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Caminhos da Roça convida viajantes a desacelerar e vivenciar tradição rural de Viçosa

Publicado em: 05/11/2026 12:40

Diante da urgência da rotina urbana, do ritmo acelerado do dia a dia, prazos apertados e excesso de estímulos e informações, o município de Viçosa convida a tirar os olhos das telas e esquecer o relógio para apreciar a paisagem rural, desacelerar, respirar ar puro e apreciar a simplicidade acolhedora da vida no campo. O sabor inconfundível do queijo bazulaque, o cheiro do doce artesanal preparado no tacho e a sinfonia dos animais da fazenda fazem parte de uma rotina há muito tempo esquecida ou até mesmo completamente desconhecida para os habitantes urbanos.

O roteiro turístico Caminhos da Roça revela camadas da vida rural, onde a simplicidade é sinônimo de acolhimento e abundância de significados. Recém-estruturado pelo Sebrae Alagoas, foi apresentado a operadoras de viagens e agentes de turismo em um famtour realizado em parceria com a prefeitura, que une experiências, culinária tradicional e cultura, deixando de lado pontos turísticos consagrados no município, como a Cachoeira do Anel, para priorizar as raízes da produção rural viçosense e já começa a receber turistas.

O primeiro grupo de excursão foi organizado pela Caminhos de Alagoas, agência que pertence à empresa MaceiOK, para o mês de janeiro. Outras operadoras também já começaram a oferecer a experiência para seus clientes.

Dos saberes tradicionais aos aromas da alvorada na Agrovila e na Gitirana

Propriedades rurais e associações agrícolas de Viçosa estão com as portas abertas para oferecer muito mais do que visitas contemplativas. A ideia é proporcionar uma vivência na roça em sua plenitude. A Agrovila São Luiz é a responsável pelas boas vindas. No famtour, recebeu a comitiva exaltando a cultura rural com o Reisado e com um café da manhã que traduz a riqueza da agroindústria com uma mesa farta de pães caseiros, bolos, biscoitos artesanais, geleias, iogurtes e queijos frescais, como o brasulaque, comida típica do município.

“Viçosa é o berço da cultura alagoana, a Atenas de Alagoas, e a nossa cultura é a nossa origem. Hoje, convidamos a todos a conhecer outro lado da nossa cidade, que é justamente o nosso campo, que é riquíssimo. Queremos apresentar aos visitantes uma experiência diferenciada, mostrar como vivemos e os nossos produtos, que são preparados com a qualidade que realmente faz lembrar a nossa terra”, afirma Vitória Lima, presidente da Associação Comunitária da Agrovila São Luiz, que enfatizou também que o desenvolvimento dos produtos contou com o apoio técnico do Sebrae. Como resultado, a agroindústria ampliou o mercado e transformou a vida de famílias da comunidade.

A Agrovila São Luiz recebeu os participantes com apresentação de Reisado e um café da manhã com produtos da agroindústria local. Foto: Julio Vasconcelos

A comitiva então seguiu para a Chácara Gitirana, exemplo de como a diversificação pode ser o divisor de águas para garantir a sustentabilidade do negócio rural. A zootecnista Analice César Bonfim compartilhou a trajetória de crescimento da propriedade que cuida junto com a família. Inicialmente, eles se dedicavam apenas à produção de ovos caipiras, que são comercializados na região. Atualmente, eles também produzem doce de leite com redução de açúcar, por sugestão do filho do casal, Miguel, de apenas 10 anos, e cultivam também folhagens e plantas ornamentais. Como parte do itinerário turístico, a propriedade oferece a experiência de coleta dos ovos diretamente do galpão, compreendendo o valor do trabalho que sustenta a propriedade.

