás dela. Não vê as renúncias, não vê a ansiedade, não vê as vezes em que duvidamos de nós mesmos.”
Filha de funcionários do Poder Judiciário, ela contou que “viver em uma família tão ligada ao Poder Judiciário foi uma verdadeira bênção, mostrando-me, a cada dia, a importância que cada um de nós pode ter na melhoria do nosso país”. Grazielen também falou do novo desafio que se inicia. “Durante muito tempo, nosso objetivo foi passar. A partir de hoje, a pergunta muda. Agora, precisamos perguntar: que tipo de advogado eu quero ser? E talvez essa seja uma pergunta muito mais difícil do que qualquer uma que encontramos na prova da OAB. Porque, para a prova, havia um gabarito; para a carreira que começa hoje, não existe. Há apenas uma longa caminhada, na qual nossa única garantia é o nosso nome escrito nesta carteira.”


“A advocacia como ela realmente é”
A paraninfa da turma, a advogada Tatiana Ávila, marcou a mudança de etapa com um discurso focado na realidade da profissão. “Eu poderia falar hoje da advocacia como uma missão grandiosa, das grandes causas e dos júris históricos, mas optei por falar sobre algo um pouco mais útil: a advocacia como ela realmente é em uma quarta-feira comum.”
Tatiana explicou que o dia a dia forense é feito de detalhes: “Em uma quarta-feira comum, a advocacia lê aquele contrato que ninguém mais leu. Você vai explicar ao cliente, com muita calma e paciência, que o processo dele não vai terminar no mês que vem. É conferir o prazo duas vezes e, depois, uma terceira, só para garantir.” E completou: “É justamente nesse trabalho cotidiano, quase invisível, que a advocacia acontece de verdade.”
A paraninfa deu quatro conselhos aos novos colegas. O primeiro: “Continuem estudando. Hoje, vocês começam a carreira ao lado de ferramentas de inteligência artificial que os seus professores não tinham. Usem-nas, aproveitem-nas, mas nunca se esqueçam de que a responsabilidade pela assinatura continua sendo de vocês.” O segundo: “Cuidem da reputação de vocês assim como cuidam dos prazos. Brasília pode ser uma cidade grande, mas a advocacia aqui ainda é pequena. Sejam firmes na defesa de seus clientes e corteses com todos.”


O terceiro conselho foi sobre a jornada: “Tenham paciência com esse começo. Ninguém nasce sabendo como fazer um protocolo.” O quarto, talvez o mais importante, segundo Tatiana: “Cuidem de vocês. A advocacia tem prazos que não esperam e clientes que ligam até no domingo. A tendência é vocês acharem que tudo é urgente. Por isso, aprendam, desde o início, a organizar a agenda e a separar momentos para a família, os amigos e o descanso.”
A força da jovem advocacia e o compromisso com a democracia
A diretora de Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, deu as boas-vindas à turma lembrando o compromisso de cada um com o juramento recém-prestado e a observância de mandamentos constitucionais, legais e morais. Para ela, a advocacia não pode se calar diante de desmandos. E não deve se apequenar ou tolerar retrocessos sociais, sobretudo, na agenda de direitos das mulheres. “A gente não pode admitir que as mulheres possam ganhar menos do que os homens”, exemplificou dentre mais citações, como a de que tampouco se pode admitir a negação de que “feminicídio existe”. Ao final, reforçou a mensagem de que advocacia lute para que a democracia não retroceda e os direitos não sejam retirados — pauta, segundo ela, de homens e mulheres. Nildete concluiu dizendo que, ao defender o cliente, o advogado defende a cidadania, os direitos humanos e um Judiciário justo.


Representando a jovem advocacia, Ana Clara Soares, da Comissão da Advocacia Jovem Iniciante, convidou os novos profissionais a se engajarem. “A OAB é uma família. Quando vocês chegam, recém-chegados, com um sorriso no rosto, é isso que nos motiva a continuar. Então, não deixem de procurar as comissões. A participação nas comissões é livre, e vocês podem se inscrever em até três. Ali, vocês encontrarão uma grande oportunidade de fazer networking e adquirir conhecimento.”


O presidente da Subseção do Paranoá e Itapoã, Diego Marques, reforçou o papel das regionais no acolhimento. “Somos 15 subseções, uma extensão da OAB mais próxima da advocacia. Onde vocês precisarem, a OAB estará presente para servir, apoiar e defender vocês e a sociedade. Esse é o nosso lema.”


Benefícios e acolhimento desde o primeiro dia
A presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Distrito Federal (CAADF), Lenda Tariana, apresentou a estrutura de apoio da OAB/DF e desfez alguns mitos. “Quando recebi minha carteira da OAB, ninguém me falou da Caixa de Assistência. Eu achava que tinha de pagar para participar e não usava nada. Na verdade, para ter acesso a tudo o que oferecemos, não é preciso pagar nada para se filiar. Fornecemos amparo, auxílio e apoio à advocacia e a seus familiares.”


Lenda listou alguns dos benefícios: “Sentada nesta cadeira, eu ficava pensando: como vou advogar agora sem o certificado digital? É por isso que, com muito orgulho, fornecemos a vocês um certificado digital totalmente gratuito, válido por um ano. Vocês também receberão um voucher de day use para conhecer o Clube da Advocacia com sua família.”
A presidente da CAADF terminou sua fala destacando a campanha Outubro Rosa: “A partir de hoje, toda advogada, e até mesmo todo advogado, poderá fazer a mamografia gratuitamente por meio da Caixa de Assistência. Esse benefício não protege apenas você, advogada, mas também seus familiares.”
O compromisso final
No encerramento, o presidente Poli reforçou a responsabilidade que acompanha a conquista do documento: “Vocês podem sair daqui neste momento e, daqui a uma hora, fazer uma sustentação oral no plenário do Supremo Tribunal Federal. São vocês que poderão definir a liberdade de uma pessoa. Para que juízes e juízas possam fazer justiça, eles dependem dos advogados e das advogadas. Somos nós que fazemos justiça neste país.”


Acompanhe como foi a cerimônia no YouTube da OAB/DF clicando aqui


Fotos: Roberto Rodrigues
Jornalismo OAB/DF