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Caminhada da OAB/DF reúne 300 pessoas no Parque da Cidade em prol da proteção infantojuvenil

Publicado em: 18/05/2026 13:07

As diretorias da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) e da Caixa de Assistência dos Advogados do DF (CAADF), conselheiros federais, presidentes e membros de comissões da Seccional, pais, professores, conselheiros tutelares, crianças e adolescentes se uniram em mais uma caminhada contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no Distrito Federal. A atividade, que integra a campanha Maio Laranja e que, neste ano, está alinhada ao “Mês da Infância Protegida” (3 a 18 de maio), instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi realizada neste sábado (16), no Parque da Cidade.

Ao todo, aproximadamente 300 pessoas saíram do ponto de concentração da caminhada, em frente ao estacionamento 11 do Parque da Cidade, em direção ao Parque Ana Lídia, onde soltaram 100 balões brancos em memória de vítimas desse crime, como Ana Lídia (ela morava em Brasília e desapareceu na porta da escola, quando tinha sete anos, em 11 de setembro de 1973; foi encontrada morta, no dia seguinte, com sinais de violência sexual).

Essa ação foi organizada pela Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB/DF, presidida pelo advogado Charles Bicca, que tem sua carreira dedicada à proteção de crianças e adolescentes. “A OAB/DF não esqueceu o que aconteceu com a menina Ana Lídia e com milhares de outras vítimas de abusos sexuais e a Seccional luta para que isso não aconteça mais”, disse Charles Bicca na saída da caminhada em direção ao Parque Ana Lídia.

Bicca declarou também que “a caminhada realça o trabalho de conscientização, de educação, e de proteção aos direitos das crianças e adolescentes, que o colegiado executa durante o ano inteiro”. “Fazemos esta concentração porque dá ainda mais visibilidade à causa e para que a sociedade entenda a importância de informar as crianças e os adolescentes, porque, se cada um for bem-informado, desde pequenos, dificilmente serão abusados. Aqui estamos distribuindo material, e novamente, de modo incansável, alertamos contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes”, observou Bicca.

Agradecimentos

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, Poli, agradeceu a ação da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB/DF e a adesão de todos os participantes da atividade. Poli refletiu sobre a importância da caminhada: “É fundamental para que a nossa sociedade entenda que as crianças precisam de respeito e de ter os seus direitos sempre aplicados. A OAB/DF dá exemplo, mostrando que aqui a gente traz a força de toda a nossa advocacia em prol das crianças e adolescentes. Todo ano a gente faz esse movimento e, cada vez mais, percebemos que cresce, fica maior e mais forte! Reafirma nossa posição que já é bem conhecida: Nós defendemos as crianças e os adolescentes do Distrito Federal!”.

Lenda Tariana, presidente da CAADF, trouxe a importância de a instituição que dirige apoiar um movimento que conscientiza a sociedade nessa temática: “Fazemos isto destacando que esta caminhada já entrou para o calendário oficial não só da OAB/DF, mas de Brasília. É uma homenagem à Ana Lídia e a todas as crianças que um dia foram vítimas desse tipo de violência. Lembro que a campanha traz um lema fundamental para a atenção de todos: ‘Acredite nas crianças’. A gente precisa ouvir as crianças, conversar e orientá-las. A distribuição de cartilhas é muito importante, porque oferece conhecimento e apresenta caminhos, como a quem recorrer e como obter proteção”.

Luta histórica

O conselheiro federal Délio Lins e Silva Jr. recordou que a caminhada começou já fazia alguns anos, ainda na sua primeira gestão como presidente da OAB/DF. “Esta caminhada é um evento que não perco de jeito nenhum! Que bom que segue firme ano após ano, e agora com o presidente Poli e sempre com Charles Bicca, que colocou de pé um projeto lindo em defesa das nossas crianças e adolescentes. Eles são o que a gente tem de mais importante na vida!”

A vice-presidente Roberta Queiroz refletiu que “a OAB/DF, sempre imbuída de cumprir o seu papel na sociedade, tem nesta caminhada uma ação muito especial, porque é um gesto que ressuscita, nas pessoas, a preocupação que sempre deve estar presente sobre o cuidado com as crianças e os adolescentes e tudo o que é relacionado aos seus desenvolvimentos. As vidas das crianças e adolescentes são o futuro das nossas vidas”.

Em consonância, Rafael Martins, secretário-geral da OAB/DF, afirmou: “Tenho absoluta convicção de que proteger as nossas crianças é um dos principais objetivos da OAB. Temos de propagar a cultura da proteção, do acolhimento das crianças e, acima de tudo, consolidar a ideia de que precisamos ouvir as nossas crianças. Não podemos dar as costas ao que falam as crianças.”

DIálogo entre pais e filhos

A conselheira seccional Karina Amorim considerou que a caminhada “é uma forma de demonstrar que as crianças precisam ser protegidas e que o mais importante é o diálogo dos pais com elas”. Para Karina, “os pais têm de orientar os filhos, desde pequeninos, e de uma forma lúdica, que eles consigam entender o que é o certo e o que é o errado”.

