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Briga no PL de Goiás explode após ausência de Wilder Morais na votação que barrou o indicado de Lula ao STF
A crise interna no PL de Goiás atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (7), quando uma discussão explosiva entre os deputados estaduais Amauri Ribeiro e Major Araújo terminou em ameaça de morte dentro da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), obrigando até o acionamento da polícia para conter os ânimos no plenário.
O estopim da confusão foi a crescente insatisfação de parte da ala bolsonarista goiana com a ausência do senador Wilder Morais na votação do Senado Federal que barrou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores do PL, a ausência de Wilder passou a ser vista por aliados mais radicais como um gesto de omissão política num momento considerado decisivo pela direita conservadora.
A tensão começou ainda no último dia 30 de abril, quando Amauri Ribeiro criticou publicamente a postura do senador durante sessão da Alego.
“Um voto poderia decidir a rejeição ou aprovação. E dos três senadores goianos, dois votaram contrários e um se ausentou da votação. Uma vergonha para o Estado de Goiás”, disparou Amauri da tribuna.
A declaração caiu como uma bomba dentro do PL goiano, especialmente porque Wilder Morais é hoje um dos principais nomes da direita no estado e pré-candidato ao governo de Goiás em 2026.
Na sessão seguinte, Major Araújo partiu para o contra-ataque e saiu em defesa de Wilder. O parlamentar elevou o tom ao questionar a trajetória política de Amauri Ribeiro, que recentemente deixou o União Brasil para ingressar no PL.
O embate rapidamente saiu do campo político e passou para ataques pessoais. Em meio à escalada da crise, Amauri chegou a anunciar, durante participação remota na sessão de quarta-feira (6), que cancelaria compromissos no interior para comparecer presencialmente ao plenário no dia seguinte para um acerto “olho no olho”.
O clima explodiu de vez nesta quinta-feira.
Durante a sessão, Major Araújo chamou Amauri de “Joice Hasselmann do PL”, numa referência pejorativa à ex-deputada federal que rompeu com o bolsonarismo. Amauri reagiu chamando o colega de “soldadinho de brinquedo”. A troca de insultos continuou com ofensas como “burro”, “canalha”, “vagabundo” e “safado”.
A situação saiu completamente do controle após o encerramento antecipado da sessão. Segundo relatos de parlamentares presentes, Amauri teria avançado verbalmente contra Major Araújo dizendo:
“Não deixa eu pôr a mão em você não.”
A resposta veio em tom ainda mais grave:
“Põe a mão em mim pra você ver. Amanhã você amanhece morto. Vagabundo, safado”, teria reagido Major Araújo.
A ameaça gerou forte tensão nos corredores da Assembleia Legislativa e obrigou o acionamento da polícia para evitar um confronto físico entre os dois deputados.
O episódio expõe publicamente o aprofundamento da crise interna no PL goiano, que já vinha sendo marcada por disputas de poder, divergências estratégicas e conflitos entre alas bolsonaristas do partido.
Nos bastidores políticos de Goiás, lideranças avaliam que o desgaste provocado pela briga pode atingir diretamente a imagem do partido às vésperas das articulações para as eleições de 2026, especialmente diante da pré-candidatura de Wilder Morais ao governo estadual.
A oposição já explora o episódio como símbolo de desorganização e radicalização interna no PL, enquanto aliados tentam minimizar os danos políticos da crise que agora ultrapassou o campo ideológico e chegou ao confronto pessoal dentro do Parlamento goiano.