Da nobreza equestre aos temperos marcantes do Rancho do Nunes

Nem tudo é simplicidade na zona rural de Viçosa. O Haras Alagominas reúne história e tradição. Com mais de cem hectares, o local abriga uma premiada criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador, que chegam a valer até R$ 7 milhões. O médico veterinário Mateus Gomes Ferreira, responsável pelo laboratório de reprodução equina, serviu de guia detalhando a origem da raça no Brasil e os projetos para implementação de uma central de reprodução voltada ao mercado nacional e internacional.

O Haras Alagominas apresentou aos participantes a criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador e o trabalho de reprodução equina. Foto: Julio Vasconcelos

O almoço foi servido no Rancho do Nunes, que em pouco mais de um ano escalou de hamburgueria artesanal, para um espaço que também serve refeições, promove shows musicais e oferece até mesmo day use para a área da piscina. Junto a tudo isso, o casal Rosa Maria e Telmo Nunes também oferece aos clientes uma marca própria de pimentas artesanais e cachaça aromatizada.

“Nosso cantinho é uma história de família. Moramos aqui há mais de vinte anos e transformar uma parte do sítio no Rancho foi um passo muito natural. Fomos abraçados de um jeito lindo pela cidade e por toda a região. O espaço foi ficando pequeno para tanta gente, então fomos ampliando os serviços e hoje receber quem vem de fora para provar a nossa comida e vivenciar o Rancho é uma satisfação imensa”, afirma Rosa Maria.

O mel, a pimenta e as flores que transformam vidas na Zona da Mata

Entre a doçura do mel e a picância da pimenta, as 221 famílias do Assentamento Dourada decidiram combinar os dois em iguarias exclusivas, como o mel de abelha com pimenta, o doce de banana apimentado e a geléia de abacaxi apimentada, que foram apresentados por Jairson Ferreira durante a famtour. Com o apoio de consultorias técnicas do Sebrae, a produção inclui também molhos de pimenta diferenciados.

“O Sebrae é um parceiro nosso de longas datas. Eles nos deram suporte desde a raiz, acompanhando o plantio da pimenta, mandando um consultor e agrônomo que passou dois meses aqui no assentamento nos ensinando toda a técnica. Depois que começamos a produzir, o Sebrae também nos enviou especialistas para ajudar no beneficiamento dos produtos e na precificação. É uma parceria muito forte”, explicou o produtor rural.

Produtores do Assentamento Dourada apresentaram uma variedade de produtos artesanais à base de mel e pimenta. Foto: Julio Vasconcelos

Outra experiência oferecida no roteiro turístico está na Comunidade Bom Samaritano, sob a liderança de Élida Pereira. Carismática, ela conta a história do espaço, que acolhe jovens em situação de vulnerabilidade, adictos e mulheres vítimas de violência doméstica ou cujos companheiros passam períodos trabalhando em outros estados. O local passou a cultivar flores por sugestão do Sebrae, como uma alternativa de viabilidade econômica. Inicialmente cética quanto à viabilidade, acabou aceitando o desafio e não se arrependeu. Por conta disso, ela rapidamente aceitou abrir as portas da comunidade para o Caminhos da Roça para mostrar aos visitantes a história da instituição e as flores, que além de geração de renda, é também uma ferramenta terapêutica social.

Na Comunidade Bom Samaritano, os visitantes conheceram o cultivo de flores, atividade que une geração de renda, acolhimento e inclusão social. Foto: Julio Vasconcelos

Crepúsculo dourado e o inconfundível brasulaque

Para encerrar o circuito, nada melhor que aproveitar o pôr do sol no alpendre de Josefa Pereira, a Zefa do Queijo, como ela é mais conhecida. Momento para conversar, apreciar o clima ameno e saborear o autêntico brasulaque, acompanhado de um café passado na hora. Com mais de duas décadas de dedicação, a produtora rural mantém dos braços a tradição familiar do queijo artesanal. Na propriedade, a vivência passa pela generosidade de Zefa, que não esconde os segredos da produção do queijo e até convida os visitantes para mexer o tacho.