A mesma opinião tem Veranne Magalhães, advogada, especialista em Direito da Cultura, presidente da Comissão de Cultura e Arte do CFOAB e da Comissão de Cultura e Economia Criativa da OAB/DF. Ela conta que é mãe solo de gêmeos. Eles têm 21 anos hoje, mas é claro que, até chegarem à maioridade, ela passou pela infância e adolescência deles.

“Desde cedo busquei dar aos meus filhos conhecimento, pois entendi que, com cuidado e sem atemorizar as crianças, é possível educar e evitar abusos. Não é a mesma abordagem que se faz a um menino e a uma menina. A cada um eu adequei a conversa, usei sutileza, leveza, sempre despertando neles a confiança de que poderiam me dizer tudo o que se passava com eles. É algo muito importante os pais e as mães educarem tanto meninas quanto meninos, para evitar abusos”, detalhou Veranne.

A advogada abordou uma questão também presente na palestra de Gleisse Pires, psicóloga, educadora parental e mãe que foi participar da caminhada, a convite da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB/DF. Gleisse apresentou os conceitos de seu livro infantil “Kika”, obra em que ela aborda o tema da sexualidade infantil a fim de proteger as crianças do abuso sexual infantil. Às crianças Gleisse acentuou: “vocês têm direito de dizer não! Então, todas as vezes que vocês se sentirem incomodados por qualquer adulto, seja quem for, vocês correm para contar ao papai e à mamãe”.

O conselheiro federal Newton Rubens de Oliveira é pai de crianças. Para ele, uma sociedade livre, justa, igualitária e de respeito à humanidade, especialmente às crianças, compreende que é preciso combater abusos sexuais. “Para quem é pai, sem dúvida, é uma preocupação constante, seja nas escolas, seja nas ruas, mas é com esse tipo de movimento e de conscientização que estamos fazendo aqui que educamos as pessoas, mudamos a cultura, criando ambientes de mais cuidados com as crianças, e prevenindo para que abusos não aconteçam”, disse Newton Rubens, que monitora, junto com a esposa, a ida e a volta de suas crianças de 8 e 10 anos à escola. O casal conversa com as filhas e fortalece dia a dia a confiança mútua.

Conscientização e ação

Também participou desta atividade a Diretora das Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira. “Estive presente em todas as edições. Esta é uma das campanhas mais importantes que realizamos, pela OAB/DF, sempre contando com a sociedade, que precisa cada vez mais aderir e ter uma conscientização sobre o tema. Quanto mais caminhadas, mais capilaridade. Quanto mais capilaridade, mais crianças protegidas. E o reforço constante tem de ser na mensagem ‘acredite nas crianças, ouça os sinais silenciosos’. É preciso compreender até quando não falam, mas mudam o comportamento. Fazer esta caminhada, portanto, é agir para que esta prática nefasta de abusos seja combatida e extirpada.”

Para Nildete, mais conscientização tem possibilitado apurar mais denúncias, mas “as pessoas ainda não sabem ao certo o que está acontecendo”. “Muitas vezes, temos crimes praticados por um parente, dentro de casa. Tem casos até de um mantenedor, então são situações delicadas de serem denunciadas, mas é preciso que a sociedade tenha essa consciência e denuncie, porque é sempre o melhor caminho. Além de evitar que aquela criança seja vítima, evita que outras crianças também possam ser vítimas e é essa a obrigação da sociedade proteger a infância e a adolescência”, finalizou.

O presidente da Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência da Seccional, Gerson Wilder Sousa Melo, prestigiou a caminhada chamando a atenção para os cuidados com as pessoas com deficiência: “Questionem e reflitam o que isso pode ser avassalador e de difícil enfrentamento, quando se trata de uma pessoa com deficiência. Imagine uma criança surda, ou tetraplégica, ou cega, como ela se protege? É preciso uma firme atuação das famílias, e assistência do Estado. Temos de bradar ‘fora pedofilia’; ‘fora exploração sexual de crianças e de adolescentes!’”

Procurador-geral de Direitos Humanos da OAB/DF, Idamar Borges, também falou sobre esse aspecto de ampliar a visão na proteção de direitos de crianças e adolescentes. “É preciso lutar contra a pedofilia e contra quaisquer maus-tratos às crianças e aos adolescentes, e paralelamente lutar para que tenham uma educação e perspectivas melhores para crescerem seguras e saudáveis”.

A presidente da Comissão de Seleção e conselheira da OAB/DF Carolina Pellegrino afirmou que ali se via “a advocacia unida por um motivo e um bem comum”. “Hoje, é dia de parabenizar o presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB/DF, Charles Bicca, e todos os colegas desse colegiado e os participantes da sociedade, os que se movem em prol dessa causa. Temos de lembrar que ninguém faz nada sozinho. Precisamos de todos aqui, pelas crianças e adolescentes, pois este é um tema muito caro a todos nós. A OAB/DF faz um movimento muito importante!”

Fotos: Roberto Rodrigues

Jornalismo OAB/DF

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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