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Coordenadoria da Mulher do TJDFT destaca a responsabilidade da imprensa na cobertura de feminicídios

Publicado em: 21/10/2026 09:59

A juíza Fabriziane Zapata, coordenadora da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar da Justiça do Distrito Federal, debateu o trabalho da imprensa na cobertura de casos de feminicídio durante o simpósio “Jornalismo em Debate: feminicídio e as responsabilidades sociais”, promovido pelo Centro Universitário UDF nesta terça-feira, 20/10. A jornalista Lana Canepa, editora executiva da Band Brasília, também participou do debate, mediado pela professora Anna Maduro, jornalista e pesquisadora sobre feminicídio nas manchetes dos jornais.

A partir da análise de manchetes jornalísticas, a juíza Fabriziane Zapata destacou a problemática da violência contra a mulher na sociedade e o trabalho da imprensa na cobertura desses casos, bem como apresentou o “Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”, publicação inédita lançada em junho deste ano, elaborada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF).

Ao chamar a atenção para a responsabilidade da imprensa, a magistrada disse que o jornalismo participa da construção das pautas da sociedade e da opinião pública. “A gente se importa tanto com a forma como a imprensa noticia a violência contra a mulher porque ela leva a uma descrença social em relação ao sistema de proteção. Isso é muito sério”, alertou Fabriziane Zapata.

Entre as recomendações para a cobertura da mídia, a juíza citou a priorização do uso da voz ativa, com foco no agente da violência, e a contextualização do caso como um problema estrutural, e não como um evento isolado. A magistrada lembrou a importância de a imprensa incluir, nas matérias veiculadas, um bloco de informações com os telefones dos serviços oferecidos às mulheres vítimas de violência, para que elas conheçam os canais oficiais de ajuda.

A questão da linguagem utilizada pela imprensa nos casos de feminicídio também foi destacada por Anna Maduro, com crítica ao uso da voz passiva na referência às vítimas e omissão da figura do agressor, principalmente nas manchetes das notícias. A juíza Fabriziane Zapata ressaltou a importância de a imprensa divulgar o desfecho dos casos com a mesma relevância dada à cobertura inicial. No evento, ela apresentou as 20 diretrizes para a comunicação responsável, detalhadas no “Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”.

Lana Canepa ressaltou a importância do respeito e do diálogo nas relações. “Respeito é a chave para enfrentar a violência contra a mulher. É preciso praticar o diálogo que fortalece a mulher todos os dias”, afirmou. A jornalista também destacou o papel da imprensa. Segundo ela, o jornalismo profissional é essencial para que a informação chegue à sociedade, mas são necessários profissionais que atuem para que o respeito prevaleça. 

Ao se dirigir à plateia de estudantes e professores, a juíza Fabriziane Zapata levantou o papel da educação no tema. “Para eliminar a violência contra a mulher, precisamos falar sobre transformação de atitudes, crenças e normas. E isso só se faz por meio da educação”, refletiu. A magistrada finalizou sua fala com tom de esperança de que os jovens compreendam a gravidade da violência contra a mulher e atuem no enfrentamento desse problema. 

Saiba como procurar ajuda

Se você ou alguém que conhece é vítima de violência, procure ajuda:

  • DISQUE 190 – Polícia Militar (24h). Emergência, ameaça iminente ou descumprimento de medida protetiva com risco atual. Envia viatura imediatamente.
  • DISQUE 197 – Polícia Civil do DF (24h, anônimo). Denúncia anônima ou repasse de informações.
  • LIGUE 180 – Central de Atendimento à Mulher (Governo Federal · 24h · gratuito · nacional). Orientação sobre direitos, serviços da rede de atendimento e encaminhamentos.
  • MPDFT 127 – Canal gratuito para atendimento jurídico e escuta qualificada para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade.
  • DPDF 129 opção 2 – Atendimento jurídico gratuito específico para mulheres em situação de violência doméstica.

Para ver mais fotos do evento, acesse o link do Flickr.

Fotos: Matheus de Paula

Fonte: Agência de Notícias do Estado do DF

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