“Tem gente que chega aqui procurando onde fica a fábrica de queijo, e eu pergunto: que fábrica? A fábrica aqui é só eu mesma e a minha panela! É um processo todo manual, sem máquinas. Não tenho criação de animais, então compro o leite fresco dos produtores da região e faço o brasulaque da mesma forma que a minha mãe, minha tia e meus avós faziam antigamente.É um trabalho simples, feito com paciência e muito orgulho da nossa terra”, explica Zefa.

E quando se visita um sítio, não se vai embora de mãos vazias, né? Além do brasulaque, os visitantes ainda podem levar para casa bolos, doces artesanais e a preciosa lembrança de que é possível ser feliz no simples.

Na propriedade de Zefa do Queijo, os visitantes encerraram o roteiro apreciando o pôr do sol e conhecendo a produção artesanal do tradicional brasulaque. Foto: Julio Vasconcelos

Turismo rural como ferramenta de desenvolvimento sustentável

A rota Caminhos da Roça, produto turístico que deve começar a receber visitantes nos próximos meses, integra um ecossistema ainda mais amplo, que reúne outros atrativos naturais, como a Cachoeira do Anel e a Cachoeira do Doce. A arquitetura colonial e a cultura, que preserva folguedos populares e a história de intelectuais ilustres fazem jus ao título de Atenas das Alagoas. A prefeitura também faz investimentos contínuos para garantir novos espaços e oportunidades para os produtores comercializarem seus produtos.

“Viçosa sempre foi reconhecida por sua força cultural e suas belezas naturais, mas o projeto Caminhos da Roça revela a nossa maior riqueza, que é a gente do nosso campo. A parceria com o Sebrae é fundamental porque capacita os produtores rurais, gera renda diretamente nas comunidades e transforma o trabalho da terra em uma oportunidade real de negócio. A prefeitura segue investindo em infraestrutura para que o turista encontre estradas cuidadas, sinalização e todo o suporte necessário para vivenciar essa experiência inesquecível no nosso município”, afirma o prefeito João Victor.

A analista do Sebrae Alagoas, Susylane Ferreira, turismóloga e gestora da carteira do Turismo da Regional Arapiraca, ressalta a importância de colocar em prática uma estratégia que amplia as opções atrativas para o mercado turístico, como uma forma de diversificar as atividades e garantir o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios rurais.

“O roteiro que apresentamos mostra algo ainda desconhecido para muita gente. As cachoeiras e a cultura de Viçosa são famosas, mas queremos que as pessoas conheçam a experiência do agroturismo para agregar ao portfólio que já vendem. O papel central do Sebrae é promover a interiorização do turismo, permitindo que o visitante deixe um pouco o litoral, o sol e a praia para desfrutar do clima ameno e da hospitalidade de Viçosa. Os produtores estão animados e preparados para receber todos com muito carinho”, ressaltou.

A analista do Sebrae Alagoas, Susylane Ferreira, destacou o potencial do turismo rural para diversificar a oferta turística e fortalecer os pequenos negócios do interior. Foto: Julio Vasconcelos

A consolidação do roteiro turístico demonstra o impacto do Sebrae no desenvolvimento territorial. A atuação da instituição foi além do mapeamento das propriedades, englobando capacitações em atendimento, consultorias em gestão, adequação sanitária e precificação justa de produtos, transformando as pequenas propriedades em negócios sustentáveis. Ao abrir as portas de suas casas para receber turistas, esses produtores tornaram-se empreendedores da hospitalidade, fortalecendo a economia rural.

“Pedimos aos agentes de viagens que olhem com muito carinho para este roteiro. Os produtores rurais estão animados, capacitados e com a casa aberta para receber os visitantes com todo o acolhimento viçosense. Quando o turista chega à zona rural de Viçosa, ele encontra um clima ameno, sabores que não existem em outro lugar e a história de famílias que preservam suas tradições. É esse turismo de reconexão que o Sebrae quer impulsionar e consolidar na região”, complementa Susylane.

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Fonte: Agência de Notícias do Estado de AL

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