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Capacitação no Sebraelab mostra como a marca pode diferenciar pequenos negócios em mercados saturados
Pequenos empresários do Distrito Federal participaram, no último dia 20 de outubro, de mais uma capacitação promovida pelo Sebrae no DF, no Sebraelab. Desta vez, o espaço instalado no Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC) foi cenário de um debate sobre marca como vantagem competitiva. A atividade foi organizada no âmbito dos projetos Brasília Conecta TIC e Sebrae Conecta Games e mostrou como o dono de pequeno negócio pode destacar sua empresa para além do preço, do produto ou do serviço, apresentando estratégias para a construção de uma marca forte como diferencial que gera valor, atrai clientes e fortalece a posição no mercado.
A condução da atividade ficou a cargo dos empresários Gabriel Lyra e Arthur Serra, criadores da Mataco Studio. Especialistas em branding, a dupla foca no desenvolvimento de negócios que demandam clareza e diferenciação em mercados competitivos. Eles também criaram o método PEA, que defende que o impacto de uma marca não reside na estética, mas na estratégia e na personalidade que a sustentam. O processo envolve uma imersão profunda na essência do negócio para definir posicionamento e diretrizes antes mesmo da criação de identidades visuais ou verbais.
Os empresários abriram a atividade explicando por que o branding se tornou o caminho mais falado para se diferenciar num mercado saturado. Antes de definir o conceito, recorreram a uma história sobre como o mercado funcionava antes da globalização. Naquele cenário, uma boa ideia ou um produto inovador bastava para se destacar, e até um concorrente que copiasse a solução ainda encontrava espaço, já que os mercados eram pequenos e os recursos, escassos.
Com a expansão das conexões globais, todos passaram a ter acesso aos mesmos recursos, à mesma matéria-prima e à mesma mão de obra. O diferencial funcional perdeu força, e o preço restou como principal critério de negociação. O caminho passou, então, a ser o diferencial intangível, aquilo que o cliente não toca, mas sente, e a construção de marca tornou-se a ferramenta mais poderosa para isso. Ao longo da explicação, desfizeram equívocos comuns. “Marca não é logo, nem identidade visual, nem produto. É o resultado que ela constrói na mente das pessoas, e esse resultado é reputação, não necessariamente dinheiro”, afirmou Arthur.
Na sequência, a dupla fez uma breve apresentação da Liquid Death, marca norte-americana que se tornou um fenômeno global de marketing ao vender água mineral e outras bebidas saudáveis em latas de alumínio com estética de cerveja artesanal e heavy metal. Com isso, passou a cobrar mais por uma água de mesma origem e mesmo gosto, porque o consumidor compra o que a marca representa, e não apenas a embalagem.
Os empresários também destacaram as parcerias que a marca firmou com criadores de conteúdo, sempre alinhadas ao seu propósito e sem desvios do posicionamento. Além disso, apresentaram os números que evidenciam a força da marca no mercado. A empresa foi avaliada em US$ 1,4 bilhão em 2024 e registrou US$ 263 milhões em vendas no varejo em 2023. A estratégia, portanto, uniu apelo emocional e funcional, e mostrou que a marca vai muito além do logo ou da embalagem.
“Em um mercado em que todas as garrafas são iguais, a Liquid Death pegou um espaço que ninguém ocupava e transformou um produto sem graça em atitude. As pessoas pagam mais caro pela mesma água, do mesmo lugar, porque ela representa algo para elas. Isso é o poder do branding aplicado na vida real. Não é o logo, não é a embalagem, é o significado que a marca constrói na cabeça de quem consome”, complementou Gabriel.

A dupla seguiu com a apresentação e reforçou que construir uma marca exige método, e não apenas criatividade. O caminho começa pelo propósito, passa pelo posicionamento e pelo conhecimento do cliente e chega à oferta, em etapas que devem ser aplicadas de forma integrada ao negócio. Os empresários também lembraram que o cliente é o herói da história e a marca, o guia, de modo que a comunicação deve mostrar a transformação que o cliente alcança, e não apenas a trajetória da empresa.
Em meio ao público presente no Sebraelab estava Edinaldo Rodrigues, que vem construindo sua trajetória como empresário no Distrito Federal à frente da Vemob, dedicada à mobilidade elétrica, e da Vyvakh, uma deep tech que desenvolve pesquisa e produtos de inovação complexa.
O empresário ficou sabendo da capacitação pelas redes sociais do Sebrae e logo buscou garantir sua participação para suprir uma necessidade que identificou nas duas empresas: a dificuldade de se posicionar com clareza em um mercado técnico e de alto impacto social.

Em busca de estratégias para construir a identidade de negócios disruptivos, ele encontrou o direcionamento que procurava. “Nossa marca não precisa ser a mais vista, mas precisa dizer com clareza o que a gente faz e por que isso importa para as pessoas”, observou Edinaldo.
A capacitação também chamou a atenção de Noeme Alves. Ela já conduziu sua própria empresa por cinco anos, período em que desenvolveu marca e análises estratégicas, mas precisou fechá-la por questões pessoais e financeiras. Atualmente, ela presta serviços como PJ para uma empresa de TI do Distrito Federal, atuando na área de gestão comercial, com foco em estratégia de mercado, experiência e sucesso do cliente.
Foi nesse contexto que a participação na capacitação do Sebrae fez sentido para ela. Noeme enfrenta agora o desafio de organizar ferramentas, treinamentos e processos de atendimento, e trabalha na reestruturação da marca da contratante, que atua com sustentação de ambiente, venda de suporte, servidores e manutenção de redes. O desafio, segundo ela, é se diferenciar num mercado saturado, em que quase todas as empresas de TI se apresentam da mesma forma.

“É preciso ter uma identidade forte. A capacitação veio no momento certo para me ajudar a estruturar o atendimento e a marca da empresa, garantindo que a nossa entrega técnica seja percebida pelo cliente como um valor único no mercado”, comentou ela.
A gestora dos projetos Brasília Conecta TIC e Sebrae Conecta Games no Sebrae no DF, Cláudia Bonifácio, avaliou, ao final, o impacto da iniciativa. “Nosso objetivo com essa capacitação foi mostrar aos pequenos negócios que uma marca forte pode fazer toda a diferença na hora de conquistar clientes e se destacar da concorrência. Queremos levar conhecimento prático que ajude os empreendedores a comunicar melhor o valor de suas empresas, fortalecer sua presença no mercado e criar mais oportunidades de crescimento”, concluiu.

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