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Outubro Rosa: servidoras do TJDFT remam juntas na luta contra o câncer de mama

Publicado em: 24/10/2026 10:11

Um barco que navega nas águas do Lago Paranoá, em Brasília, reúne a força coletiva de mulheres que dividem uma mesma experiência: todas são sobreviventes do câncer de mama. No movimento sincronizado dos remos no Dragon Boat, servidoras do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) unem forças com outras mulheres na Associação Canomama.

Criada em 2016, a Canomama se tornou pioneira no Brasil ao formar a primeira equipe de mulheres sobreviventes do câncer de mama do país na canoagem coletiva estilo Dragon Boat, barco a remo originário da China. Hoje, existem 23 equipes no Brasil. Em março de 2026, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou sessão solene para celebrar os 10 anos da Associação Canomama.

“Fazer parte da Canomama foi um divisor de águas na minha vida. Entrei em 2020 por indicação da minha irmã Marta e não parei mais de remar. Hoje vejo o bem que me fez”, conta Patricia Bizzo, uma das servidoras do TJDFT que participa do programa. Há um ano, ela descobriu metástase óssea, mas segue remando, com a supervisão da sua fisioterapeuta oncológica. “Aliás, é até uma indicação da minha médica. Não posso parar!”, completa.

A servidora Mariana Oliveira Pinto destaca a transformação proporcionada pelo esporte. “O Dragon Boat nos mostra que, depois do câncer, existe uma vida que pode ser vivida com intensidade, saúde, amizade e novos sonhos. Remar juntas é uma forma de transformar uma experiência difícil em força coletiva e em incentivo para outras mulheres”.

Mariana integrou a equipe brasileira de 23 remadoras que participou do IBCPC Dragon Boat Festival 2026, realizado em Aix-les-Bains, na França, no último mês de agosto. O evento reuniu cerca de 4,5 mil mulheres sobreviventes do câncer de mama, de 25 países, em uma grande celebração internacional do esporte, da saúde e da superação. A equipe brasileira se destacou com a conquista do 2º lugar na bateria de 1.000 metros, resultado da força e dedicação das atletas.

3ª Remada Rosa Nacional

No último dia 3 de outubro, as servidoras do TJDFT Mariana Oliveira, Patricia Bomfim e Elane Pires participaram da 3ª Remada Rosa Nacional, realizada no Lago Paranoá, em Brasília. A iniciativa marcou o início das ações do Outubro Rosa, campanha mundial de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

A remada integrou o movimento Remadoras Rosa do Brasil, que reúne mulheres em diferentes cidades do país, em uma mobilização simultânea pela conscientização sobre o câncer de mama e pela valorização da saúde, da prevenção e da qualidade de vida.

“A participação das servidoras do TJDFT na 3ª Remada Rosa Nacional reforça a importância de iniciativas que unem saúde, prevenção, esporte, inclusão e valorização da vida, além de dar visibilidade à luta contra o câncer de mama e ao protagonismo feminino no esporte”, afirma Mariana. 

A força do coletivo

Para as servidoras do TJDFT, além de ferramenta de reabilitação física e promoção da qualidade de vida por meio do esporte, a remada representa a possibilidade de ressignificar a experiência do câncer por meio da convivência e do acolhimento emocional. A atividade transforma a superação individual em uma experiência coletiva de força, solidariedade e celebração da vida.

“Durante meu tratamento, eu tive muito apoio da minha família, dos meus amigos e dos meus colegas de trabalho do TJDFT. Isso foi muito importante. Contudo, eu me sentia muitas vezes ‘a escolhida’ pela doença. Participar da Canomama foi fundamental porque somos mulheres sobreviventes do câncer de mama com o mesmo objetivo de, remando juntas, encarar os desafios e superar qualquer limitação”, conta a servidora Patricia Bomfim. 

Para Elane Pires, participar da Canomama é importante porque estar no grupo significa compartilhar força, compreensão, união e cura. “O projeto possibilita termos convivência com outras mulheres com o mesmo diagnóstico e a mesma vontade de vencer, de viver. É estimulante. A Canomama é vida!”, afirma a servidora do TJDFT.

A força do coletivo também é destacada pela servidora Ilmara Bastos. “Algo que considero muito positivo é o apoio do grupo em momentos nos quais alguém está passando por uma dificuldade maior, como internação ou tratamento em razão de metástase. A Canomama é como uma família na qual a gente se sente amparada. É muito bacana contar com as boas vibrações e as orações das meninas sempre que alguém precisa”, conta.

Em outubro do ano passado, Ilmara e Mariana fizeram parte da equipe de remadoras da Canomama que conquistou a medalha de ouro da categoria internacional no 3º Festival del Bote de Dragón, em Santiago, Chile. A conquista foi um marco na história da associação e na vida das atletas, nesse esporte que atravessa fronteiras pela união, força e companheirismo de mulheres.

Canomama

Referência do Movimento Remadoras Rosa do Brasil, a Associação Canomama atende atualmente cerca de 60 mulheres sobreviventes do câncer de mama. As atividades acontecem toda terça, quinta e sábado, das 9h às 11h, no clube Ascade, em Brasília.

Para a presidente da Canomama, Juliana Martins, o principal resultado visto com a prática da canoagem no Dragon Boat é o resgate da autonomia e da identidade da mulher, que deixa a condição de paciente e reassume o protagonismo de sua própria história.

“Se você está enfrentando o câncer de mama hoje, ouça: você não está sozinha e não precisa ser forte o tempo todo. Seu corpo não te traiu. Ele está lutando por você. E quando achar que suas forças acabaram, use as nossas. É para isso que existe um barco com 20 mulheres remando juntas na Canomama”, diz Juliana, como mensagem neste Outubro Rosa.

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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